UFRN vai investigar incidente

Publicação: 2018-03-10 00:00:00 | Comentários: 0
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A Universidade Federal do Rio Grande do Norte vai instaurar processo administrativo para apurar os fatos relacionados ao incidente envolvendo o professor Alípio de Sousa Filho e uma aluna que foi à aula no início da semana levando a filha de 5 anos de idade e que teria sido proibida de frequentar a disciplina enquanto não encontrasse um local para deixar a criança. A decisão foi tomada depois que um grupo de estudantes do Curso de Ciências Sociais protocolou pedido nesse sentido na Secretaria do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).

Professor Alípio de Sousa desmente expulsão de aluna de sala de aula e comenta pedido protocolado por estudantes da UFRN
Professor Alípio de Sousa desmente expulsão de aluna de sala de aula e comenta pedido protocolado por estudantes da UFRN

Em carta aberta divulgada na quinta-feira, o professor desmentiu a versão de que ele teria expulsado a aluna de sala de aula. Disse que abordou o assunto depois da aula, orientando a estudante a não mais trazer a filha. “Não há como se falar de “expulsão”, tratando-se de assunto que não foi abordado no início da sessão, mas no seu final, e tendo a aluna e mais apenas três colegas saído da sala, em seguida não terem tido a palavra franqueada por mim, pois não torno minha sala de aula lugar do assembleísmo populista no qual estudantes pretendem decidir sobre todas as coisas em formato de votação, plebiscito, até mesmo conteúdo de disciplina, e, pasmem, até mesmo o que pode um professor dizer em sala de aula. A saída de alguém de um recinto por desejo próprio, por insatisfação, não constitui expulsão! Temos aí uma mentira contada como verdade.”

O caso tomou grande proporção depois um áudio da conversa do professor com a aluna foi divulgado. Nas redes sociais, muitas pessoas criticaram a postura de Alípio. Um post da escritora Elika Takimoto, ilustrado pela foto de um professor israelense com o filho de uma aluna nos braços, enquanto a mãe fazia uma atividade em sala de aula teve mais de 2 mil compartilhamento. Vencedora do Prêmio Saraiva de Literatura e doutora em Filosofia,  Elika fez o seguinte comentário, com base no que publicou o portal G1: “Há dois tipos de professores: o que entende que a sala de aula deve ser um lugar que se ensinam coisas para além do conteúdo, e o que usa para ser mais um local de exclusão. Detalhe: o professor é de Ciências Sociais e falou para a mulher se virar já que só estuda quem tem condições para isso.”

Na carta aberta Alípio também critica quem defende o pleito da estudante de levar a filha para sala de aula porque não tem com que deixá-la: “Aqueles que estão defendendo a presença de crianças em sala de aula mostram-se estúpidos, ridículos, canalhas populistas. (….) Vamos ver como serão as aulas deles com 10 ou 20 ou 50 crianças em sala de aula e vamos ver se os demais estudantes, que não estarão de acordo com isso, admitirão o fato. Ora, será assunto para Ministério Público, Vara da Infância e Juventude e Judiciário! Mas somente nas Humanas da UFRN tal ideia aparece. Muito certamente professores dos centros que trabalham com equipamentos, máquinas, experimentos, líquidos, gases ou animais não deixarão crianças agirem ao bel prazer delas e de suas mães! Tô pagando para ver!”

À TRIBUNA DO NORTE, o professor reafirmou que aquele era o terceiro dia em que a estudante Waleska Silva levava a criança para a aula e que já havia dado orientações nesse sentido. "Na primeira vez não falei nada. Na segunda, abordei depois da aula e orientei que procurasse auxílio junto a UFRN, que existia uma Bolsa Creche. Ela respondeu que o valor era insuficiente. Enquanto professor, o que eu posso fazer? Depois disso, a estudante levou a criança mais uma vez e sentou no fundo da sala. Uma colega passou a aula brincando com a menina e não prestou atenção na aula. Foi então que decidi abordar o assunto. Não a expulsei, mas falei que ela deveria buscar uma solução, que não aceito que ela continue levando a criança nas próximas aulas".

No que diz respeito ao processo protocolado pelos estudantes, o docente afirmou que está amparado pela lei e conta com o apoio de bons advogados, mas não acredita que o caso seja levado adiante pela Reitoria. Para Alípio de Souza, a legislação da UFRN é clara quando fala sobre a autonomia dos professores. E cita, ainda em sua defesa, um ponto do regulamento que proíbe a presença de pessoas não matriculadas no curso em sala de aula. Sobre a divulgação dos áudios nas redes sociais, Alípio de Souza afirma: "Agradeço a quem fez isso. Sou orgulhoso das palavras que eu falei. Tudo que disse foi em defesa da Universidade e de sua autonomia".


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