Trata Brasil aponta 27,31% dos potiguares com acesso a esgotamento sanitário

Publicação: 2020-11-29 00:00:00
O Rio Grande do Norte tem 34,79% de sua população com serviço de esgotamento sanitário nas cidades onde a Caern atua. A companhia atende 152 municípios do Estado, ou seja, se incluir os municípios onde empresa não está presente, o percentual cai para 27,31%. Em 2014, esse percentual estava em 21,7%, ou seja, a média de cobertura subiu cerca de 1% a cada ano.

Sendo assim, dos 167 municípios potiguares, apenas 42 dispõem do serviço oferecido pela Caern e, dentre esses, 19 têm menos de 50% de atendimento. Os dados se referem ao ano de 2019. “Toda rede implantada e que é colocada em operação coleta esgoto para tratamento em uma das estações de tratamento do sistema. A Caern não destina uma gota sequer de esgoto não tratado no meio ambiente”, garantiu o diretor-presidente da companhia, Roberto Linhares.

A situação do Rio Grande do Norte não se difere do que foi constatado pelo novo estudo “Desafios dos estados quanto aos investimentos em saneamento básico a partir do Novo Marco Legal”, do Instituto Trata Brasil com GO Associados. O relatório foi divulgado nesta última semana, apontando as necessidades de investimentos até 2033, conforme o novo Marco.

Foram usados dados de investimento e atendimento de água e esgoto do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), meta de investimento do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) e do diagnóstico realizado pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON-KPMG) em 2019.

O estudo indicou que aproximadamente 35 milhões de brasileiros vivem em locais sem abastecimento de água potável, mesmo em meio à pandemia de covid-19. Além disso, quase metade da população brasileira não dispõe de coleta de esgoto e, do total do esgoto gerado no país, apenas 46% é tratado, o que significa que o Brasil despeja mais de 5.700 piscinas olímpicas de esgotos sem tratamento na natureza diariamente.

A região Nordeste, que representa 27,22% da população brasileira, foi responsável por 18,72% dos investimentos em abastecimento de água entre 2014 e 2018 e 23,7% considerando-se apenas o ano de 2018. Em relação ao tratamento de esgoto, o Nordeste respondeu por 14,14% dos investimentos do país entre 2014 e 2018 e 16,97% dos investimentos em 2018. Os investimentos totais em saneamento da região representam 16,57% do Brasil entre 2014 e 2018 e 18,21%, no ano de 2018.

A região Sudeste aparece em situação melhor totalizando mais da metade dos investimentos do país, tanto no ano de 2018 (52,91%) quanto no período (55,37%). Já a região Norte ficou abaixo do Nordeste, apresentando os piores índices de cobertura dos serviços e a menor participação relativa nos investimentos, sendo 3,70% do total do país no setor nos últimos cinco anos e 4,19%, considerando-se apenas o último ano.

O Trata Brasil identificou alguns fatores que ajudam a explicar como o país chegou a números tão ruins, que se repetem nos estados. Entre estes, o descaso das autoridades, crescimento desordenado e sem planejamento das cidades, falta de cobrança da população e fragilidade de muitas das empresas operadoras.




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