Um groupie à flor do dia

Publicação: 2020-05-28 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Depois que eu morrer – e se eu morrer - e depois da vida existir um segundo turno plasmático-biológico, quero retomar minha aventura na Terra ou noutro planeta com outra profissão. Serei estrela pop, cantor de rock ou, no mínimo, guitarrista de uma banda barulhenta. Tomara também que na minha continuidade cósmica, continuem existindo as meninas que assediam os astros, que fazem de tudo para frequentar camarins e viajar nas turnês.

Mas não quero essas tietes dos grupos baianos, das bandinhas de forró, ou das duplas sertanejas; essas que Gilberto Gil traduziu como “espécie de admirador, atrás de um bocadinho só do meu amor”. Não, não quero as magrelinhas de classe média que se vestem como vaqueiras em shows de Safadão e similares. Quero, sim, as gatas insaciáveis da era do rock ´n´ roll.

Aquelas influenciadas pelo velho movimento hippie e pelas viagens lisérgicas. Quero uma groupie suculenta, sedenta de sexo selvagem e de brincadeiras voluptuosas em bancos de automóveis, em elevadores e em igrejas vazias.

Antes dos Rolling Stones cunharem o trinômio “sexo, drogas e rock ´n´roll”, havia apenas os dois últimos. O primeiro só veio com a chegada das meninas groupies, todas dispostas a noitadas endiabradas de muito som e soníferos.

A californiana Pamela Miller, ou Pamela Des Barres, foi uma das mais famosas, começando a carreira num amor platônico e singelo por Paul McCartney, que naquele seu jeitão de noivo fiel não avançou muito com ela.

Das paixõezinhas juvenis, dos rabiscos em agendas que ela chamava de poemas, para as loucuras da cama, Pamela não gastou muito tempo e logo estava papando figuras como Jim Morrison, Mick Jagger e Jimmy Page.

Só não devorou o vocalista Robert Plant porque virou sua grande amiga, e nesses casos, invariavelmente, amigas nunca dão. Diferente dos homens, muitas mulheres tendem a não misturar sexo e amizade, o que é sacanagem.

Quando a mídia especializada dos anos 1960 batizou as garotas de “groupies”, algumas não aceitaram o bordão. Dizem que foi um jornalista, amigo do poeta Bob Dylan, quem rebatizou-as com os nomes “penny lane” e “day flower”.

Eram muitas as penny lanes e day flowers espalhadas pelo mundo do rock, debaixo das camas das feras. Além de Pamela, havia Cynthia Plaster Caster, que tinha a mania de fazer moldes de gesso ou massa dos pênis dos astros. 

Inesquecível para os leitores das revistas Rolling Stones e Flor do Mal foi Bebe Buell, a modelo da Ford demitida por posar nua na Playboy e por transar uma dúzia de roqueiros. E tinha Cherry Vanilla, que papou David e Angie Bowie.

Todas elas inspiraram as histórias de Penny Lane, a loirinha tesuda de caracóis no cabelo do filme “Quase Famosos”, interpretada por Kate Hudson, e de Suzete, a groupie desempregada encarnada pela engraçada Goldie Hawn. 

No livro “Memórias de uma Groupie”, de Pamela Miller, hoje uma senhora de 71 anos e contadora de histórias, há relatos fabulosos das loucuras daqueles tempos, o que faz inevitável uma viagem ao passado na mente dos leitores.

Por isso imagino outra vida como uma viagem de conclusão de metas. A minha é reencarnar como um Morrison ou Presley, afogado em lençóis de desejos e cavalgando uma penny lane, uma day flower na aventura de uma nova vida. 

Vamos sair por aí, fazendo confusões, enchendo a cara de coisas líquidas e etéreas, plantando letras e colhendo poesia, verbalizando rebeldias, subvertendo leis e, quiçá, atirando molotov de merda no plenário do STF.

Créditos: Divulgação


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