TV e cinema em revista

Publicação: 2020-08-05 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

A imagem com o televisor e o pistoleiro que está na foto rodeada de capas de revistas é a minha memória mais remota dos primeiros contatos com a televisão, na primeira metade dos anos 1960 quando eu morava na estreita rua Padre Calazans, na Cidade Alta. Eu vi o Durango Kid na TV Tupi durante uma visita que minha mãe fez a uma das vizinhas. Foi um momento mágico em que eu desejei ansiosamente que a conversa entre as amigas nunca acabasse.

É a imagem do seriado criado em 1945 nos EUA e que chegou na TV de Assis Chateaubriand no começo da década de sessenta. A primeira chamada da Tupi para a série dizia “A Screen Gems apresenta, Durango Kid, o mais famoso herói do faroeste agora na TV, interpretado por Charles Starret, o notável astro cowboy. Participação especial de Smiley Burnette. Hoje e todas as semanas neste mesmo dia, nesta emissora. Durango Kid, símbolo de coragem e justiça”.

Aquele dia inesquecível marcaria minha infância e estabeleceria minha assídua relação com a televisão e os personagens de bang bang, que logo depois eu descobriria presentes nas revistas em quadrinhos que meu irmão comprava.

Numa mercearia da rua Santo Antônio, meu mano pegava seus pistoleiros preferidos, Kid Colt, Rocky Lane, Zorro, Rex Allen, Roy Rogers, Bill Kid e o próprio Durango Kid que me encantara na televisão daquela vizinha de mamãe.

Quando saímos do Centro e fomos para Santos Reis, conheci os personagens superpoderosos da editora Ebal, começando com Superman, como já narrei tantas vezes. Depois, nas Quintas do Cinema São José, voltaram os cowboys.

Era um costume da época a troca e venda de revistas em quadrinhos nas calçadas dos cinemas, e o pequeninho cinema ao lado do mercado também reunia muitos jovens e adultos negociando títulos antes e depois das sessões.

Nos EUA, os cowboys saltaram da TV para as revistas em quadrinhos, repetindo a tendência também no Brasil a partir de 1939 com a estreia do Gibi, da Rio Gráfica Editora. O nome do personagem estreante era Bronco Piler.

Em 1948, a RGE passou a publicar uma legião de pistoleiros, como Hopalong Cassidy, Bob Benson, Rei da Polícia Montada, Máscara Vermelha, Cavaleiro Fantasma, e aumentou a quantidade deles com as edições a partir de 1951.

Aí vieram Flecha Ligeira (o melhor desenhista foi o potiguar Evaldo Oliveira), Cavaleiro Negro, Buffalo Bill, Don Chicote, Nevada, Rocky Lane, Red Ryder e Texas Kid. Muitos desses já não existiam na calçada do Cinema São José.

Ali, no saudoso “purguinha” das Quintas, eu comecei a juntar as inumeráveis revistinhas de faroeste que até hoje congestionam o arremedo de biblioteca que mantenho em casa. Mas a primeira foi um presente que pedi ao meu pai.

A edição colorida do Zorro número 1, de 1970, encabeça a coleção que foi enriquecendo com a aquisição de outros cowboys, como Gunsmoke, Cisco Kid, Cavaleiro Negro, Paladino, Cheyenne, Bonanza, Rin Tin Tin, Black Diamond...

E ainda Ringo (em fotonovela), Buck Jones, Jerônimo, Wyatt Earp, Os Pioneiros, Bat Masterson, Tim Relâmpago, Jesse James, O Homem do Rifle, Johnny Mac Brown e os preferidos Zorro, Cavaleiro Negro e Roy Rogers.

Nestes três últimos estão o maior volume acumulado desde aqueles anos entre a infância e a adolescência. Quando lancei o livro “De Mocinhos e Super-Heróis”, em 2009, fiz na verdade um culto aos quadrinhos, ao cinema e à TV.

Créditos: Divulgação


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