TURISMO NÁUTICO – SURGIU UMA VELINHA NO HORIZONTE

Publicação: 2011-09-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Nelson Mattos Filho - Velejador - avoante1@gmail.com

Vou pedir desculpas a vocês para dar uma breve pausa nos textos sobre a velejada que fizemos no veleiro Itusca até Trinidad e Tobago. Hoje era para estar publicada aqui a segunda parte da viagem, mas vou escrever um pouco sobre um assunto que há muito venho falando e que foi tema de um simpósio da Fecomércio/RN: Turismo Náutico.

O turismo náutico, em veleiros ou grandes iates, vem crescendo em muitas milhas por hora em todo o mundo. Ele tem gerado empregos e trazido divisas as cidades que teve a felicidade de contar com gestores públicos voltados para os interesses coletivos, bem estar da população e o olhar vidrado nas velinhas brancas que navegam no horizonte azul do mar.  Os EUA lideram o ranking náutico com 17 milhões de embarcações nativas e também está no topo da lista na hora de reverter em dólares os efeitos conseguidos com o turismo náutico, segundo dados divulgados pelo presidente do Instituto Grael, o velejador Axel Grael. 

A França, de onde zarpam a maioria dos velejadores que circundam o mundo, existem 4 milhões de cruzeiristas e 9 milhões de praticantes do esporte a vela. É uma verdadeira flotilha cruzando os mares do mundo e espalhando empregos e renda por onde passa. Certa vez, conversando com um amigo sobre os números da flotilha cruzeirista que procuram o Brasil, como destino, fiquei surpreso quando ele falou que cada barco estrangeiro no Brasil gasta em média diariamente 150 Euros e que somente os franceses respondiam por 60% de toda essa flotilha.

Até já escrevi sobre isso em outras oportunidades, mas assistindo as palestras de Axel Grael e do coordenador geral de serviços turísticos do Ministério do Turismo, Sr. Ricardo Moesch, percebi o quanto esses números eram verdadeiros e que o Rio Grande do Norte está deixando esse barco passar ao largo.  

O Rio Grande do Norte tem grande potencial para figurar entre os primeiros colocados no ranking Brasil de destinos náuticos, mas infelizmente picuinhas ideológicas, recheadas de egos inflados transformam ventos favoráveis em terríveis furacões. Até uma marina, que traria novos rumos para a cidade do Natal, é motivo de brigas e quedas de braços raivosos que não levam a lugar nenhum.

Se a marina não pode ser construída ao lado do Forte dos Reis Magos, lugar dos mais indicados e que já serviu de fundeadouro para as embarcações dos nossos descobridores e invasores, vamos indicar outro lugar mais apropriado. Mas proibir, usando como base apenas um discurso ecológico, passa do exagero. Não deveríamos estar discutindo apenas uma marina, deveríamos estar lutando e construindo várias delas.

O Rio Grande do Norte precisa deixar de dar atenção as pendengas políticas e abrir os olhos para sua vocação de Estado forte, litorâneo e rico em belezas naturais. Precisamos de um plano de desenvolvimento e sustentabilidade, como foi a proposta do simpósio, sem ter medo de ser feliz. Estamos perdendo espaço até para vizinha Paraíba, com um litoral infinitamente menor do que o nosso, e que hoje briga de igual para igual com os lanceiros de ponta dos maracatus pernambucanos.

Temos belos recantos litorâneos que sobram em qualidade e beleza para a construção de boas marinas. Praias paradisíacas como Barra do Cunhaú e Tibau do Sul, com rios navegáveis e perfeitos para bons ancoradouros. Bastando apenas um simples esforço de balizamento da entrada da barra e uma breve dragagem do canal. Nada que uns míseros trocados de Reais não resolva.

Até a Praia de Galinhos, um excelente porto seguro e que conta com balizamento realizado pela Petrobrás, não consegue fazer com que a luz do seu farol atraia velejadores de cruzeiro. Navegando de volta a capital potiguar, não me canso de olhar para a praia de Ponta Negra, e seu morro cantado em prosa e verso, sem visualizar em sonhos vários veleirinhos ancorados ao largo ou disputando vaga em uma bela marina pública.  “No mundo todo, os governos usam a aproximação das pessoas com o mar para gerar uma maior consciência ecológica” Com essas palavras o ecologista atuante e velejador de berço Axel Grael atiçou a platéia formada de autoridades, empresários, estudantes, técnicos e profissionais de várias áreas de atuação.

No Brasil se faz exatamente o contrário, pois a ordem é dificultar ao máximo esse contato, basta ver as aberrantes proibições impostas a quem desejar fazer uma despreocupada velejada ao redor da Ilha de Fernando de Noronha, ou mesmo ancorar em alguma de suas praias. Basta olhar para a pilha de pedidos para implantação de marinas que estão trancados nas gavetas de burocratas que nunca colocaram os pés na areia de uma praia.

Simpósios como o organizado pela Fecomércio/RN precisam se proliferar. Somente assim o Brasil voltará a ser descoberto. 


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