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Um balanço do Turismo
Publicado: 00:00:00 - 15/04/2022 Atualizado: 21:06:33 - 14/04/2022
Antonio Roberto Rocha 
antonioroberto@tribunadonorte.com.br 

O ano de 2021 começou com expectativas tímidas de recuperação do Turismo, mas terminou com resultados surpreendentemente positivos. É o que mostra o Anuário Braztoa 2022, estudo realizado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) em parceria com a Sprint Dados (empresa de consultoria especializada em análise de dados para o turismo), que traça o contexto econômico nacional e internacional do segmento de viagens de lazer e do comportamento do turista, a partir de informações das operadoras associadas à entidade.

Nesta edição, o Anuário vai além dos comparativos relacionados a 2020 e conta, também, com análises sobre 2019, período pré-pandemia que se tornou uma meta de retomada não apenas para o Turismo, mas para diversas atividades econômicas do Brasil e do mundo. De acordo com a Organização Mundial do Turismo, 2021 teve 415 milhões de viagens internacionais, com uma receita entre U$ 700 e 900 bilhões. 

Perseverança - Já no Brasil, as operadoras Braztoa demonstraram garra e resiliência durante este período desafiador, mantendo suas empresas abertas e em atividade, buscando se reinventar e trazer novas formas de atender seus clientes e gerar receitas para seus negócios. Os dados a seguir mostram a superação de alguns valores históricos, como a contabilização do maior volume de passageiros embarcados desde o início do Anuário. Estes números são a materialização da estratégia desenvolvida por cada uma dessas empresas.
Em 2021, as operadoras Braztoa alcançaram R$ 7,1 bilhões em faturamento, com uma recuperação de 77,3% em relação ao ano anterior. Quando comparado a 2019, esse número fica 44% abaixo do que foi registrado no último ano do período pré-pandemia (15,1 bilhões). O volume de passageiros embarcados foi surpreendente, contabilizando 7,4 milhões de embarques, o que corresponde a um aumento de 124,6% em relação a 2020 (3,3 milhões de pessoas). E 14,2%, se comparado a 2019 (6,5 milhões de pessoas).

Turismo interno - Desse total, mais de 7,1 milhões foram para destinos dentro do Brasil (95,8%), o que equivale à cidade de Nova York com 100% de ocupação por 13 dias. Um aumento de 225% em relação ao ano anterior e 48% a mais que em 2019. Já a porcentagem de pessoas que viajaram para destinos internacionais foi de 4,2%. Ou seja, pouco mais de 300 mil brasileiros foram para fora do país em 2021.

Natal se destaca - No Brasil, o Nordeste permaneceu em 2021 na liderança, com 67% do faturamento doméstico e 85,5% dos embarques, seguido pelo Sudeste (11,2% faturamento e 4,7% de embarques) e pelo Sul (9% de faturamento e 6,8% de embarques). Norte e Centro-Oeste ficaram abaixo de 3% do total nacional.

Entre os destinos que compõem o pódio brasileiro dos mais buscados, Salvador  e Praia do Forte ficaram na primeira colocação no ano passado, seguidos por Natal, Gramado e São Paulo. As atrações mais vendidas foram resorts, praias e Natal Luz. Mais de 2,3 milhões de diárias em meios de hospedagem brasileiros foram comercializadas no período.

Exterior - Nos embarques internacionais, as restrições sanitárias e de circulação implementadas em virtude da pandemia alteraram o cenário com uma significativa redistribuição do público, mantendo as tendências iniciadas em 2020. 
Com isso, a América Central obteve o melhor desempenho, responsável por 27,7% do faturamento e 35,3% dos passageiros embarcados. Apesar das limitações  de fronteiras, a Europa ficou em segundo lugar, com 23,8% do faturamento e 12,8% dos embarques.

México - No ranking de destinos, Cancún aparece em destaque, com grande vantagem para os segundos colocados Cairo e Miami. A atração mais buscada em 2021 foi a Disney, mesmo diante das restrições de viagens para os Estados Unidos, vigentes até novembro de 2021. As Pirâmides do Egito também apareceram entre as mais adquiridas. Em 2021 foram comercializadas mais de 687 mil diárias para hospedagens internacionais.

Ticket médio - Com o aumento no volume de viagens realizadas, identifica-se uma redução de 15,7% no ticket médio dos roteiros domésticos em comparação a 2020, e de 45,8% em relação a 2019, chegando ao valor médio de R$ 820,55. No internacional, observa-se o retorno ao patamar dos valores históricos, chegando a R$ 4.047,50, o que representa uma redução de 36% em relação a 2020 e um aumento de 15%, se comparado a 2019.

Vale ressaltar que ainda existe um volume de viagens que foram adquiridas antes da pandemia e só puderam ser executadas em 2021. Os operadores também apontam que, das viagens nacionais e internacionais adquiridas em 2021, 60% foram realizadas como previsto, 26% remarcadas e apenas 13% canceladas.

Pacotes - Sobre o tipo de experiência vendida, as completas, que envolvem a parte terrestre e aérea, representaram 45% do faturamento no ano passado, enquanto as viagens que englobam apenas a parte terrestre, sem aéreo, foram responsáveis por 34,7%. 
Quando o assunto é antecedência da compra no mercado doméstico, 51% aconteceram no mês da viagem ou no mês anterior. Ou seja: compra para consumo quase imediato. Para o internacional, as aquisições em 2021 foram realizadas entre dois e seis meses antes. Cerca de 75% das vendas foram feitas integralmente por meio digital e 23% pelas lojas físicas.

Canais on-line - O novo comportamento digital, impulsionado pela pandemia, levou à forte presença das operadoras nos canais on-line e redes sociais, com  94% das empresas presentes no Instagram e 89% no Facebook. O e-mail é o principal meio de comunicação (91%), seguido do WhatsApp (85%).

Práticas ambientais - A sustentabilidade é outro ponto fundamental para o setor de viagens e muito presente nas operadoras associadas à Braztoa que, juntas, contribuem para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pelas Nações Unidas. 
Quase 38% dessas empresas afirmam que suas ações de sustentabilidade aumentaram desde o início da pandemia. Já 42,5% dizem que essa atuação se manteve. Entre as motivações, 76,9% das empresas fizeram implementações visando a proteção do meio ambiente, 74,3% para melhorar a sociedade e apenas 38,4% focaram na redução de custos.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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