TV Brasil presta tributo à cantora Beth Carvalho

Publicação: 2019-05-03 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Em homenagem à madrinha do samba, Beth Carvalho, que faleceu na última terça-feira, dia 30 de abril, aos 72 anos, no Rio de Janeiro, a TV Brasil reexibe a edição especial do programa Samba na Gamboa, apresentado por Diogo Nogueira, que a cantora gravou em 19 de julho do ano passado com o grupo Fundo de Quintal.

Diogo Nogueira recebe Beth Carvalho: Emissora pública resgata participação da diva no programa Samba na Gamboa ano passado
Diogo Nogueira recebe Beth Carvalho: Emissora pública resgata participação da diva no programa Samba na Gamboa ano passado

Na ocasião, a diva e o tradicional conjunto celebraram os 40 anos do marcante álbum "De Pé no Chão" (1978). Os convidados lembraram como aquela geração formada à sombra da tamarineira do Cacique de Ramos revolucionou as rodas de samba do país.

Entre uma história e outra, os bambas entoaram sucessos do gênero. No repertório, os artistas cantaram clássicos como "O show tem que continuar", "Água na boca", "Coisinha do pai", "Vou Festejar", "Goiabada cascão", "Agoniza mas não morre", "Água de chuva no mar", "Ô Isaura" e "Chinelo novo".

Em 50 anos de trajetória artística, com mais de trinta álbuns lançados, a dama do samba descobriu talentos do gênero. Beth Carvalho era considera a madrinha de personalidades como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Jorge Aragão. Referência para diversas gerações, ela foi foi um dos maiores nomes da história do samba.

A cantora e compositora construiu uma carreira sólida com reconhecimento internacional. A sambista conquistou prêmios no país e no exterior com destaque para o Grammy Latino pelo conjunto da obra em 2009 e pelo disco "Nosso Samba Tá na Rua" em 2012.

Identificada com a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro, a sambista não escondia essa sua paixão pela Verde-e-Rosa além do amor pelo seu time de futebol do coração, o Botafogo.

Internada desde o dia 8 de janeiro, no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, Beth Carvalho faleceu por causa de uma infecção generalizada no final da tarde da última terça-feira, dia 30 de abril. A artista faria 73 anos neste domingo, dia 5 de maio.

O tributo pode ser acompanhado sob demanda no aplicativo EBC Play, disponível para Android e iOS, e também por meio do endereço play.ebc.com.br. O conteúdo exclusivo da TV Brasil ainda está na página da atração no site da emissora.

Novidades do samba com o disco "De Pé no Chão"
 Além de revelar ao Brasil a musicalidade do grupo Fundo de Quintal e da geração do Cacique, o disco "De Pé no Chão" ainda ficou famoso por marcar um encontro de gerações. Beth garimpou composições de um time de gênios lendários da MPB. A saudosa artista uniu astros como Candeia, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulo da Portela às mais fervilhantes inovações das rodas de samba.

Produzido pelo maestro Rildo Hora e lançado em 1978, "De Pé no Chão" é considerado por todos como o disco que mudou o som do samba. Mais do que o repertório com 12 faixas, um dos maiores diferenciais do álbum é a nova linguagem. O disco retira do centro o ritmo marcado por surdo, pandeiro e tamborim e inclui a dinâmica adotado pelo Fundo de Quintal, com repique de mão, tantã e o banjo de Almir Guineto.

 Naquele projeto, Beth revelou ao País uma nova safra de compositores e músicos. Também introduziu em seus discos instrumentos como o banjo com afinação de cavaquinho, o tan-tan e o repique de mão, inovações criadas pelos músicos do Fundo de Quintal. O Brasil inteiro aplaudiu e Beth passou a ser chamada madrinha do samba, lançando ao estrelato grandes nomes como Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz.

Musicalidade e referências de Beth Carvalho
Apaixonada por música, Beth Carvalho cresceu ouvindo as canções de Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, Sílvio Caldas, amigos de seu pai. Influenciada pela bossa nova, tornou-se cantora nos anos 1960, época em que a juventude se reunia nas festinhas e reuniões musicais na Zona Sul.

Beth foi muito além. Após o pai ser cassado pelo regime militar, a cantora passou a dar aulas de violão. Em 1965, gravou o primeiro compacto "Por quem morreu de amor", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Participou de festivais da canção e do show "A hora e a vez do samba", com Nelson Sargento e Noca da Portela.

Militante fiel dos movimentos sociais e causas políticas, Beth expandiu suas fronteiras e soube garimpar o ouro que havia do outro lado da cidade, nas reuniões musicais do Cacique de Ramos.

Já consagrada como cantora, com sucessos como "Andança" e discos bem-sucedidos, Beth se emocionou com a musicalidade que brotava nos pagodes à sombra da Tamarineira do Cacique de Ramos.

Fundo de Quintal fez história no samba
O grupo Fundo de Quintal comemora muitos feitos hoje em sua história: são 33 CDs, 15 discos de ouro, 5 DVDs. Vencedor do Grammy Latino em 2015 na categoria melhor álbum de samba, o conjunto tem 4 discos de platina e por aí vai a carreira premiada dos sambistas que revolucionaram o samba.

O Fundo de Quintal introduziu novos instrumentos e lançou artistas do quilate de Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Sombrinha. O grupo é marcado pela inconfundível batida do tantã, do repique de mão e do pandeiro.










continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários