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Rubens Lemos Filho
Um e outro
Publicado: 00:01:00 - 11/05/2022 Atualizado: 20:39:12 - 10/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Passadas cinco rodadas na Série C e quatro na Série D, a realidade crua aponta o ABC em bem melhores condições do que o América. Vai bem sem exagero o futebol  do alvinegro, mas a constatação nasce da fragilidade exposta do time rubro. 

O ABC é segundo lugar num campeonato mais difícil com 10 pontos ganhos. Venceu três partidas, empatou uma e perdeu outra, inexplicável, para o Altos do Piauí. O ABC ganhou três pontos fora de casa na estreia contra o Ferroviário de Fortaleza(3x1) e o empate contra o Paysandu no Frasqueirão(1x1) foi vacilo. 

A vitória sobre o Volta Redonda impediu que ocorresse outro equívoco. Não interessa como está acontecendo, o importante em campeonato como o da Série C é não jogar fora as oportunidades e cumprir a obrigação de ganhar em casa. 

O ABC do técnico Fernando Marchiori por vezes exagera, jogando no Frasqueirão, dentro de um sistema tático(3-5-2) filosoficamente  conservador, porque há na proteção  da defesa, mais dois volantes. O departamento de criação precisa fluir no meio-campo. 

O América implora por uma chacoalhada. Além perder pontos impressionantes, não agrada em campo. Esperança é o técnico João Brigatti imprimir um ritmo veloz e ofensivo ao time, que vai precisar ganhar jogos distantes de Natal. 

Indiscutível: houve uma queda radical do América do campeonato potiguar para a Série C. O mico do técnico Edson  Vieira, aquele que não se vacinou e falou bobagens, também mexeu com a equipe. 

Um clube da dimensão do América, tradicional em competições nacionais, é para estar sempre nas cabeças. Hoje, está de cabeça para baixo na tabela de classificação, atrás de Crato e Globo. É uma lástima. 

Wallyson 
É sabido que o Mago vem mal. Também é notório que, quando mais parece morto, Wallyson ressuscita com gols decisivos. Sua presença, só a roupa, reforça a moral dos companheiros e força marcação especial pelo adversário.

Pressão 
Para melhorar na Série D, o América vai precisar da pressão da torcida. Uma ideia seria mandar alguns jogos na Arena José Rocha em Parnamirim, que asfixia o adversário. A Arena das Dunas, mesmo com a proximidade da torcida, é campo neutro. E seu belo gramado não vem sendo aproveitado pelos jogadores do América. 

Baixo nível 
O Vasco cedeu jogadores reservas e das categorias de base ao Volta redonda, que perdeu para o ABC. O sujeito ser reserva do Vasco sugere mudança de profissão. Uma vitória sobre o CSA é comemorada como se fosse uma Taça Libertadores. 

Olheiros 
O Super Matutão, um campeonato gigante com seleções de  municípios do interior, é uma chance para os clubes de Natal descobrirem bons jogadores. Tempo de ressuscitar os olheiros, que percorriam lugarejos e subúrbios procurando – e encontrando craques. 

Exemplos 
Dois dos maiores atacantes do Rio Grande do Norte, foram descobertos no Matutão: Reinaldo, pela seleção de Pernamirim e Zinho, no Grêmio de Areia Branca. Os dois fizeram sucesso fora do Estado, com Reinaldo conquistando o Mundial Interclubes no Flamengo de Zico em 1981, ele, Reinaldo, na reserva de Nunes.  

Ministério do Esporte 
Relator do projeto de lei que cria o Plano Nacional do Desporto, o deputado federal Afonso Hamm(PP/RS), defende a recriação do Ministério do Esporte. A pasta foi incorporada ao Ministério da Cidadania no governo de Jair Bolsonaro, mas Hamm considera importante o Brasil ter um órgão específico, principalmente agora que se discute a implementação de um plano para o setor.

Mundo mágico 
O faturamento dos cinco maiores clubes do país revela um mundo mágico bem diferente do que existia no passado.  Se faltam craques hoje, dinheiro se esparrama pelos carpetes luxuosos. É tanto dinheiro que não se imagina qualquer parâmetro com a época de finanças ruins, talentos sobrando. 

Reino do bilhão 
O Flamengo – que não é mais o diferencial de superioridade recente – empalmou R$ 1,08 bilhão no ano passado, seguido pelo Palmeiras (R$ 910 milhões) Corinthians(R$ 501,8 milhões), Atlético-MG(R$ 501 milhões) e Grêmio(R$ 498 milhões). 

Empresas 
Por esse volume de grana, pode-se dizer que os cinco maiores são empresas de verdade. Os pobres clubes do interior do Nordeste, vivendo de migalhas e boa vontade do poder público, não entram sequer no ranking dos centavos. 

Bons tempos 
No dia 11 de maio de 1975, o América, que seria bicampeão estadual, enfiou 4x1 no Ferroviário, um dos quatro sacos de pancada de Natal(os outros eram Riachuelo, Atlético e Força e Luz). Eram bons tempos para o alvirrubro. 

Gols 
Os gols do América foram de Humberto Ramos, Ivã Silva, Sérgio David e Washington, com Miguel descontando para o Ferroviário, com  2.116 pagantes no Estádio Castelão, tendo Jáder Correia na arbitragem, auxiliado por César Virgílio e Afrânio Messias. 

Times 
O América do técnico Sebastião Leônidas: Ubirajara; Ivã Silva, Ademir, Odélio e Cosme; Edinho(Paúra), Humberto Ramos e Hélcio Jacaré(Washington); Sérgio David, Pedrada e Ivanildo Arara. Ferroviário: Juca; Martins, Henrique, Edvaldo e Dinamérico; Miguel e Jorginho Segundo; Wilton(Assis), Wilson, Francisquinho e Paulinho.  

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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