UFRN terá 50 por cento de vagas no Enem

Publicação: 2012-04-18 00:00:00 | Comentários: 6
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O vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está com os dias contados. Em reunião realizada na tarde de ontem, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da UFRN confirmou a adoção do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), através das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para o preenchimento de 50% das vagas oferecidas pela universidade em 2013 (com provas realizadas este ano). Além disso, também foi definida a extinção do vestibular no próximo ano, com 100% das cadeiras de 2014 sendo preenchidas através do SiSU. A medida, de acordo com a reitora da UFRN, Ângela Paiva Cruz, visa democratizar a entrada de alunos na instituição.

Criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica, o Enem passou a também ser utilizado pelas universidades públicas do país como forma para o ingresso de novos estudantes. A seleção é feita pelo SiSU com base na nota obtida pelo candidato no Enem, no qual os candidatos podem, através do site específico, consultar as vagas disponíveis e os cursos nas instituições que participam do programa. A UFRN, no entanto, foi uma das últimas instituições de ensino superior a adotar o exame como forma de entrada para novos alunos. Somente no processo seletivo de  2010 que a instituição abriu vagas em cinco cursos, para 2011, através do SiSU. Em 2012, o número de cursos subiu para 11, o equivalente a 6% do total de alunos da universidade. Com a decisão tomada pelo Consepe, 50% das vagas para o próximo ano já serão destinadas através do SiSU.

De acordo com o pró-reitor de Graduação da UFRN, Alexandre Menezes, só haverá vestibular para a entrada de alunos no primeiro semestre, com a divisão das vagas entre os candidatos que optarem pelo SiSU e pelo vestibular. Os cursos que tiverem entrada somente no segundo semestre terão todas as vagas preenchidas através do SiSU, com as notas do Enem. “Nesse ano, tiveram cursos 100% com vagas do SiSU, outros com dois terços, outros com 20% e outros com 10%. Mas, agora, os cursos que já tinham 100% das vagas para o SiSU continuam, os que tiverem entrada no segundo semestre serão 100% através do SiSU e os demais terão as vagas divididas (50%)”, explicou Alexandre Menezes.

Para o preenchimento de vagas em 2014, em que os candidatos participam da disputa por vagas em 2013, não haverá mais o vestibular. A UFRN definiu que 100% das vagas serão preenchidas através da Seleção Unificada. Para o pró-reitor de Graduação, a medida fará com que o Rio Grande do Norte não seja o “foco” para alunos de outros estados que vêm ao estado prestar vestibular devido às mudanças na forma de seleção em outras localidades no Nordeste.

Apesar das mudanças, a UFRN definiu que continuará utilizando o argumento de inclusão para os alunos oriundos da rede pública de Educação. Assim como ocorria no vestibular convencional, com o acréscimo de 10% na nota final, haverá o mesmo benefício aos candidatos da rede pública de ensino. “A única diferença é que a comprovação será feita somente no cadastramento, e não já no momento da inscrição. Ninguém sairá prejudicado com a mudança”, garantiu Alexandre Menezes.

Professores de cursinhos criticam a medida

Os professores dos cursinhos de Natal não aprovam a mudança na forma de seleção para novos alunos da UFRN. A crítica principal é relacionada à dificuldade que os alunos terão para se preparar para provas, onde os pesos das disciplinas do Enem são diferentes no vestibular, onde há a divisão por área. Ao contrário do que pensa o pró-reitor de Graduação da UFRN, Alexandre Menezes, os professores de cursinhos preparatórios temem uma “invasão” de alunos de fora do Rio Grande do Norte.

A notícia de que haveria a mudança na forma de ingresso na UFRN já era de conhecimento dos professores de Natal. Porém, a forma como ficou decidida a mudança deixou insatisfeitos alunos e professores. Os docentes esperavam que a mudança deixasse a seleção da UFRN como a utilizada em Pernambuco, onde o Enem é utilizado para a primeira fase e o vestibular na segunda fase. Para Carlos André, haverá dificuldades para os alunos potiguares, principalmente neste ano, com a divisão das vagas. “A forma de se preparar para um vestibular e para o Enem é completamente diferente. No Enem, as disciplinas que têm maior peso são Redação, Matemática, Química e Física, mas quem vai estudar para Medicina, por exemplo, precisa estudar mais biologia no vestibular da UFRN. O aluno de Medicina, então, fica entre a cruz e a espada”, avalia.

Na opinião do professor, corre o risco de acontecer na UFRN algo parecido com o que ocorreu em Campina Grande (PB) e em Rio Branco (AC), onde quase todos os candidatos aprovados foram de outros estados. Apesar de ponderar que o nível dos estudantes de Natal é melhor que o das duas cidades, Carlos André acredita que os potiguares serão prejudicados. “Quem estiver em Porto Alegre pode se candidatar aqui sem sair de casa, por exemplo. Apesar do nível dos alunos ser bom, vai haver uma divisão natural. Vai ser a menor aprovação de alunos do estado em Medicina da história”, acredita o professor.

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Comentários

  • rodolfomario

    Não devemos nos preocupar com a forma de acesso a UFRN, e sim, com a qualidade do ensino. Os donos de cursinho que deixaram de ser os herois da segunda fase realmente devem reclamar ... e muito. Como professor de cursinho não vejo problema para o aluno que busca os cursos de concorrencia moderada. Apenas os alunos de cursos nacionalmente concorridos - medicina, direito- e elitizados devem se preocupar e exigirem que seus falsos herois leiam os PCN'S e sejam mais didaticos e menos politicos

  • fabiobaggio

    Infelizmente, alguns comentários aqui mostram a mentalidade provinciana. O que tem de errado pessoas de outros estados passarem do vestibular daqui? são brasileiros como nós. Conheço vários potiguares que estudam em universidade públicas de outros estados, e nem por isso a população de lá, tem esse pensamento tacanho. Aos que pensam desta forma, revejam seus conceitos.

  • ceza_neto

    Tem que ter alguma outra opção para conseguir melhorar o ensino dos alunos na escola. Seria bom ter o ENEM como uma opção agora, não como uma obrigação, nós não estamos adaptado a esse lixo que é o ENEM, só vai nos prejudicar, estudar não adianta quando não há adaptação, é igual um jogador de futebol acostumado a jogar aque e derrepente sair pra jogar na Altitude, vocês sabem como é a dificuldade, será Maior ou igual a que nós teremos, isso é injusto com as pessoas que estão estudando !

  • robertotavares

    Essa adoção ao ENEM representa somente uma necessidade política, de obter verbas do Governo Federal, sem nenhuma perspectiva no âmbito de investimento no Setor Público de Ensino. Nenhum deles estão preocupados com as diferenças regionais, locais e até mesmo, com as diferenças grau de ensino-aprendizagem das escolas. As provas do ENEM (avaliação pelo SISU)já se mostraram que as melhores notas alcançadas são de alunos do SUDESTE e SUL. Além disso, mostra também que os alunos das Escolas Técnicas Federais e Instituições de Ensino Particular (com altas mensalidades) alcançam as melhores notas.

  • marcosasbarbosa

    Acho justo que as classes populares tenham acesso à universidade, que sempre foi elitista e, portanto, beneficiado os que já são bem aquinhoados na sociedade. É preciso pensar o que é qualidade de ensino: manter uma educação fundamentada numa ideologia burguesa ou em princípios democráticos e progressistas? A segunda opção é mais humana e solidária. Se o Brasil pretende se tornar uma potência, não pode continuar excluindo os menos favorecidos de direitos básicos, sobretudo da edcuação. Para os conterrâneos não serem prejudicados, basta limitar o número de vagas para alunos de outros estados da federação.

  • richard_araujo78

    eu acho é bom, vestibular não mede conteudo algum, é da lei de que quem tem mais grana pra investir em cursinho passa, já o ENEM apesar de todos os problemas, precisa de um maior desenvolvimento critico do aluno, conhecimento geral do dia-a-dia,interpretação e conteudo minimo das matérias, esse acordo veio em boa hora, até porquê, ou a UFRN anda na linha do gov.federal, ou tem verba cortada.