Um ano repleto de livros e narrativas

Publicação: 2017-12-29 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Um ano bastante frutífero, assim foi 2017 para a Literatura Potiguar. Embora a distribuição ainda seja o principal obstáculo a ser superado dentro da cadeia do livro no Estado, as editoras e escritores não deixaram de lançar novos trabalhos nos mais diversos gêneros, tendo como principal momento de vendas os festivais e feiras de livros. De promissor, fica o Plano Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas em Natal (PMLLLB), cuja lei foi sancionada pelo prefeito no final de dezembro.

FLIN teve mais uma edição este ano, com presença de intelectuais de várias vertentes como Tom Zé e André Vallias
FLIN teve mais uma edição este ano, com presença de intelectuais de várias vertentes como Tom Zé e André Vallias

O Festival Literário de Natal reuniu mais uma vez no bairro da Ribeira dezenas de milhares pessoas em torno da literatura. Nomes como Zuenir Ventura, Marcelo Rubens Paiva André Dahmer e Jaguar estiveram presentes. Com outro formato, a Feira de Livros e Quadrinhos de Natal e a  Feira do Livro de Mossoró aqueceram as vendas por causa dos investimentos do Governo do Estado por meio do cheque-livro – R$ 1 milhão, sendo 40% desse valor apenas para aquisição de obras de autores locais. De baixa, o Festival Literário da Pipa passou em branco, enquanto o Festival Literário Alternativo da Pipa chegou a sua 8ª edição.

Dentro da gestão das editoras locais, algumas novidades. Elas estão investindo em autores com potencial de vendas, bancando todos os custos de produção, como é o caso da CJA Edições, que dos 38 títulos lançados no ano, 15 foram integralmente custeados pela editora. Firme e forte, a editora Sebo Vermelho chegou ao 500º título publicado em 2017. O livro escolhido pelo editor Abimael Silva para a ocasião foi a reedição de “Vocabulário do Criatório Norte-Rio-Grandense”, de Oswaldo Lamartine.

Das obras reeditadas, outra merece destaque: “Aves de Arribação – Lendas e Canções Sertanejas”, do poeta José Leão, de Santana do Matos. Originalmente publicada em 1877, a obra foi resgatada pelo professor e pesquisador Alexandre Alves e saiu pela editora Queima-Bucha. O livro de José Leão é o terceiro mais antigo registrado na Literatura Potiguar. Outro nome local do passado lembrado no ano foi o de Madalena Antunes (1880-1959). A autora de “Oiteiro – Memórias de uma Sinhá-Moça”, de 1958, foi citada pela revista Superinteressante como o nome mais representativo das letras potiguares de todos os tempos.

Dentre os autores atuais que ganharam holofote nacional, estão dois mossoroenses, ambos radicados em Brasília, João Almino e José Almeida Júnior. João Almino, além de tomar posse na Academia Brasileira de Letras, lançou seu sétimo romance, “Entre Facas, Algodão”. Já José Almeida Júnior faturou o Prêmio Sesc de Literatura com o romance “Última Hora”, publicada depois do prêmio pela editora Record. No ambiente virtual, o jornalista Edson Soares figurou entre os três finalistas do Prêmio Kindle de Literatura, promovido pela Amazon, com o livro “Os últimos passos do enforcado” - a obra ganhou versão impressa em dezembro, pela editora potiguar CJA.

A Academia Norte-rio-Grandense de Letras organizou acervo e reabriu sua biblioteca
A Academia Norte-rio-Grandense de Letras organizou acervo e reabriu sua biblioteca

Outros autores com lançamentos destacados são Mario Ivo, com “Sumidouro do Espelho”; Humberto Hermenegildo, recém-empossado na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, com o romance “Rastejo” e o livro de poemas “Argueirinha”; Regina Azevedo, com “Pirueta”; e Junior Dalberto, com os contos inéditos de “Blattodea”, e reimpressões de “Pipa voadora sobra brancas dunas” e “Cangaço e o carcará sanguinolento”.

Nomes de peso, como Diva Cunha, Clotilde Tavares e Racine Santos também mostraram trabalhos novos. Diva reuniu poemas inéditos em “Dádiva”; Clotilde foi de crônicas em “Notícias da existência do mundo”; e Racine, cada vez mais empenhado no romance de ficção, apresentou “Macaíba em Alvoroço”.

No campo da pesquisa, chamaram a atenção as obras de Constância Duarte e Jessé de Souza, que figuraram no Prêmio Jabuti deste ano. Professora aposentada da UFRN, e atualmente residente em Minas Gerais, Constância publicou a obra “Imprensa Feminina e Feminista no Brasil – século XIX”. Já Jessé de Souza, potiguar radicado em São Paulo, teve seu livro “A radiografia do golpe: Entenda como e por que você foi enganado" entre os três finalista na categoria Ciências Humanas. O potiguar ainda lançou no ano a obra “A elite do atraso: da escravidão à lava jato”.

Pesquisas que também ganharam impressão em livro foram “Ora (Direis) ouvir Cascudo”, do historiador Cláudio Galvão, sobre a faceta de musicólogo de Câmara Cascudo; e “Fabião das Queimadas - de vaqueiro a cantador", do paraibano Irani Medeiros. O jornalista Gustavo Sobral foi outro que levou mostrou pesquisas novas. Ele editou três livros - todos prontos para publicação impressa, faltando apenas alguma editora interessada: “Cinco Cronistas da Cidade”, “Augusto Severo Neto – Inéditos” e “O Boi Careta e a Morte do Cavalo Baio”, com inéditos de Newton Navarro.

Apesar de quase pronta, Biblioteca Estadual Câmara Cascudo não reabriu em 2017 como prometido
Apesar de quase pronta, Biblioteca Estadual Câmara Cascudo não reabriu em 2017 como prometido

Pelo interior e fora do RN
Tão restrita à capital, a literatura potiguar também ecoou pelo interior do Estado por meio de projetos como a Caravana dos Escritores Potiguares e a Casa das Palavras. Mas as letras locais também foram além. Em fevereiro, cerca de 30 escritores do RN desembarcaram em Cuba para representar o Brasil na 26ª Feira Internacional do Livro de Havana. Antes da viagem, a comitiva lançou a antologia “Literatura Brasilis – Colección Potiguar”, em edição bilíngue para o espanhol.

Cordel e Sarau
Em 2017 o cordel ganhou ainda mais espaço na cena literária de Natal. A cidade ganhou mais um lugar voltado para o gênero, a Estação do Cordel, na Praça João Maria, na Cidade Alta. O estabelecimento chegou pra somar no bairro, ao lado da Casa do Cordel, que completou dez anos. Cada um dos lugares promoveram diversas ações ao longo do ano, como a Semana do Cordel, e o 2º Circuito Natalense do Cordel. Ainda no campo da poesia popular, o poeta mirim Filipe Borges foi uma das revelações de 2017. Também destaque ao longo do ano, o Sarau Insurgências Poéticas se consolidou em 2017 como principal espaço de declamação da cidade.

Bibliotecas
Fechada para reforma, a Biblioteca Câmara Cascudo não abriu como prometida pela Fundação José Augusto. Seu acervo de mais de 200 mil títulos deve ficar para o começo de 2018. Enquanto a biblioteca estadual está fechada, duas antigas instituições culturais do RN trabalharam seus acervos de raridades. Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, já tem sua biblioteca aberta para o público, podendo ser visitada a partir de agendamento. Com as portas novamente abertas para a população desde junho, o Instituto Histórico e Geográfico do RN está em processo de limpeza e catalogação do seu precioso acervo bibliográfico, composto por mais de 50 mil títulos de vários séculos.

Dentro da área de compartilhamento de livros, o projeto Casa das Palavras teve continuidade, expandindo ainda mais seus pontos de troca pela capital e interior. Outras iniciativas foram muito bem recebidas na cidade, como a geladeira-biblioteca de Mirassol, instalada no bairro pelo vendedor de lanches Jair Alexandre da Silva. A leitura também foi incentivada na Penitenciária Estadual de Parnamirim, com a criação de uma biblioteca em parceria com a OAB. A ideia é que para cada livro lido, o preso tenha quatro dias de reduzidos de sua pena.


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