Ulysses volta pra casa

Publicação: 2019-10-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
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O escritor irlandês James Joyce disse um dia que a história era um pesadelo de que ele tentava acordar. Quando escreveu aquele que seria seu principal livro e uma das mais icônicas obras literárias do século XX, perambulou em pesadelos de negativas até conseguir o sonho positivo de ver o romance Ulysses impresso, em solo francês, pela iniciativa de Sylvia Beach, a anfitriã da livraria Shakespeare and Company, dormitório da geração perdida, em Paris.

Ulysses foi editado pela livreira de Maryland em 1922, três anos após Sylvia abrir a loja na rua Dupuytren, e que logo se mudaria para a Rua do Odeon onde se tornaria quartel-general e campo de pouso de figuras com Ernest Hemingway, Ezra Pound, Gertrude Stein, Man Ray e Scott Fitzgerald, além do próprio Joyce que só ali na pequena livraria conseguiria ver sua obra impressa, após ser rejeitada em diversos países, inclusive na Inglaterra e nos EUA.
Foi só uns três anos após a edição do livro que Joyce conseguiu um mínimo de equilíbrio financeiro para sobreviver em Paris, conseguindo até pagar aluguel num apartamento na Avenue Charles Floquet, 8, perto da Torre Eiffel.

Uma série de problemas de saúde interferiria no desejo de partir para a Inglaterra, desde um dente infeccionado ao problema maior da perda de visão em um dos olhos. Como um poeta maldito, ele seguiu um tempo por Paris.

Há narrativas que revelam sua insatisfação com o clima parisiense daqueles anos loucos, que ele chegou a comparar com o purgatório. Naquela conjuntura, ele conseguiu iniciar os capítulos de outro livro, Finnegans Wake, o último.

Joyce nunca quis retornar ao país natal, ainda mais pelo complicador religioso que azedou sua relação com a Irlanda. Não se entendia com as autoridades da igreja católica irlandesa, daí ter perambulado em torno até morrer, em 1941.

Viveu em Zurique, na Suíça, e ali foi sepultado em janeiro de 1941, durante o auge da ocupação de Paris pelas forças militares de Hitler, e ciente do fechamento da Shakespeare and Company onde Sylvia Beach o acolheu.

Desde então, o cemitério Fluntern num distrito do centro financeiro mundial tem sido a morada eterna do escritor, enterrado ao lado da esposa e musa Nora Barnacle, que por ironia não gostou de Ulysses quando leu pela primeira vez.

Agora, quase 80 anos depois da sua morte, o Conselho da Cidade de Dublin, onde ele nasceu, emitiu uma moção ao governo suíço solicitando esforços para repatriar os restos mortais do casal. O assunto foi revelado pelo The Journal.

A Fundação Joyce, sediada na Suíça, já foi cientificada da intenção irlandesa, na verdade uma ideia de conselheiros trabalhistas, e não se manifestou ainda oficialmente. Mas a cidade de Zurique terá argumentos turísticos opostos.

O túmulo de James Joyce no cemitério Fluntern é um dos locais mais procurados por viajantes do mundo inteiro, principalmente da Europa e EUA. O mito de Ulysses e a trama de Orlando Bloom, o personagem, provocam isso.

Repatriar os restos mortais do escritor não é, de fato, um ato de refazer as relações da Irlanda com o filho famoso, posto que estas sempre foram difíceis e o próprio Joyce jamais demonstrou remorso ou mesmo alguma saudade.

O caso remete ao grande romance, uma inspiração do autor na viagem épica do herói grego da Odisséia de Homero. É como se num mesmo resto de pó, todos juntos, Odisseu, Joyce e Leopoldo estivessem, enfim, de volta ao lar.

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