UFRN e IFRN vão cumprir cotas

Publicação: 2012-08-09 00:00:00
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte  (UFRN) e o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do RN (IFRN) não terão dificuldades para se adequarem ao projeto de lei que prevê que 50% das vagas em universidades e escolas técnicas federais sejam reservadas a quem cursou o ensino médio integralmente em escolas públicas.  As duas instituições já trabalham com o sistema de cotas sociais.
Dados da Comperve mostram que 40,3 por cento dos matriculados este ano na UFRN vieram da rede pública
De acordo com dados da Comissão Permanente de Vestibular da UFRN,  no último processo seletivo 3.265 alunos da rede privada realizaram a matrícula na instituição contra  2.502  da rede pública. O que representa que 40,3% dos alunos matriculados na UFRN no Vestibular 2012 são oriundos de escolas públicas.

No IFRN, o porcentual  chega a ser superior aos 50% determinados pelo projeto de lei. Segundo o coordenador de acesso aos discente em exercício do IFRN, Victor Varela, dos cerca de 25 mil alunos matriculados uma média de 70% é oriundo da rede pública de ensino.

As instituições terão um pouco mais de dificuldade para se adaptar a questão das cotas raciais isso porque o projeto de lei prevê que estudantes autodeclarados negros, pardos e indígenas terão cotas proporcionais ao número desse grupo de pessoas que vivem no Estado onde está localizada a universidade, com base em dados do mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não importando a renda per capita do aluno – mas a exigência de terem cursado integralmente em escolas públicas permanece.

“Dentro da universidade ainda não há uma opinião comum com relação às cotas raciais. Essa é uma questão que precisa ser discutida no Conselho para definir  esse ponto, que acredito não fará tanta diferença no nosso Estado, que segundo o IBGE temos apenas 5% da população negra diferentemente de Salvador, por exemplo, que tem o percentual maior”, explicou a reitora da UFRN, Ângela Paiva.

Outro ponto que, para a reitora da UFRN,precisa ser analisado é a validade da lei. Como o processo seletivo deste ano já está em andamento, o ideal seria que as modificações valessem para o próximo anos.

A representante do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), Cláudia Santa Rosa, vê com cautela a implantação das cotas sociais. Segundo ela essa é uma política compensatória que deve começar já com data certa para terminar.

“Sou a favor da escola básica de qualidade. O país não pode andar para sempre de bengala. Entendo que no momento é preciso, mas é necessário dar ensino de qualidade a toda a população seja branco, negro, rico ou pobre”, disse Santa Rosa.

Perda de autonomia preocupa

São Paulo (AE) - A quebra da autonomia universitária é a principal crítica de reitores após a aprovação pelo Senado ontem do projeto de lei que prevê que 50% das vagas em universidade federais sejam reservadas para quem cursou o ensino médio integralmente em escolas públicas. Representante dos reitores, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) posiciona-se contra o projeto desde que a tramitação começou na Câmara. "Quase todos os reitores são a favor de políticas afirmativas, mas as ações devem ser estabelecidas a partir da autonomia, respeitando a especificidade de cada região", afirma o presidente da Andifes, Carlos Maneschy.

O texto vai ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff  até 15 dias e passará a valer assim que for publicado. As universidades federais terão até quatro anos para se adaptar às novas regras.

Reitor da Federal do Pará (UFPA), Maneschy ressalta que a uniformidade não é uma boa saída. "Aqui no Pará, definimos cota de 50% para escola pública. Mas nós que decidimos e tenho certeza de que essa fórmula não pode ser aplicada em todas".

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