'Triplex era de Lula', diz Léo Pinheiro

Publicação: 2017-04-21 00:00:00 | Comentários: 0
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São Paulo (AE) - O executivo José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, afirmou que o apartamento triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, pertencia ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O imóvel, segundo acusa o Ministério Público Federal, foi repassado ao petista como forma de propina por contratos com a Petrobras. “O apartamento era do (ex-) presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop (cooperativa habitacional dos bancários, ligada ao PT) já foi me dito que era do Lula e sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, afirmou Pinheiro em depoimento ao juiz Sérgio Moro. A OAS assumiu a construção do imóvel em 2010, após a cooperativa entrar em processo de falência.

Leo Pinheiro afirma que o imóvel era do ex-presidente
Leo Pinheiro afirma que o imóvel era do ex-presidente

Pinheiro e Lula são réus em ação penal na 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. A denúncia sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio - de um valor total de R$ 87 milhões - da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. Parte do valor, segundo os investigadores, foi repassada por meio do apartamento A defesa de Lula nega que a propriedade seja do ex-presidente.

Em seu depoimento, Pinheiro disse ter sido procurado em 2009 pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, então presidente da Bancoop, que pediu a ele que adquirisse o empreendimento no litoral de São Paulo com o objetivo de ajudar financeiramente a cooperativa. Apesar da falta de interesse comercial no empreendimento, ainda em construção, Vaccari teria orientado a compra por envolver um imóvel de Lula. O negócio foi referendado posteriormente pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Leo Pinheiro disse ainda que manteve o triplex no nome da OAS a pedido de Okamotto e de Vaccari e que chegou a procurar os petistas em 2010, quando foi publicada reportagem sobre o apartamento. Na ocasião, disse, foi orientado a deixar como estava.

Provas
O empresário José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, sócio da OAS, também que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu para ele destruir evidências sobre propina que a empreiteira pagou ao Partido dos Trabalhadores.

“Se tiver, destrua!”, foi a ordem de Lula, segundo o ex-presidente da construtora investigada na Operação Lava Jato.

As conversas, segundo ele, ocorreram em reuniões no Instituto Lula, em São Paulo, ao longo de 2014, ano em que a Lava Jato foi deflagrada.

“São vários encontros onde o presidente, textualmente, me fez a seguinte pergunta - até notei que ele estava um pouquinho irritado: ‘Léo, você fez algum pagamento ao João Vaccari no exterior? Eu disse: ‘Não, presidente, eu nunca fiz pagamento dessas contas que temos com Vaccari no exterior’.”

Resposta da defesa
Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, afirmou:
"Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel.

A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo - não presenciado por ninguém - no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência.

A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa.

Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente.

Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos."


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