Alex Medeiros
Um goleador falastrão
Publicado: 00:00:00 - 02/10/2021 Atualizado: 23:00:13 - 01/10/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Omar Sívori faria hoje 86 anos. Lembrar desse craque argentino dos anos dourados é desconfiar de que se o mundo acabar, as baratas continuarão existindo e a rivalidade Brasil x Argentina seguirá persistindo “per sécula seculórum”. Porque jamais nos livraremos das pendengas do tipo Pelé versus Maradona, Pelé ou Di Stefano, Pelé contra Messi, Batistuta ou Dinamite, Passarella ou Luis Pereira, Gilmar ou Carrizo.

Quando o Brasil vivia o glamour da Bossa Nova e do futebol arte, no final dos anos 50 e começo dos 60, a dicotomia dos gramados impelia brasileiros e argentinos ao duelo histérico entre Pelé e Sívori, um dos Fab Four do ranking de craques históricos dos hermanos. A daqui brasileira entrou num fuzuê patriótico, com jornais e revistas de época endeusando o Rei e acusando o portenho de “falso deus”. Sívori era um exímio provocador, um “bad boy”.

Sem seus dribles e gols, o River Plate não teria solapado o tri-campeonato nacional de 55, 56 e 57. Foi seu talento endiabrado que conquistou a Copa América de 1957. Ele estraçalhou o Brasil, que caiu por 3 x 0 em Lima, Peru.

Não tinha limites quando tinha a bola dominada, desesperava zagueiros, não tinha freios na língua para cutucar o orgulho dos cucarachas no país de cima. Naqueles tempos, a melhor picuinha era menosprezar o camisa 10 do Santos.

Desembarcou em Turim, para defender a Juventus e repetiu o sucesso no River em maiores proporções (deu três scudettos em 58, 60 e 61 e três copas em 59, 60 e 61). Diante da multidão feliz, disparou um “sou maior que Pelé”.

Em 1960, festejado na Itália como o artilheiro do Calccio com 27 gols, Sívori participou de alguns amistosos para balançar as redes mais umas 4 vezes e então superar os 33 gols que Pelé marcou no Paulistão daquele ano.

Não adianta negar que nossa imprensa mordeu as teclas das Olivettis e Remingtons quando no ano seguinte, 1961, o já consagrado “Mister Juventus” ganhou a Bola de Ouro da revista France Football como o melhor do mundo.

E isso sem falar que Di Stefano, no Real Madrid, já havia ganhado duas vezes, em 1957 e 1959. Sívori está no ranking FIFA dos 50 craques da História, sendo o quarto melhor do futebol argentino, depois de Maradona, Messi e Di Stefano.

Poucos jogadores platinos causaram tanta ira na torcida brasileira como Sívori. A irritação com Caniggia, o carrasco da Copa de 1990, é fichinha diante das chateações promovidas pelas declarações intempestivas do craque boquirroto.

Uma grande celeuma foi sua pressão para que a Juventus não contratasse o brasileiro Paulo Amaral como técnico. Ídolo maior do time, Sívori fez lobby para o compatriota Nestor Rossi (um gênio da bola nas décadas de 40 e 50). 

Numa reportagem da Revista do Esporte de 12 de janeiro de 1963, o argentino era tratado como um “falso deus presunçoso”. Disse a saudosa edição: “não é raro fazer declarações estapafúrdias, chocantes e até mesmo contraditórias...”

A publicação de Anselmo Domingos não poupou o rival: “O que ele quer é falar, para ser focalizado e ser considerado o maior. Procura aumentar o seu prestígio usando o recurso das entrevistas surpreendentes e inconseqüentes”.

Morreu aos 69 anos de câncer no pâncreas. Segue vivo na saudade e nas estatísticas da FIFA. Quanto ao ódio brasileiro por ele, sumiu na Copa de 1962, quando defendendo a Itália, ele viu Garrincha ganhar a taça em nome de Pelé.

Divulgação


Inversão
Defender publicamente assassinatos de fetos e liberação das drogas é considerado pela grande imprensa um direito e exercício da liberdade de expressão. Ser contra o tal passaporte da vacina é crime contra a humanidade.

Direito
Em Portugal, a Justiça impediu que um pai obrigasse a filha de 12 anos a se vacinar. A menina se escondeu com a mãe durante um mês para não ser levada pelo pai. Um tribunal sentenciou que fosse respeitada a sua escolha.

No mar
Desde junho voltaram os cruzeiros nos EUA e Caribe. Nos últimos dias de setembro, a empresa Carnival Cruises responsável pelos navios informou num dos roteiros 27 passageiros já vacinados contraíram Covid-19 e um morreu.

Estranho
O grupo Médicos Pela Vida lançou suspeitas pelo fato da farmacêutica Pfizer ter comprado recentemente a empresa Trillium, especializada em tratamentos contra o câncer. O MPV deixou uma pergunta no ar: o que aguarda a Pfizer?

Livros
Começou ontem e prosseguirá até o dia 15 (dia do professor) a Primeira Feira de Livros do Shopping Cidade Verde (na Ayrton Senna), com ofertas especiais de livros infantis e diversos temas. O evento abre às 9h e encerra às 21h.

Vitrine
A plataforma de vendas online Magalu é uma das marcas mais presentes nos sites e blogues com suas ofertas para os internautas. Nas últimas horas, seus banners destacam o livro “O Por do Sol da Pandemia”, de Casciano Vidal.

Seleções
O leitor Fábio Alexandre Freire também escalou a seleção de todos os tempos sem Pelé, como Kolberg e Raimundo Nonato: “Buffon, Leandro, Beckenbauer, Baresi, Paolo Maldini, Falcão, Maradona, Zico, Iniesta, Cristiano, Messi”.

Sabadão
Com bola rolando na televisão: Manchester United x Everton, Chelsea x Southampton, Brighton x Arsenal, Atlético Madrid x Barcelona, Torino x Juventus, Sassuolo x Inter, Bragantino x Corinthians, Atlético MG x Inter.

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