Trump sugere adiar eleições e aponta risco de fraudes

Publicação: 2020-07-31 00:00:00
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WASHINGTON - Pressionado pelo mau desempenho nas pesquisas eleitorais e com resultados econômicos ruins por causa da pandemia, o presidente Donald Trump defendeu ontem, pela primeira vez, o adiamento da eleição americana agendada para 3 de novembro. Ele criticou a ampliação do voto por correio na disputa deste ano e deu sinais de que não aceitaria uma eventual derrota.

Créditos: Alex BrandonTrump sugeriu que voto por correio pode fazer com que não se conheça o vencedor por "meses ou anos"Trump sugeriu que voto por correio pode fazer com que não se conheça o vencedor por "meses ou anos"


Trump sugeriu que o voto por correio pode fazer com que não se conheça o vencedor por "semanas, meses ou até anos".

"Quero ter o resultado da eleição. Não quero esperar por três meses e descobrir que há cédulas faltando", disse Trump. Pela manhã, no Twitter, o presidente afirmou que a votação será a "mais imprecisa e fraudulenta da história". "Será uma grande vergonha para os EUA. Adiar as eleições até que as pessoas possam votar de maneira adequada, segura e protegida???", escreveu o presidente.

O tuíte veio pouco depois de o Departamento de Comércio anunciar uma queda recorde, de 32,9%, no Produto Interno Bruto (PIB), no segundo trimestre deste ano - a maior desde a Grande Depressão, em 1929.

A proposta teve forte reação contrária de parlamentares, incluindo republicanos. Horas mais tarde, ao responder a perguntas de jornalistas na Casa Branca, ele disse que não gostaria de mudar a data, mas continuou a desacreditar o processo eleitoral e sugerir que há fraude no uso de voto por correio. O movimento foi um passo adiante na estratégia do presidente de tirar a credibilidade do processo eleitoral, conforme perde espaço para o democrata Joe Biden na disputa pela Casa Branca.

Trump não teria autoridade para determinar o adiamento das eleições, pois a Constituição americana estabelece que cabe ao Congresso decidir o calendário eleitoral e a definição da data foi estabelecida em lei federal de 1845. Para que houvesse alteração, seria necessário chegar a um acordo bipartidário nas duas casas legislativas - Câmara, de maioria democrata, e o Senado, com mais republicanos.

Nenhum dos dois partidos, porém, abraçou a sugestão. Parlamentares rechaçaram a possibilidade de mudança imediatamente após o tuíte de Trump.