Trump revida e impõe tarifa de até 30% contra a China

Publicação: 2019-08-24 09:27:00 | Comentários: 0
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpriu a promessa feita ontem pela manhã e voltou a elevar as tarifas de produtos da China em resposta à imposição de taxas maiores anunciadas por Pequim sobre cerca de US$ 75 bilhões em produtos americanos. "Nós não precisamos da China e, honestamente, ficaremos melhor sem ela", disse Trump antes do anúncio pelo Twitter.

Presidente Donald Trump foi criticado por não se posicionar de maneira contundente contra atos
O presidente dos EUA revidou contra a China impondo tarifa de até 30%

O presidente americano afirmou que elevará de 25% para 30% as tarifas sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses a partir de 1.º de outubro. Além disso, os US$ 300 bilhões restantes em produtos da China, que seriam tarifados em 10% a partir de 1.º de setembro, sofrerão agora tarifa maior, de 15%.

Em suas mensagens, Trump voltou a criticar o fato de a China supostamente "levar vantagem" sobre os EUA há vários anos no comércio, na propriedade intelectual e em outras áreas. Para ele as tarifas anunciadas por Pequim foram "motivadas politicamente".

O Escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) dos EUA confirmou, em breve comunicado, as elevações de tarifas e disse que publicará "o mais rápido possível" detalhes adicionais. A nota diz que a China anunciou "tarifas injustificadas" contra produtos dos EUA, o que levou Trump a instruir o USTR a elevar em 5 pontos porcentuais as tarifas sobre um total de cerca de US$ 550 bilhões em importações da China.

Com o acirramento da disputa entre os dois países, as bolsas globais registraram quedas acentuadas. Os sinais negativos para o comércio global se sobrepuseram a afirmações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, de que a instituição continuará a agir para apoiar o crescimento econômico no país.

A China anunciou tarifas em retaliação aos EUA com alíquotas entre 5% e 10% sobre mais US$ 75 bilhões em bens americanos. Segundo comunicado do Conselho de Estado, as tarifas serão implementadas em dois lotes - em 1.º de setembro e 15 de dezembro. O documento diz ainda que a medida é uma resposta ao anúncio do governo americano de que iria impor tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em bens chineses, feito no início de agosto. A ação é "uma medida forçada para lidar com o unilateralismo e o protecionismo comercial dos EUA", disse o Conselho de Estado. "A cooperação é a única escolha correta, e uma situação ganha-ganha pode levar a um futuro melhor", acrescenta o texto.

Crescimento
Uma escalada das disputas comerciais entre os dois países é ruim para o PIB mundial e para os EUA, disse ao Estadão/Broadcast, plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado, Gus Faucher, economista-chefe do banco PNC. "A escalada dessas disputas deve manter a volatilidade nos mercados financeiros na próxima semana." Para ele, com a deterioração do contencioso comercial, não deve ocorrer logo um acordo entre EUA e China. Como a piora da imposição mútua de tarifas entre os dois países deve elevar a desaceleração da economia global, fator observado de perto pelo Fed, ele pondera que este também será um elemento importante que deve colaborar para que o BC americano reduza os juros em setembro e dezembro.

Mas o diretor do Conselho de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, disse que as negociações comerciais entre EUA e China vão continuar mesmo após Pequim anunciar tarifas retaliatórias.

Trump não perdeu a oportunidade para mais uma vez criticar o presidente do Fed, Jerome Powell. Ainda no Twitter, pela manhã, disse que, "como de costume", o Fed não "fez nada". "É incrível como eles (em referência aos dirigentes da instituição) falam sem perguntar o que será anunciado por mim em breve", afirmou o líder da Casa Branca. Além disso, o republicano afirmou que os EUA têm um "dólar forte e um Fed fraco" e questionou se o maior inimigo dos americanos é Powell ou o presidente da China, Xi Jinping.

As declarações vêm após a divulgação do discurso de Powell no simpósio de Jackson Hole, no qual afirma, entre outras coisas, que a autoridade monetária agirá de forma apropriada para sustentar a expansão americana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo







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