Tranquilidade no último dia de vendas para o comércio

Publicação: 2010-01-01 00:00:00
Típica confusão no trânsito, carros de som anunciando ofertas incessantes e poucos consumidores se aventurando a fazer compras. Esse foi o cenário encontrado na manhã de ontem, véspera de ano novo, no Alecrim e em outros pontos do comércio de rua em Natal. O movimento tranquilo não animou segmentos como os de roupas, lingeries e fogos de artifício. Para os supermercados e as lojas de bebidas, o dia foi, por outro lado, de filas, com muita gente ainda buscando  “combustível” para a ceia de Reveillon e o feriado prolongado. Agora em janeiro, o setor poderá dar indício à temporada de liquidações, na próxima segunda-feira, diz 4. A estratégia ajuda a desovar os estoques do ano passado e, para o consumidor, pode significar bons descontos nos produtos.

No Alecrim e outros pontos do comércio de rua o movimento foi tranquilo para os comerciantesO superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal, Adelmo Freire, disse que o crescimento de 12% esperado para dezembro de 2009, no comércio, também engloba as vendas para o Reveillon, mas que a véspera da “virada” costuma ser mais desacelerada. Ele estimou que o aquecimento do comércio continue, no entanto, na esteira das promoções de início de ano. “Além disso, a cidade foi “invadida” por turistas e isso se reflete diretamente no setor”.

Ontem, os supermercados estavam entre os únicos que comemoravam o movimento. Segundo o economista e diretor da Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), Eugênio Medeiros, as vésperas de Natal e de Reveillon têm concentrado, nos últimos anos, algo em torno de 10% das vendas do setor no mês de dezembro. “É nesse período que o movimento do setor realmente cresce”, avaliou ele. Na lista de compras do consumidor, estavam principalmente carnes e bebidas. Alimentos e bebidas também aqueceram as vendas do Magazzino Vinhos e Cozinha. “Achamos que chegaremos a 10% de crescimento, considerando as vendas de produtos como tábuas de frios, pães especiais, panetones e bebidas”, estimou o proprietário da empresa, Marcelo Chianca. De acordo com ele, vinhos chilenos e argentinos, que se destacam pela relação custo-benefício, estavam entre os mais procurados.

Numa loja de lingeries, onde peças são vendidas a partir de R$ 1, o desempenho atingido no mês não provocava tanto otimismo. “As vendas foram fraquíssimas. Em 2008 chegamos a crescer 50% e 2009 devemos fechar com queda de 25%”, calculou a vendedora, Ninha Graciane. O fato de a loja não aceitar cartão de crédito, segundo ela, pode ter ajudado a frear as vendas. Em outra loja, desta vez de roupas femininas e moda praia, a expectativa era fechar o mês com queda ou com resultados semelhantes aos de 2008. “O desempenho foi muito ruim”, disse. Em outro estabelecimento, do mesmo ramo, a  expectativa era crescer 30%, de acordo com a gerente, Alina Beatriz. “Preços e atendimento contribuíram para isso”, afirmou ela, pela manhã.

A expectativa no Shopping 10, um dos pontos mais movimentos do Alecrim, era receber entre 12 mil e 15 mil consumidores, o mesmo fluxo de dias normais. Na véspera de Natal, esse número foi praticamente o triplo, diz a coordenadora administrativa do empreendimento, Vanessa Nazário Barnabé. “O problema na véspera do ano novo é que as pessoas  já estão viajando ou se programando para isso. Feriados prolongados costumam atrapalhar as vendas”, comentou ela ontem.

As vendas de fogos de artifício, que normalmente aquecem após o dia 25, caminharam em marcha lenta até a quarta-feira. “Só hoje (ontem) percebemos melhora no movimento”, disse o gerente da loja Bazar São Paulo, especializada nesse tipo de produto, Washington Reis.

A perspectiva era encerrar o último mês do ano com queda de aproximadamente 10%, em relação a 2008. O motivo: a crise financeira que atingiu principalmente as pequenas prefeituras.   “Elas representam 50% de nossas vendas no período, mas enfrentaram dificuldades em 2009”, explicou ainda o gerente.