'Trilhas Potiguares' terá edição inédita em Moçambique

Publicação: 2017-10-22 00:00:00
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Doze estudantes e dois coordenadores cruzam os nove mil quilômetros que separam o Brasil de Moçambique para aterrissar com o Trilhas Potiguares no continente africano. A expedição é inédita no âmbito das mais de duas décadas de criação do Programa e será responsável por planejar e executar atividades compostas por mini-cursos, oficinas e palestras na cidade de Maxixe, local de uma das unidades da Universidade Pedagógica da Maxixe, parceira da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Com alunos de jornalismo, administração, odontologia, educação física, enfermagem, ciências biológicas, pedagogia, artes e teatro, escolhidos em edital, a primeira edição do projeto "Trilhas Internacional Brasil/África" será uma oportunidade para que alunos como Luan Thallyson Dantas de Assis, estudante do quarto período de enfermagem, desenvolva intervenções de acordo com as demandas levantadas pela equipe de Moçambique durante as videoconferências preparatórias.

Utilizando o exemplo do plano de ação, Luan destacou que a forma de didática, do ensino, as crenças e até mesmo o modelo político do país africano influenciam as proposições que formam o plano. Ele citou educação ambiental, epidemiologia e malária como temas que receberão exposições especiais. Não por acaso.

Segundo o Banco Mundial, a malária é a causa de morte mais comum em Moçambique, sendo responsável por 35% da mortalidade infantil e 29% da população em geral. O índice de progresso social no acesso a melhores fontes de água e saneamento classifica Moçambique na 128ª e 119ª posições, respectivamente, num total de 135 países. Na realidade, Moçambique possui um dos mais baixos níveis de consumo de água em todo o mundo, apesar de dispor de uma grande variedade de recursos hídricos. Cerca de 70% da sua população de 28 milhões de pessoas vive e trabalha em áreas rurais, justamente espaços onde as equipes realizarão intervenções. As condições, portanto, são propícias à incidência de epidemias. Segundo o estudante de enfermagem, a ideia é apresentar novas maneiras de prevenção.

Em ebulição, saberes populares e científicos serão assimilados pelos integrantes da equipe, a partir de contatos com a população moçambicana e com os alunos da universidade. Autoreferindo-se como alguém que “nunca saiu das fronteiras do Nordeste”, Ayrthon Weslley Vitorino de Medeiros, estudante do décimo semestre do curso de ciências biológicas, pretende assimilar esses saberes.

As atividades do grupo nas comunidades acontecem entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, embora a expedição termine apenas no dia 3 de novembro, momento em que os integrantes do grupo participam da Conferência Internacional sobre Personalismo, promovida pela Universidade Pedagógica de Moçambique.