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TRANSVERSAL
Publicado: 00:00:00 - 01/05/2022 Atualizado: 15:22:22 - 30/04/2022
Dácio Galvão
Mestre em Literatura Comparada, doutor em Literatura e Memória Cultural/UFRN e secretário de Cultura de Natal

O aporte estético do arquiteto, escultor e ex-aluno da Bauhaus, Max Bill (1908-1994) para a arte concreta como desdobramento da abstração artística modernista foi imenso. As intervenções na evolução da arte contemporânea no Brasil se materializaram. Pela exposição que fez no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp, e quando da premiação da sua escultura Unidade Tripartida na Primeira Bienal de Arte Moderna de São Paulo. Ambas, no ano de 1951. 

Bill fora reitor da Hochschule für Gestaltung (Escola Superior da Forma) herdeira da Bauhaus (1919-1933: Weimar, Dessau, Berlin).  Seu poeta-secretário Eugen Gomringer autor de (“Constelações”), travou contato direto na Suíça com o escritor Décio Pignatari. Convergência de primeira ordem: a estrutura da poética de Mallarmé. Por extensão, estava selada a criação e a articulação do movimento internacional da poesia concreta. Não da arte! Os companheiros de luta, Augusto e Haroldo de Campos estavam igualmente dentro dessa perspectiva.

O crítico trotskista Mário Pedrosa no contexto das discussões de 1950, onde o debate da arte concretista estava no front, foi decisivo para fazer valer o novo, a ruptura. Promovia conferências, produzia ensaios e artigos estimulando absorções de demandas. Foi ele um dos primeiros a reconhecer “a máquina cinética” do natalense Abraham Palatnik. Na verdade, o Aparelho Cinecromático havia sido rejeitado pelo júri de seleção nacional da Primeira Bienal de São Paulo. Contrariando as expectativas mais tradicionais, o Aparelho Cinecromático faturaria o reconhecimento do júri internacional. Foi considerado “uma importante manifestação de arte moderna” como registrou o crítico paraibano Antonio Bento de Araújo Lima - que viveu infância e adolescência no Engenho Bom Jardim, no município de Goianinha, RN- em artigo publicado no Diário Carioca. Do alto da sua inconteste autoridade Mário Pedrosa reverberava: “Abraham Palatnik, representará no grande certame internacional a ponta extrema do movimento moderno. Ele faz parte da vanguarda dos pioneiros da luz direta, como meio plástico de expressão”.

Na entrevista concedida originalmente a revista ‘Diálogo’, 1957, publicada no Manifesto da Poesia Concreta, Haroldo de Campos revela o interesse de Augusto de Campos, em 1955, em interligar possibilidades de experimentos cromáticos de seus poemas às experiências cinéticas de Palatnik. No poema, Lygia Fingers, de 1953, já considerava a possibilidade de utilizar luminosos ou ‘filmletras’. Nesse sentido chegou a escrever carta para Palatnik. Estava projetando seu livro ‘poetamenos’.

Parte da história evolutiva das artes é possível acontecer numa urdidura de acontecimentos não programados. Sem a alquimia dos algoritmos. Mas parecendo até. E as Bienais? Na primeira tivemos as presenças de Volpi, Burle Max, Portinari, Di Cavalcanti, Fernand Léger, Flávio de Carvalho, Krajcberg, Iberê Camargo, Ivan Serpa, Le Corbusier, Picasso, Poty Lazzarotto, René Magritte, Waldemar Cordeiro.... Outros tempos. Outras palavras.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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