UFRN instala novos sismógrafos

Publicação: 2010-01-13 00:00:00 | Comentários: 1
A+ A-
Os dois sismólogos do Departamento de Geofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que estudam as causas e os efeitos das atividades sísmicas ocorridas num intervalo de 72 horas, na região do Mato Grande, já escolheram o primeiro dos dois locais onde serão instalados os equipamentos, que vão auxiliar na identificação do epicentro dos tremores de terra ocorridos no sábado e segunda-feira, dias 9 e 12: o sítio Curral Velho, em Poço Branco.

Os dois sismógrafos - um digital e outro analógico - serão instalados no sítio Curral Velho, município de Poço Branco. Eles vão dimensionar a magnitude de futuros abalosMas, no final da tarde de ontem, o vice-coordenador do  Laboratório de Sismologia, Aderson Farias do Nascimento, confirmou que a magnitude registrada pelo terremoto de anteontem alcançou 4,2 na Escala Richter, com base no cruzamento de dados das estações sismológicas de Riachuelo e Pau dos Ferros (RN) e Senharó (PE).

O coordenador do Laboratório de Sismologia, Joaquim Mendes Ferreira, deve ir hoje de manhã a área onde se registraram os terremotos, ocasionados por uma falha geológica na crosta terrestre, acompanhados de pelo menos três técnicos para instalar dois sismógrafos, um digital e outro analógico, que registrarão a magnitude dos eventuais abalos que possam ocorrer, de novo, na região do Mato Grande.

O Aderson Farias do Nascimento, informou, ontem à tarde, que o segundo local para a instalação da outra estação sismológica temporária será escolhido hoje. “Nós temos operadores na área, treinados desde a época dos tremores de 1986”, disse ele, que completou: “É só trocar os tambores e o filme do sismógrafo analógico”. Com relação ao sismógrafo digital, o operador apenas vistoria contra eventual dano.

Aderson Nascimento disse que o Departamento de Geofísica trabalha com a hipótese de que os  terremotos foram causados pela falha tectônica de Poço Branco, onde ocorreram abalos sísmicos simultaneamente aos ocasionados pela falha geológica de Samambaia, em João Câmara: “Mas tem possibilidade de existir uma terceira falha”. Ele estima que o fenômeno natural ocorrido no Mato Grande, devido a acomodação de placas tectônicas a dez quilômetros de profundidade.

Até o começo da tarde de ontem, os sismógrafos do Departamento de Geofísica ainda trabalhavam na coleta de dados de outras estações sismológicas de Pernambuco para cruzar com os dados obtidos das estações sismológicas de Riachuelo, Pau dos Ferros e Senharó (PE), a fim de situar o epicentro – o local exato do tremor de terra. “Quanto mais dados melhor para se tirar uma média do epicentro”, destacou Nascimento, que pretende, com isso, “apenas confirmar” o índice 4,2 divulgado ontem.

Escala Mercalli

A escala de Richter não permite avaliar a intensidade sísmica em um local determinado e em particular em zonas urbanas. Para tal, utilizam-se escalas de intensidade, tais como a escala de Mercalli , criada em 1902 pelo sismólogo italiano Giusseppe Mercalli.

Essa escala, ao contrário da escala de Richter não se baseia em registros sismográficos e sim nos efeitos ou danos produzidos nas estruturas e percebido pelas pessoas nas imediações do abalo. Para um mesmo sismo, a intensidade pode ser diferente em diversas localidades reportadas.

A escala de Mercalli tem uma importância apenas qualitativa e não deve ser interpretada em termos absolutos, uma vez que depende de observação humana. Por exemplo, um sismo com 8 na escala de Richter num deserto inabitado é classificado como 1 na escala de Mercalli, enquanto que um sismo de menor magnitude sísmica, por exemplo 5, numa zona onde as construções são débeis e pouco preparadas para resistir a terramotos pode causar efeitos devastadores e ser classificado com intensidade IX.

Efeitos percebidos na Escala Mercalli

1- Nenhum movimento é percebido 

2 - Algumas pessoas podem sentir o movimento se elas estão em repouso e/ou em andares elevados de edifícios 

3- Diversas pessoas sentem um movimento leve no interior de prédios. Os objetos suspensos se mexem. No exterior, no entanto, nada se sente 

4 - No interior de prédios, a maior parte das pessoas sentem o movimento. Os objetos suspensos se mexem, e também as janelas, pratos, armação de portas 

5 - A maior parte das pessoas sente o movimento. As pessoas adormecidas se acordam. As portas fazem barulho, os pratos se quebram, os quadros se mexem, os objetos pequenos se deslocam, as árvores oscilam, os líquidos podem transbordar de recipientes abertos 

6 - Todo mundo sente o terremoto. As pessoas caminham com dificuldade, os objetos e quadros caem, o revestimento dos muros pode rachar, árvores e os arbustos são sacudidos. Danos leves podem acontecer em imóveis mal construídos, mas nehum dano estrutural 

7 - As pessoas têm dificuldade de se manter em pé, os condutores sentem seus carros sacudirem, alguns prédios podem desmoronar. Tijolos podem se desprender dos imóveis. Os danos são moderados em prédios bem construídos, mas podem ser importantes no resto 

8 - Os condutores têm dificuldade em dirigir, casas com fundações fracas tremem, grandes estruturas, como chaminés e prédios podem se torcer e quebrar. Prédios bem construídos sofrem danos leves, contrariamente aos outros, que sofrem severos danos. Os galhos das árvores se quebram, colinas podem ter fissuras se a terra está úmida e o nível d’água nos poços artesianos pode se modificar

9 - Todos os prédios sofrem grandes danos. As casas sem alicerces se deslocam. Algumas canalizações subterrânes se quebram, a terra se fissura 

10 - A maior parte dos prédios e suas fundações são destruídos, assim como algumas pontes. As barragens são significativamente danificadas. A água é desviada de seu leito, largas fissuras aparecem no solo, os trilhos das ferrovias entortam

11- Grande parte das construções desabam, as pontes e as canalizações subterrâneas são destruídas 

12 - Quase tudo é destruído. O solo ondula. Rochas podem se deslocar

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários

  • osiresmatheus

    Agora, se acontecerem novos abalos ficará mais fácil de definir a magnitude. A UFRN deveria tornar permanente estes novos pontos de observação, pois nunca se sabe quando haverá novos abalos.