Trump afirma que pode agir sozinho, se não houver acordo

Publicação: 2020-08-05 00:00:00
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São Paulo (AE) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está "totalmente envolvido" nas negociações entre republicanos e democratas em torno do próximo pacote fiscal para mitigar os efeitos da crise no país. Ao ser questionado sobre os impasses entre os dois partidos, o líder da Casa Branca respondeu que, caso não haja um consenso, ele agirá sozinho. "Eu tenho muitos poderes quando se trata de decretos", disse, em uma reunião com trabalhadores do setor de tecnologia.

Créditos: Jawel SamadDonald Trump defende que o novo “pacote” seja aprovado nos próximos dias no Congresso Donald Trump defende que o novo “pacote” seja aprovado nos próximos dias no Congresso


O principal ponto de discordância entre os partidos é sobre a extensão dos benefícios de auxílio-desemprego que expiraram em 31 de julho. Os republicanos querem reduzir o valor para US$ 200 por semana e os democratas defendem a manutenção do montante atual, de US$ 600 por semana, além de um período maior. O partido de Trump propôs um total US$ 1 trilhão para o projeto, mas a oposição quer um valor mais próximo de US$ 3,5 trilhões. 

Ontem, assessor de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro afirmou que o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, negocia com a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, a extensão do programa de auxílio financeiro a trabalhadores que tenham perdido o emprego em meio à crise do coronavírus. De acordo com o assessor, o presidente Donald Trump deseja que o novo pacote fiscal seja aprovado nos próximos dias.

A extensão do programa no país, que expirou na última sexta-feira, é esperada pelo mercado e considerada como essencial para o apoio à economia local, golpeada pela crise do coronavírus. Há, no entanto, um impasse entre governo e oposição. Enquanto Mnuchin defende a redução do repasse para US$ 200 por semana, os democratas não abrem mão de manter o auxílio em US$ 600 por semana, condição que vigorava até o fim de julho. Em entrevista à Fox News nesta manhã, Navarro mostrou-se otimista com a recuperação econômica nos Estados Unidos, mas ponderou sobre o ritmo do processo. "Estamos retomando a atividade econômica, mas é um longo caminho", afirmou à emissora americana.

O assessor comercial aproveitou a entrevista para fazer novas críticas à China. Ele reforçou a posição da Casa Branca de que a rede social chinesa Tik Tok é uma ameaça à segurança e à privacidade dos EUA, e disse ter "questões" quanto à possível compra da plataforma pela Microsoft, possibilidade levantada no fim de semana, por entender que algumas operações seguiriam no território chinês. "Sei que o aplicativo é divertido, mas é perigoso", declarou à Fox News.

O governo americano ameaça banir o Tik Tok dos EUA, rede social muito popular entre os jovens, como dito na semana passada pelo secretário de Estado, Mike Pompeo.