Transtorno de adaptação e ajustamento

Publicação: 2015-08-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Paulo Borba

Não já ouviu dizer “eu não preciso de tratamento, eu já sei do meu problema” referindo-se a reconhecer o fator que lhe está preocupando ou fazendo-o sofrer e justificando que assim não há medico nem psicólogo que vá resolver seu “problema’. Desta forma, pessoas que estão passando por situações consideradas potencialmente estressoras como separação conjugal, desemprego, crises financeiras, perda de entes queridos, mudanças de cidade, assédios, violência entre tantos outros estão passando pelo que chamamos momento de adaptação ou ajuste de vida.

A princípio você vive uma situação real, ou seja, de causa conhecida, em que você deveria reagir naturalmente e com o tempo sucumbir qualquer tipo de sofrimento. No entanto, dependendo de cada personalidade, aquele fator estressor vai se tornar um fator de sofrimento maior ou não. Isso não se mede. Um fator estressor para uma pessoa pode não ter a mesma interpretação e significação para outra. E o fator não precisa ser necessariamente de caráter grave, mas com certeza foi marcante e impactante na vida daquela pessoa. Com isso, falamos então da vulnerabilidade de cada um.

Quando nos submetemos a uma situação estressora, espera-se que desenvolvamos mecanismos adaptativos eficazes para o enfrentamento. Se o indivíduo responde com comportamento inadequado frente aquele estresse e causa um sofrimento emocional significativo que impacta no seu funcionamento diário, então estamos diante de um transtorno de adaptação ou de ajustamento.

Este transtorno é um estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos que entravam comumente o desempenho e funcionamento sociais. O fator estressor pode afetar a integridade do indivíduo, o seu suporte social ou representar um momento de vida ou uma crise de desenvolvimento que necessite de algum tipo de intervenção. 

O interessante é que estes fatores estressores são aparentemente rotineiros como nascimento de um filho, o fracasso de um objetivo ou de um negócio, aposentadoria entre outros. Isso atrapalha a aceitação de que esta situação cotidiana acarretou um adoecimento, já que a sociedade cobra que você tenha a habilidade de enfrentar e contornar.

Diante do transtorno de adaptação a pessoa parece estar desenvolvendo um transtorno de ansiedade ou depressão, apresentando humor ansioso ou depressivo, inquietação, irritabilidade, insônia, alterações do apetite e sentimento de incapacidade para enfrentar o dia-a-dia, para fazer projetos ou continuar os projetos atuais. Esse prejuízo do desempenho é que acende o alerta de que algo não está se adaptando dentro do normal esperado. É hora de ajuda profissional. Portanto, mesmo que a pessoa tenha adoecido por um fator estressor reconhecido não significa que ela não precise tratar. Se o quadro do transtorno de adaptação persistir pode se tornar uma depressão maior ou outro transtorno mental. Portanto, o momento de tratar ainda quando transtorno de adaptação é atitude de prevenção ao desenvolvimento de um comprometimento maior.

Costumo dizer aos meus pacientes que de fato não conseguirei resolver os problemas que estão passando mas oferecerei a capacidade física e mental para eles próprios conseguirem atingir este objetivo. Essa é a grande diferença: reconhecer e aceitar a necessidade da ajuda profissional para, ao recuperar seu estado emocional, você mesmo encontrar as soluções e alternativas de enfrentamento e superação.

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