Tudo ‘junto e misturado’ nos mesmos problemas

Publicação: 2016-10-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Aura Mazda
Repórter

Os limites que separam a Natal das cidades vizinhas tornaram-se “invisíveis” de Norte a Sul. Quem trafega pelas divisas de São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Parnamirim e Extremoz, não diferencia um território de outro, mas sente cotidianamente os efeitos da falta de integração entre os municípios. O processo de conurbação na Região Metropolitana de Natal (RMN), vivenciado desde a década de 70, fez com que os limites entre os municípios ficassem cada vez mais difíceis de definir. Em alguns casos, é preciso consultar as linhas imaginárias que cruzam os mapas geográficos para saber qual município estamos.
Adriano AbreuCidades da região metropolitana sofrem com a falta de planejamento em áreas como mobilidadeCidades da região metropolitana sofrem com a falta de planejamento em áreas como mobilidade

A falta de um planejamento integrado entre os municípios que compõem a região acaba gerando problemas para os munícipes, além disso, deixa dúvidas com relação ao futuro dos investimentos necessários no local.  A lei que criou a RMN também fixou a fundação do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, no entanto, desde maio deste ano não há nenhuma reunião do órgão que é presidido pelo Governo do Estado. O secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, Renato Cunha Lima, disse que as atividades serão retomadas somente em 2017.

Do ponto de vendas onde trabalha a comerciante Rubenize Almeida, 44 anos, não é possível distinguir a “olho nu” os limites entre Natal e São Gonçalo do Amarente. O que divide as duas cidades é a avenida Tomaz Landim. Segundo a moradora, o maior problema da “junção” das cidades é a carência de serviços básicos. “Os atropelamentos aqui são diários, porque não existe uma passarela em uma avenida que tem um fluxo muito grande. Além disso, quando falta energia ou água aqui, não sabemos para quem reclamar”, reclamou a comerciante.

De acordo com Maria do Livramento Clementino, professora do Departamento de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coordenadora do Núcleo Natal do Observatório das Metrópoles, a aproximação entre os municípios acaba gerando conflitos, “principalmente para a população no que diz respeito aos serviços urbanos, como coleta de lixo e transporte, por exemplo. Para o cidadão metropolitano, a questão precisa ser resolvida”, explica. Segundo Maria do Livramento, caso não sejam criadas políticas públicas de integração, o futuro das cidades conurbadas e principalmente para a população que mora nas divisas entre os municípios, é o “caos”.

A TRIBUNA DO NORTE percorreu  alguns bairros de , Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Macaíba que fazem divisa com Natal. Estas cidades, aliás, são as primeiras incluídas na RMN.  O Código de Endereçamento Postal (CEP) é do município menor, mas é em Natal onde as compras são realizadas, o médico é procurado e até mesmo o voto é computado.

Segundo Livramento, o programa Minha Casa Minha Vida acelerou a conurbação entre Parnamirim e São José de Mipibu, e o aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, está estreitando os limites entre São Gonçalo do Amarante e Parnamirim. “A expansão imobiliária saiu do litoral se interiorizou. Com a crise, as construtoras acessaram os recursos do MCMV e possibilitou os novos contornos territoriais”, disse a professora.

A gestão compartilhada de recursos e serviços entre os municípios da Região Metropolitana de Natal é uma das prerrogativas do Plano de Desenvolvimento Sustentável da RMN. Entretanto, 10 anos após a entrega, quase nenhuma mudança foi sentida pela população. As limitações de cada município alimentam a dependência dos serviços com relação à capital.

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