Um dia em Haia

Publicação: 2019-05-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI/RN

De tempos em tempos, preciso viajar por alguns dias, a fim de me desligar da rotina diária. Desta feita, com um pequeno grupo familiar, optei por outro país que também pretendeu um dia ser “dono” do Brasil, a Holanda. Esse tema, Portugal versus Holanda, qual dos dois teria sido melhor para o Brasil, é recorrente quando olhamos para a história do nosso país. Não foi à toa a pergunta que me fez uma brasileira que mora em Haia, logo que a conheci e declarei o interesse em visitar o museu Mauritshuis: “O que você pensa sobre Maurício de Nassau?”  Entendi que ela queria mesmo era saber a minha opinião sobre essa questão da colonização do Brasil. Disse-lhe que, apesar de manter as melhores avaliações sobre o conde Maurício de Nassau, homem culto e avançado para o seu tempo – século XVII –, bem como do povo holandês, guardava comigo a  convicção de que os portugueses foram melhor opção para o Brasil, por uma mais fácil adaptação dos lusos, com vistas à integração menos traumática à terra e à gente local. Até mesmo porque a jornada holandesa no Brasil teve como causa principal a produção do açúcar no Nordeste, além de questões geoeconômicas com Espanha, Portugal e Inglaterra.

A jovem brasileira transmitiu-nos detalhes da vida na Holanda e não pensa em voltar para São Paulo. Ressaltou o dia a dia tranquilo da cidade de Haia, ao comparar com Amsterdã. Mostrou-nos os prédios históricos do lugar, inclusive a mansão onde reside o rei e sua família. A nossa guia nos deixou defronte ao museu Mauritshuis, e, antes, disse que um seu filho estudou em escola pública onde também estudavam duas sobrinhas do rei. As meninas iam para a escola de bicicleta, normalmente, como a maioria dos alunos. O ponto alto da ida a Haia foi a visita ao Museu Mauritshuis, bonito prédio de tradição greco-romana, que pertenceu ao conde João Maurício de Nassau, governador do Brasil holandês, de 1637 a 1644. Esperava encontrar mais sobre a presença de Nassau no Nordeste, inclusive dos artistas Frans Post e Albert Eckhout, porém, fiquei feliz com a chance de ver de perto tantas obras magistrais, a exemplo de Moça com Brinco de Pérola – The Dutch Mona Lisa –, de Vermeer, e A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, de Rembrandt.

O Museu Mauritshuis, por si só, já remete à lembrança do Brasil do século XVII, pois se aloja em prédio construído sob as ordens de Maurício de Nassau. A mostra, com centenas de peças, fazia uma homenagem a Rembrandt, nos 350 anos da sua morte. O famoso pintor holandês Rembrandt Harmenszoon von Rizn nasceu na cidade de Leiden, em 15 de julho de 1606, e morreu em Amsterdã, a 04 de outubro de 1669. Discípulo do mestre Pieter Lastman, ele se fixou em Amsterdã, tornou-se um dos principais nomes da pintura universal, com trabalhos baseados em fontes históricas, bíblicas ou mitológicas. Destacam-se seus retratos, autorretratos e “tronies”. O “tronie” vai além do retrato, porquanto transmite emoções, em marcantes expressões faciais. Algumas peças ainda estão sob estudos do Rembrandt Research Project, a fim de tirar qualquer dúvida sobre a obra e o autor.

Antes do final da tarde, a brasileira perspicaz, falante e de ótimo trato levou o pequeno grupo de volta a Amsterdã.





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