Um asilo muito louco

Publicação: 2019-08-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Diversão não tem idade – mesmo quando o corpo não é mais o mesmo e as limitações são evidentes. Essa é a premissa da comédia musical “Forever Young”, que vai animar o palco do Teatro Riachuelo neste domingo, às 20h. O espetáculo foi indicado aos maiores prêmios de teatro musical, como Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Reverência, e entre outros. A direção é do bailarino e ator Jarbas Homem de Mello. A peça transforma o melancólico ambiente de um asilo numa festa movida a clássicos do rock de todas as épocas, passando a mensagem de que a vida deve ser celebrada, não importa o estágio da vida.

Em “Forever Young” seis grandes atores, quase centenários, vivenciam uma rotina inusitada em asilo sob os cuidados de uma excêntrica enfermeira
Em “Forever Young” seis grandes atores, quase centenários, vivenciam uma rotina inusitada em asilo sob os cuidados de uma excêntrica enfermeira


“Forever Young” é a adaptação de um musical escrito pelo suíço Erik Gedeon e lançado em 2009,  que conta a história de seis grandes atores, quase centenários, e sua rotina num asilo sob os cuidados de uma excêntrica enfermeira. Apesar das dificuldades eles continuam cantando, se divertindo e amando, enquanto lembram de momentos do passado e de músicas que marcaram suas vidas.

Quando a enfermeira se ausenta, os simpáticos senhores se transformam e revelam suas verdadeiras personalidades através do bom e velho rock’n’roll,  mostrando que o sonho ainda não acabou e que eles são eternamente jovens. A peça usa bastante o elemento da nostalgia, mas de uma forma “pra cima”, afirma o diretor Jarbas Homem de Mello em entrevista ao FDS: “É um espetáculo sobre a celebração da vida. Mesmo quando os personagens lembram do tempo em que eram jovens, mostra que a vida deve ser celebrada até o fim, não existe idade pra ser feliz e alegre”, diz.

O espetáculo se passa em ritmo de “jukebox”, com músicas embalando o palco a cada cena. São clássicos do rock e do pop da década de 50 até os anos 90. A música é sempre ao vivo, sob os cuidados do pianista Miguel Briamonte - que é um dos atores do espetáculo. E as músicas são cantadas sempre com abertura de vozes.

Entre as canções que o povo vai cantar e dançar estão "I love rock and roll"; "Smells like a teen spirit", “I will survive”, "I got you babe", “Roxanne”, “Rehab”, “Satisfaction”, “Sweet dreams”, “Music”, “San Francisco”, “California Dreamin”, “Let It Be”, “Imagine”, e a emblemática "Forever Young". Já o repertório nacional conta com canções como “Eu nasci há 10 mil anos atrás” de Raul Seixas, “Do Leme ao Pontal” de Tim Maia, e “Valsinha” de Chico Buarque. 

Jarbas explica que boa parte do repertório já fazia parte do texto original do espetáculo, mas a produção brasileira teve liberdade de interagir e acrescentar músicas que tivessem a ver com o cotidiano brasileiro.  “Há três músicas que foram escolhas nossas, e tem pout-pourris que entram músicas também de escolha da direção e da produção brasileira”, diz. Mas as mudanças não mudaram o clima original do musical: cada canção ilustra situações e sentimentos dos personagens.

A farra dos velhinhos também é usada no espetáculo para debater a situação de exclusão social na terceira idade. Tudo com bom humor, claro. “A comédia tem sempre essa coisa de a gente rir de si mesmo, e se divertir com as limitações que a idade nos impõe, e achar graça nisso, achar humor e achar alegria nessa condição. É isso que a comédia faz, a comédia é sempre um espelho da sociedade, ela critica através da graça, através do bom humor”, explica o diretor.

“Forever Young” também critica, de certa forma, o culto exagerado a juventude. Algo que não é exclusivo da TV, do teatro e do cinema, claro. “A juventude é supervalorizada em qualquer meio, não só no artístico. Mas acho que nas artes é um dos poucos meios onde a velhice é celebrada, que o conhecimento e a experiência são valorizadas. Claro que os papéis rareiam quando você vai ficando mais velho, principalmente como protagonista”, afirma. Jarbas acredita que, no meio artístico, quanto mais o ator ou atriz vai adquirindo mais experiência, mais ele se valoriza enquanto artista, tem mais segurança no que faz.

Nany People faz o papel de uma enfermeira nada convencional
Nany People faz o papel de uma enfermeira nada convencional

Em cena, todos são artistas de musicais. A atriz Nany People é um dos destaques, interpretando a  enfermeira. “A peça tem uma pesquisa muito grande de movimento. A gente se preocupou muito em deixar isso o mais verdadeiro possível, por mais caricato e farsesco que seja a peça, pois os atores usam peruca, maquiagem bem pesada e tal. Então tem uma pesquisa de movimento muito grande, justamente para caracterizar essa limitação dos movimentos, o que também deixa tudo muito engraçado”, explica.

“A Nany é uma figura muito especial que eu gosto muito, uma atriz maravilhosa, e que tá se arriscando cantando também. Ela faz a enfermeira de uma forma muito engraçada, todo mundo gosta muito de vê-la em cena”, completa o diretor. Ele acredita que “Forever Young” cativa o público por dois fatores: despretensão e identificação. “É um espetáculo despretensioso, ele não promete nenhuma grande pirotecnia, ele só promete a verdade dos atores. Acho que isso encanta a plateia”, diz.

A peça também aciona a premissa de que a idade vai chegar pra todo mundo. “Todos nós – se der tudo certo – chegaremos até os 90 anos, que é a idade desses personagens em cena. Então todo mundo espera viver muito, e mesmo assim todo mundo teve uma situação dessa na família, um pai, um tio ou um avô, que está nessa decrepitude, que está nesse momento de vida em que as limitações são grandes. Acho que essa identificação do público é o que mais encanta quem está no palco”, explica.

Com grande sucesso de público, “Forever Young”, de Erik Gedeon, estreou em agosto de 2016 no Teatro Raul Cortez em São Paulo, realizou temporada em 2017 no Rio de Janeiro e passou por mais oito capitais brasileiras, com grandes hits mundiais da música pop e do rock’n’roll para cativar o público. Ao longo dessa extensa temporada brasileira, a produção já contou com vários nomes no elenco, entre eles Saulo Vasconcelos, Carmo Dalla Vecchia, Fafy Siqueira, Rodrigo Miallaret, Claudia Ohana, Fred Silveira, e o próprio Jarbas Homem de Mello.

Serviço:
Forever Young. Domingo, às 20h, no Teatro Riachuelo. Entrada: R$75 (balcão) e R$100 (camarotes/frisas/plateia).




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