Turismo, realizações e potencial a ser resgatado

Publicação: 2020-08-06 00:00:00
Garibaldi Filho 
Ex-senador 

Fui surpreendido, agradavelmente, por comentários feitos no programa de rádio de Bruno Giovani, na semana passada, com relação às ações do nosso governo no setor do turismo. O apresentador, ao falar das dificuldades enfrentadas atualmente pelo segmento, foi enfático em ressaltar o grande desenvolvimento alcançado na gestão do turismo durante os oito anos da nossa administração, o que levou o publicitário e jornalista João Maria e o professor Walter Fonseca, ex-reitor da Uern, a corroborarem com aquela avaliação. 

Devo a Ivanaldo Bezerra, que foi secretário de Turismo na época, a visão que prevaleceu e impulsionou atividade em meados dos anos noventa até o início dos anos 2000. Com programas e obras públicas voltadas a esse objetivo, foi possível atrair empreendimentos turísticos ao Estado, vindos dos mais diversos recantos do país e do exterior. Os projetos voltados à essa atividade passaram a ser uma prioridade, uma vez que o governo reconheceu o protagonismo que as empresas do setor têm na criação de emprego e renda. Tive a percepção de que caberia ao Poder Público desenvolver a infraestrutura e a capacitação técnica que colaborasse com a expansão do setor. Além disso, o governo buscou a parceria com o “trade turístico” para  a divulgação das nossas atrações e belezas nos grandes polos emissores de fluxo no país e no exterior. 

Foi assim que na infraestrutura houve a implantação e consolidação do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), que possibilitou a construção e melhoria de estradas, ligando as principais praias do RN, inclusive Pipa, Maxaranguape e Touros. A continuação da BR-101, no trecho Natal/Touros, de 80 km de extensão, em parceria com o Governo Federal, levou novas atividades econômicas e progresso ao Litoral Norte, destacando o turismo como o grande impulsionador de uma vasta região, antes quase desprovida de acesso rodoviário.  

A sinalização turística foi criada ou revitalizada. Os serviços de buggy foram regulamentados e os passeios pelas dunas passaram a ser feitos com veículos padronizados e condutores treinados e credenciados. Com o policiamento especializado, que teve atuação ostensiva nos principais atrativos urbanos ou de praias, onde os policiais orientavam e transmitiam segurança, houve tranquilidade para visitantes, empresários, trabalhadores e a população local. 

A Operação Verão, que ampliou o policiamento em praias e áreas próximas do litoral nos meses que caracterizam este período do ano com maior fluxo, foi se transformando gradualmente em um verdadeiro movimento popular e de cidadania, no qual famílias inteiras se mobilizavam nos seus finais de semana para a melhoria nestas áreas, inclusive com mutirões de coleta de lixo. Partia-se do princípio de que “o turista gosta do que o povo gosta”, despertando nos nossos habitantes o sentimento de hospitalidade e o aprendizado de “melhor receber”.

Uma das realizações mais emblemáticas para o nosso turismo, foi a implantação de um novo terminal de passageiros no Aeroporto, na época em Parnamirim, em parceria com o Governo Federal, o que possibilitou ao Estado receber 2.200.000 passageiros por ano. 

Na capacitação dos recursos humanos, foram realizados, pela SETUR, inúmeros cursos de formação e reciclagem profissional em diversas áreas de profissionais que atuam no setor, destacando-se a criação e funcionamento, em parceria com o SEBRAE, do Hotel Escola Barreira Roxa, que oferece até hoje — agora patrocinado e dirigido pela SENAC — cursos de formação e reciclagem. 

Na divulgação e promoção dos principais atrativos turísticos, sempre em parceria  com o empresariado, participamos de todas as principais feiras e eventos especializados, no Brasil e na Europa. Essa parceria saudável e frutífera dos empresários com o Governo era reconhecida e elogiada pelos concorrentes e até por órgãos oficiais como o Ministério do Turismo e a Embratur e rendeu grandes frutos econômicos e financeiros ao Estado. Da inexistência completa de voos internacionais para Natal, a TAP chegou a fazer até seis por semana, em voos regulares diretos Lisboa/Natal, recebendo turistas de todos os principais países europeus. Os voos foram captados com muita dedicação, entusiasmo e profissionalismo, pelos parceiros empresários/governo, partindo de inúmeros países, entre eles, Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Inglaterra. Natal contou com mais de 20 voos fretados por ano, causando inveja e admiração a muitos outros estados do Nordeste. 

Com esse conjunto de ações e programas, foi possível impulsionar um setor que é mundialmente reconhecido por sua capacidade de gerar emprego e de incentivar a criatividade empreendedora. O potencial do turismo em Natal e no interior — por nossas belezas naturais, receptividade e diversidade cultural — é inegável e precisa ser resgatado, principalmente agora que cada potencialidade e vocação potiguar não podem ser desperdiçadas para que o Rio Grande do Norte consiga enfrentar as dificuldades econômicas que já estavam acentuadas e se agravaram com as implicações da pandemia.

Por isso, governos federal, estadual e municipais, aliados à iniciativa privada,  devem se unir em uma verdadeira “força-tarefa” para enfrentar a crise que se instalou no turismo do RN e, assim, termos a recuperação do setor.



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