Trajetória definiu rumos de partidos e alianças no RN

Publicação: 2017-06-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Governadora eleita e reeleita, prefeita de Natal três vezes e deputada constituinte, Wilma Maria de Faria teve uma trajetória que marcou a política do Rio Grande do Norte desde a redemocratização do país, na década de 80. Ela esteve presenta nas articulações, foi decisiva para a formação de alianças, mudou os rumos de partidos aos quais se filiou.

O ingresso de Wilma de Faria na política partidária foi através do extinto Partido Democrático Social (PDS), criado pelos grupos de apoio aos governos militares de 1964/1988, originário na antiga Arena (durante a ditadura, o pais teve um regime bipartidário: Arena e MDB).

Wilma de Faria, durante o mandato de prefeita, concede entrevista no Palácio Felipe Camarão
Wilma de Faria, durante o mandato de prefeita, concede entrevista no Palácio Felipe Camarão

Após a derrota nas eleições municipais de 1985 e a eleição em 1986, pelo partido de origem, em 1988 Wilma já estava filiada ao PDT e vence a eleição para a prefeitura de Natal, cumprindo um mandato de quatro anos. Ao final da administração, com a popularidade em alta, consegue eleger Aldo Tinoco como sucessor (1992).

Na vida familiar, ela já estava separada de Lavoisier Maia, fato esse que culminou no ingresso ao PSB. Em 1994, disputa a eleição para governador e fica em quarto lugar. Em 1996, já rompida politicamente com Aldo Tinoco, que fazia uma administração desastrosa para a capital, volta a disputar a Prefeitura de Natal com o apoio de José Agripino Maia e vence. Em 1999, rompe politicamente com José Agripino Maia e em 2000 recebe o apoio do então governador Garibaldi Alves Filho para mais um reeleição na Prefeitura de Natal.

Em abril de 2002, renuncia à prefeitura de Natal - deixando o cargo para o vice, Carlos Eduardo Alves - para disputar o governo do estado, sendo eleita com 820.541 votos, correspondentes a 61,05% dos votos válidos, derrotando de forma surpreendente o então candidato de Garibaldi Filho (que disputou e se elegeu para uma vaga no Senado), o vice-governador Fernando Freire. Em 2006, candidata à reeleição,derrota o próprio  o senador Garibaldi Alves, vencendo no segundo turno com 824.101 votos, correspondentes 52,38% dos votos válidos.

O segundo mandanto no governo, no entanto, não é tão tranquilo quanto o primeiro. Em 2008, na Operação Hígia da Polícia Federal, o filho Lauro Maia Neto chega a ser preso junto com outros integrantes do governo, suspeitos de desviar R$ 36 milhões em licitações fraudadas para a secretárira estadual de Saúde.

Em 31 de março de 2010, Wilma de Faria decidiu renunciar ao governo do Rio Grande do Norte, passando o cargo ao vice, Iberê Ferreira,e se candidata a senadora nas eleições gerais de 3 de outubro do mesmo ano. Apurado os votos, ficou em 3ª lugar com 651.358 votos (21,89% dos válidos), tendo sido derrotada pelo peemedebista Garibaldi Alves Filho – o 1° colocado, reeleito com 1.042.272 votos (35,03% dos válidos) – e pelo democrata José Agripino – o 2° colocado, reeleito com 958.891 votos (32,23% dos válidos).Os dois anos seguintes são ocupados com cargos de assessoramento no governo de Pernambuco.

Wilma exerceu o 1º mandato de prefeita no final da década de 80
Wilma exerceu o 1º mandato de prefeita no final da década de 80

Na eleição municipal de Natal em 2012, Wilma de Faria era apontada como uma das principais candidatas a prefeita de Natal, pelo PSB. Em maio daquele ano, no entanto, desistiu de se candidatar à prefeitura para que seu partido apoiasse a candidatura de Carlos Eduardo Alves, do PDT.Em junho, o apoio foi concretizado com a confirmação de que Wilma sairia como candidata a vice-prefeita na chapa de Carlos Eduardo. Na eleição de 7 de outubro, Carlos Eduardo foi para o segundo turno contra Hermano Moraes, do PMDB, e se elegeu.

Em 2014, já afastada do prefeito Carlos Eduardo, Wilma de Faria decide tentar novamente uma vaga para o senado com o apoio das oligarquias Alves, Rosado e Maia, que também apoiavam o candidato derrotado ao governo do Estado, Henrique Eduardo Alves. Não sendo eleita, ficou em segundo lugar com 636.896 (43.23%) dos votos, perdendo para a então deputada federal do PT, Fátima Bezerra que obteve 808.055 (54.84%) dos votos.

Em 2016, veio a última eleição: para vereadora de Natal. Wilma de Faria deixou o PSB, após perder a presidência estadual para o deputado federal Rafael Motta, e se filou ao PTdoB, assumindo o comando da legenda. Foi eleita com 4 421 votos na chapa PTdoB/PSDB que era encabeçada pela candidata a prefeita, sua filha Márcia Maia que, por sua vez, teve apenas 5,53% dos votos válidos.

Diplomada e empossada, mas já com o câncer diagnosticado e alternando períodos de convalescença em casa e viagens para tratamento em um hospital de São Paulo, Wilma de Faria acabou por oficializar um pedido de licença do mandato em abril deste ano.

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