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Alex Medeiros
Um colecionador de paixões
Publicado: 00:01:00 - 07/06/2022 Atualizado: 21:56:56 - 06/06/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

O filme fez 45 anos do seu lançamento em abril de 1977. Já estávamos nos anos 1980 quando a fita rodou numa sessão matutina do Cine Rio Grande e dias depois foi projetada numa tela, não preciso agora se no Diretório Acadêmico de Farmácia ou no próprio DCE, onde marcaram época os forrós temporãos. Falo de “O Homem que Amava as Mulheres”, uma das grandes obras do cineasta francês François Truffaut, e que ganhou remake em 1983.

Divulgação


Em 1976, Truffaut, considerado um diretor pra lá de emblemático – que fundou com Jean-Luc Goddard a “Nouvelle Vague” – se instalou em Montpellier, a bela cidade do sul da França e lá montou o set para contar a história de Bertrand Morane, um predador galante, sedutor profissional, que faz os mais estranhos gestos para conquistar mulheres que ele vê na rua, nas lojas e em qualquer lugar. Não é um cara tão jovem, mas é repleto de autoconfiança quando caça.

Interpretado por Charles Denner, Morane é um mulherengo sem freio e trata cada paixão como uma glória de herói, um romantismo de poetas, ao ponto de decidir escrever a narrativa de cada um dos seus grandes romances, ou não.

Truffaut começou a pensar na ideia do filme em 1974, numa extensão do desejo de dedicar protagonismo ao ator Charles Denner, que o conquistou em 1968 durante a atuação em A Noiva Estava de Preto, com Jeanne Moreau.

Ainda naquele ano, o cineasta pediu ao teatrólogo Michel Fernaud, também famoso como mulherengo, uma lista de estórias e anedotas sobre paqueras e conquistas, que foi juntada a outros casos e até mesmo experiências próprias.

Truffaut começa o filme pelo fim, mostrando o sepultamento do conquistador num cemitério onde só há mulheres de preto. Depois a vida sedutora é narrada, exibindo as loucuras e audácias para viver um clima de romantismo.

Um dia ele teme de no futuro esquecer um dos seus amores e decide escrever um livro, uma espécie de diário das aventuras. Até que o texto atrai a atenção de uma bela executiva de editora, que gosta do texto e também do seu autor. 

Truffaut não economizou no elenco feminino para mostrar um colecionador de paixões, em verdade um espelho biográfico. Estão lá Brigitte Fossey, Nelly Borgeaud, Geneviève Fontanel, Leslie Caron, Nathalie Baye, Valérie Bonnier.

Sobre o fato da trama ter tiques e toques de autobiografia, o diretor disse na época que o cinema o ajudou a lidar com a vida na adolescência, servia de fuga. E que só fazia filmes como os que ele viu aos treze ou catorze anos.

Em O Homem que Amava as Mulheres, ele optava pelos dramas do amor, rejeitando a comédia clássica, os gêneros de gângster, guerra, resistência, heroísmo, de época. Contava amor sem grandes beijos e sem corpos nus.

Bertrand Morane corre atrás de pernas antes mesmo de conhecer os rostos, se apaixona por uma voz num telefonema cruzado (a geração smartphone não sabe o que é isso). E trava um dilema editorial com a nova amante Geneviève.

Uma ausência de cinco anos permite com Vera (Leslie Caron) um reencontro dolorido, delicado. Ele fala do livro e ela percebe que a história deles não está no rascunho. Ele então resolve corrigir, mas a editora vai tentar dissuadi-lo. 

Montpellier ambientado no período natalino, ele atravessa a rua para seguir mais um par de pernas, é atropelado e levado para o hospital. Quando esperamos a melhora, ele estende a mão para apalpar uma enfermeira, mas cai do leito e morre. As mulheres no seu livro estarão no seu funeral. 

Em 1983 
William Blake dirigiu o remake do filme. Ano em que Truffaut teve um câncer no cérebro. A doença o impediu de escrever a autobiografia e a morte o levou em 1984. Quantas e quais seriam as suas paixões? 

Amor de padre 
Ao dizer que “é preciso reagir”, que o “o que é comum para as pessoas é crime para os padres”, o pároco de Parnamirim, Murilo Paiva, pode ter iniciado uma campanha dentro da igreja pela legitimação da relação conjugal dos padres.

Lá e lô 
Não seria difícil aos chefes católicos aceitarem ligações afetivas de padres homossexuais diante de uma época em que o ativismo gay é quase uma doutrina. Só que abriria brecha para o direito ao matrimônio de padres heteros.

Folga 
O costumeiro trânsito que se forma nas entradas do Centro Administrativo a partir das 7h da manhã, ontem só ocorreu pertinho das 9h. A turma só saiu de casa para servir ao público depois que terminou o jogo Japão 0 x 1 Brasil.

Ciúme 
Duas fontes do PT (tenho várias) reconhecem que o núcleo duro do governo sentiu o golpe nas imagens do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao lado de Fábio Dantas e Rogério Marinho no evento que parou Mossoró no sábado.

Mossoró 
Até parece que havia um barnabé-militante de plantão acompanhando a dispersão do Pingo da Mei Dia. O decreto exigindo de novo a famigerada máscara foi feito horas após a festa. E vai conter as futuras aglomerações.

Fake 
Um velho e malhado puxa-saco do PT, especialista em criar perfis falsos desde o tempo do Orkut, está com novos perfis frequentando o YouTube das rádios só para contraditar críticos da pauta esquerdista, disfarçado de bom ouvinte.

Fraude 
Profissionais do Direito filiados à ANB, Associação Nacional dos Advogados, denunciam nas redes que a OAB fraudou a Lei 8906/94 e ainda falsificou a assinatura do ex-presidente Itamar Franco, prejudicando muitos diplomados.

Fraude II 
Nos EUA, um filme com uma trama narrando interferência na eleição presidencial de 2020, a mesma que Trump acusa de fraude, entrou em exibição em 411 cinemas do país, sendo 169 salas da famosa rede Cinemark.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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