Um campeão há 40 anos

Publicação: 2019-10-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Era um quase dezembro, com o clima natalino se antecipando em Natal no perfume dos cajus e nas decorações do comércio do velho Centro. Eu acabara de fazer vinte anos de vida, com uns oito de amor e seis de nicotina. Era 1979 e o salário de professor de história e geografia no Agreste garantia sessões de cinema, como aquela em que encarei uma fila noturna no Cine Rio Grande.

Fazia dez anos que o ator John Voigt garantiu emprego definitivo em Hollywood com a espetacular interpretação do caipira Billy Flyn na mítica produção Midnight Cowboy (Perdidos na Noite), de 1969. Contracenando com Dustin Hoffman ganhou um Globo de Ouro de melhor ator e só não pegou um Oscar porque um tal de John Wayne levou a estatueta na cerimônia de 1970.
E lá estava ele no cartaz da Avenida Deodoro em O Campeão, um filme do renomado diretor Franco Zefirelli, de quem até ali eu havia visto Romeu e Julieta e Irmão Sol, Irmã Lua, este último dois anos antes no mesmo cinema.

A trama era um remake de um filme de 1949, dirigido por Mark Robson e que tinha de protagonista um então jovem ator chamado Kirk Douglas, que interpretava um ex-boxeador, que em decadência virou zelador de cavalos.

Voigt, que já era pai de uma menininha de 4 anos chamada Angelina Jolie, dividia as emoções do filme com o ator-mirim Ricky Schroder, o filho T.J. do lutador que não achava a melhor forma de nocautear demônios e vícios.

Dos muitos natalenses que foram ver O Campeão, quase todos sabiam que a cena do garoto chorando sobre o pai morto fizera o mundo inteiro chorar; a imprensa brasileira registrava comoções também em várias salas do País.

Nos bate-papos dos ambientes escolares, nas esquinas do meu bairro, nas resenhas da calçada da loja Discol, dizia-se do clima lacrimoso, dos soluços nos escurinhos dos cinemas. E naquela sessão, tudo que foi dito se repetiu.

A imagem do lutador esticado no leito do ginásio, o menino em desespero tentando inutilmente acordá-lo, rompeu o limite entre ficção e realidade no coração dos espectadores. Os soluços viraram choro e o Rio Grande tremeu.

Durante 2 minutos e 51 segundos, o tempo da cena com a morte do boxeador e o sofrimento do filho, homens e mulheres na sala natalense eram o estrato fiel da estatística mundial. Até os machões que ensaiaram piada choraram.

Jovens da elite local tinham esticado um lençol com a frase “podem chorar que hoje tem lenço pra todos”. Na hora da cena triste, os primeiros a utilizar as pontas do tecido pra limpar as lágrimas foram exatamente os engraçadinhos.

Mais de 30 anos depois, em 2011, cientistas da Universidade da Califórnia realizaram uma pesquisa a partir de 250 filmes selecionados e elegeram a morte de Billy Flinn e o choro de T. J. como a mais triste na história da sétima arte. Uma cena inesquecível para meu coração de vinte anos.

artigo

Troca
Para nomear o pecuarista potiguar Geraldo Melo Filho na presidência nacional do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Palácio do Planalto desbancou do cargo o general João Carlos de Jesus Correia.

Filmete
As críticas do Sindicato de Servidores ao governo Fátima se radicalizam, mesmo quando a linguagem é de bom humor. Circula um filme nas redes com o ator João Vale interpretando uma servidora irada com o atraso do salário.

Um alerta
Do general Santos Cruz: “Democracia se faz com instituições fortes e valorizadas. O STF não pode viver nesse limite perigoso, sem a consideração do povo brasileiro. Isso é um grande risco para o país em todos os aspectos”.

Outro alerta
Do general Eduardo Villas Boas em seu perfil do Twitter: “É preciso manter a energia que nos move em direção à paz social, sob pena de que o povo brasileiro venha a cair outra vez no desalento e na eventual convulsão social”.

Censura
Só um trecho do artigo censurado pela revista Veja, após 50 anos do jornalista J. R. Guzzo na casa: “Gilmar Mendes e seus colegas podem rasgar a Constituição todos os dias, mas não podem fugir da velhice”. Guzzo saiu.

Censura II
Não sei o que é mais risível, se o fato da revista Veja ainda circular ou o triste episódio de um veículo em decadência exercer a autocensura. Toda a solidariedade a J. R. Guzzo, que desde 1968 é maior do que a moribunda.

Censura III
Derna menino que eu sei que o Congresso é um poço de iniquidade, mas que sempre pode piorar. Como agora com o projeto imbecil de um deputado idem do PSL de Minas. O cara quer proibir palavrões em letras de rock, funk e rap.

Repercussão
Mais um livro de Tomislav Femenick repercute na imprensa nacional. Agora foi “Orçamento Empresarial como Instrumento Gerencial” que mereceu extensa matéria no tradicional diário gaúcho Jornal do Comércio, fundado em 1933.

Deselegância
Os cantores Leno Azevedo e Lilian Knapp fizeram história na MPB como ícones do movimento Jovem Guarda. Há décadas em carreira solo, a hoje septuagenária vem boicotando com o marido Cadu os shows do ex-parceiro. O natalense Leno denunciou no Facebook a mesquinhez da carioca Lilian.








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