Um conto de encontro II

Publicação: 2020-01-26 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

O cheiro dos cajus se misturavam aos odores da festa, mistura de cachaça e limão, o fritar dos peixes nas barracas do mercado, o loló que escapava das mesas em ritmo de carnaval naquele janeiro que se estendia nas cestas de frutas das casas e nos espíritos solidários dos nativos da pequena praia nordestina. Ela circulava curiosa com a geografia humana da festa, ele ria e fazia rir os comensais da mesa que cantarolavam canções do LP Refazenda.

Ela percebeu o olhar dele e ouviu sorrindo sua voz levantar o tom na estrofe “ela que me faz um navegador / sobretudo ela / ela que me faz um navegador”. Girou o corpo, pegou um artesanato como se fosse comprar e seguiu adiante.

Ele pediu licença aos amigos, comprou a pulseirinha hippie que ela havia olhado e foi ao encontro dela, que estava numa mesa de frente à igrejinha. “Olha, acho que você deixou cair”. Ela estendeu o punho, ele (se) amarrou.

A noite se estendeu pela manhã, a linguagem dos afetos encurtou apresentações e um café do outro lado da cidade selou aquela improvisada amizade. Ele a deixou no albergue e trocaram promessas de pôr do sol.

Ninguém dormiu tanto assim, uma insônia de boa ansiedade colocou-os de pé no meio da tarde. Logo já estavam juntos, na velha Pedra do Rosário onde o primeiro crepúsculo ele assistiu aos quinze anos lá por volta do ano 1974.

Foi ali o primeiro beijo e o primeiro amasso, e em poucas horas ambos estavam a bordo de um Fiat 147 azul-marinho com destino á Canoa Quebrada, a praia cearense que Fernando Gabeira acabara de divulgar em reportagem.

Durante mais de uma semana, a paixão instantânea se derramou nas areias e nas águas de Canoa e também de Jericoacoara, além dos pequeninos quartos cedidos por nativos a troco de quase nada, apenas o suficiente para a feira.

Um rolê na capital alencarina, noitadas intermináveis nos botecos, as canções de Fagner e Ednardo acompanhadas na flauta doce que ele carregava na bolsa de resto de calça Lee. Ela dançava, e girava, e se enroscava nele.

Num Chevette de duas garotas paulistanas, a carona até Olinda, dispostos a curtir o carnaval mais louco e contagiante do País. Mas ele ficou em Mossoró, pra vir a Natal, combinando dia e hora do reencontro na Praça de São Pedro.

Reencontro que só foi acontecer seis meses depois, os dois desembarcando no mesmo instante na rodoviária de Belo Horizonte e dali nova carona até Diamantina, a terra de João Bosco com seu psicodélico Festival de Inverno.

Moravam distantes mais de dois mil quilômetros, encurtados nos extensos telefonemas e nos poemas que ele remetia via Correios, escritos em folhas de bananeira devidamente recortados em estilo páginas de blocos de anotação.

Um outro reencontro, totalmente inesperado, foi num dos corredores da USP durante a realização de uma SBPC. Ele saiu em busca do auditório em que Darcy Ribeiro faria palestra; ela estava no caminho, fazendo a mesma coisa.

Por alguns anos e dezenas de poemas, eles encaixaram corpo e espírito, sem estabelecer compromissos futuros. Quase quatro décadas depois, ele leu um poeta dizer: “só os corações que têm passado viveram as paixões de futuro”.

Trump em Davos
Trinta minutos para calar globalistas apocalípticos e pessimistas de esquerda (perdão da redundância). Foi o tempo de Donald Trump no plenário de Davos, mostrando os resultados econômicos que anularam a oposição obamariana.

Receita simples
Cumprindo o que prometeu no slogan “Make America Great Again”, Trump mostrou como recuperou o império da Democracia: com estado reduzido, menos impostos nas costas de empresas e contribuintes, desburocratização.

O comunista
Governante do estado mais miserável do momento, o Maranhão, Flavio Dino está se achando a alternativa popular contra a dicotomia Bolsonaro x Lula. Quem sai de juiz mediano para governador medíocre é melhor ficar quieto.

A eleição
Não será fácil a disputa de 4 de outubro para vereadores com mandato. Com a proibição de coligações como antigamente (balaio de gatos) tudo complica, inclusive o fatiamento do fundo partidário, decidido na executiva das legendas.

Ah, a OAB
“A OAB acha que a muamba de hacker e conluio criminoso para conspirar contra quem combate a corrupção é liberdade de expressão. Normalíssimo para quem faz militância para partido de ladrões”. (jornalista Guilherme Fiuza)

Cabelos brancos
Cientistas da Universidade de Havard publicaram quarta-feira na revista Nature um estudo que aponta o stress como provocador de danos nas células estaminais regeneradoras de pigmentos nos folículos capilares.

Fagner Pop 
Wilton Bezerra, proprietário do Bar Me Leve, em Candelária, anuncia para 27 de março a segunda edição do show Tributo Fagner Pop, com artistas locais interpretando os hits do cearense. A direção musical será do compositor Babal.

Futebol na TV
Na Fa Cup tem Manchester City x Fulham, Rovers x Manchester United, Shrewsbury x Liverpool. Na Espanha, Atlético Madrid x Leganes e Valladolid x Real Madrid. Na Itália, Roma x Lazio e Napoli x Juventus. Na França, Lille x PSG.