Trump ameaça retaliar Brasil por causa dos impostos sobre o etanol

Publicação: 2020-08-12 00:00:00
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Washington (AE) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na segunda-feira, 10, que pode impor tarifas a produtos brasileiros - sem especificar quais - se o governo de Jair Bolsonaro não reduzir as tarifas impostas pelo Brasil ao etanol importado dos EUA. "No que diz respeito ao Brasil, se eles impõem tarifas, nós temos de ter uma equalização de tarifas. Vamos apresentar algo sobre tarifas e justiça, porque muitos países têm nos cobrado tarifas e nós não cobramos deles. É chamado reciprocidade. Você pode esperar algo sobre isso muito em breve", disse Trump.


Créditos: Arquivo/TNTrump disse que "não discutiu muito" o tema, mas "provavelmente em algum momento" o faráTrump disse que "não discutiu muito" o tema, mas "provavelmente em algum momento" o fará


Ele foi questionado pela reportagem da emissora GloboNews se havia pedido ao embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, para fazer a articulação com o governo brasileiro para reduzir as tarifas impostas ao etanol.

O norte-americano disse que "não discutiu muito" o tema, mas "provavelmente em algum momento" fará isso. "Não queremos as pessoas impondo tarifa a nós, embora eu tenha uma relação muito boa com o presidente Bolsonaro. Ele está indo bem, ele se recuperou da covid-19, o que é ótimo, eu envio minhas saudações."

Atualmente, há isenção para importação de até 750 milhões de litros de etanol dos EUA por ano, mas a partir daí a tarifa é de 20%. A cota já foi flexibilizada, mas a Embaixada dos EUA no Brasil tem feito apelos ao governo para derrubar as tarifas.

Chapman tem sido pressionado por parlamentares democratas americanos a respeito do tema, já que a mudança na cota do etanol pode ser explorada politicamente por Trump com os agricultores americanos do Meio-Oeste, base do eleitorado republicano.

Em uma manifestação após críticas de deputados democratas, o embaixador informou que em nenhum momento solicitou a autoridades brasileiras que tomassem medidas em apoio a Trump.

"Como diplomata de carreira, tive o prazer de servir ao governo dos EUA sob as administrações de ambos os partidos políticos", afirmou o embaixador.

O etanol americano é produzido do milho, cuja produção já é mais barata que o brasileiro, feito da cana-de-açúcar, e ainda recebe subsídios. A pandemia reduziu a demanda e, consequentemente, os preços de gasolina e etanol.

O Brasil importou 810,92 milhões litros de etanol dos EUA neste ano. Os números vêm caindo desde 2017, quando as importações atingiram a marca de 1,8 bilhão.

A produção média de etanol nos EUA atingiu a marca de 931 mil barris por dia no início de julho. No ano passado, houve queda de 14% nas exportações de etanol ante 2018, a primeira desde 2015.

Presidente associa vice de Biden à 'esquerda radical'
Pouco após o ex-vice-presidente Joe Biden anunciar que sua companheira de chapa na corrida pela Casa Branca será Kamala Harris, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou em sua conta no Twitter um vídeo que acusa a senadora democrata pela Califórnia de ser integrante da "esquerda radical". O vídeo ainda qualifica Biden como "lento" e ela como "falsa" e diz que a dupla levaria o país a uma radicalização.

No breve vídeo, o narrador diz que Kamala Harris foi pré-candidata à presidência caminhando para a "esquerda radical" e apoiaria o plano do senador Bernie Sanders por "medicina socializada", além de defender "trilhões em novos impostos" e atacar as "políticas racistas de Joe Biden". Segundo o narrador, os eleitores rejeitaram a senadora, considerando-a "falsa", mas Biden "não é tão esperto".

O vídeo diz que Biden seria um "candidato de transição" e entregaria o controle das coisas para Kamala Harris, com a dupla caminhando para a "esquerda radical". "Joe lento e a falsa Kamala, perfeitos juntos. Errado para a América", conclui o narrador.