Um paraíso cercado de dunas e verde

Publicação: 2017-10-29 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Foi com a abertura do prolongamento da avenida Prudente de Morais, nos anos 1990, que o bairro Pitimbu, na Zona Sul de Natal, ficou mais integrado a cidade. Morador do bairro, o produtor cultural e ator Marcílio Amorim lembra muito bem desta obra e de outros fatos marcantes vividos no bairro.

Marcílio chegou no Pitimbu em 1986, quando tinha oito anos de idade, para morar no conjunto dos bancários, depois da família ter sido sorteada pela Caixa. O conjunto, ao lado do Vale do Pitimbu e o do Satélite – maior conjunto erguido por uma cooperativa habitacional na América Latina até então –, formam o Pitimbu. Marcílio até hoje mora na mesma casa, localizada numa pequena rua de 19 residências, todas de frente para o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte.
Bem antes da abertura da Prudente de Morais, que integrou o conjunto a área onde hoje está o Parque da Cidade, um dos locais que mais aprecia em Natal
Bem antes da abertura da Prudente de Morais, que integrou o conjunto a área onde hoje está o Parque da Cidade, um dos locais que mais aprecia em Natal

Bairro batizado com o nome do rio que corta a região, o Pitimbu tem a terceira maior área verde dentro do perímetro urbano da capital potiguar, o Horto do Pitimbu. Essa característica de ser arborizado e preservar um pouco da riqueza florestal de décadas passadas é o que mais agrada Marcílio. “O Pitimbu é realmente um vale. Um paraíso cercado de dunas”, afirma.

Foi no bairro que ele teve uma infância agitada, vivida na rua ao lado de muitos amigos, e, mais velho, encontrou a paz para estudar e se desenvolver profissionalmente. Criador do festival de música Ribeira 360º, realizado pela primeira vez em janeiro deste ano, Marcílio já está com todo gás na organização da edição de 2018. Ele também é diretor da empresa Elenco Mosh, por onde tem desempenhado um importante papel de agenciamento de atores do Nordeste, como os potiguares Pedro Fasanaro e Quitéria Kelly, que firmaram contrato com a TV Globo para participar da nova série da emissora. E não pára por ai. Marcílio é um dos atores na montagem do mais novo espetáculo da amiga atriz Titina Medeiros, que está na fase de ensaios.
Marcílio Amorim chegou ao Pitimbu em 1986, aos 8 anos de idade, para morar no conjunto dos bancários
Marcílio Amorim chegou ao Pitimbu em 1986, aos 8 anos de idade, para morar no conjunto dos bancários

Em entrevista a TRIBUNA DO NORTE, Marcílio lembrou de várias histórias vivenciadas no Pitimbu, ressaltou seus pontos positivos e alertou para problemas  na área.

Uma espécie de fazenda


Quando cheguei no Pitimbu, o que vi foi uma imensa área verde, exuberante, pouco explorada, praticamente virgem. Não tinham queimadas como hoje acontecem com periodicidade. Como criança, pra mim era como estar chegando para morar numa fazenda ou perto de uma floresta.

Infância na rua


A infância no bairro foi muito importante pra mim. Brinquei bastante na rua, tinha muitos amigos. Passávamos o tempo todo jogando biloca, pique esconde, carrinho, queimada, jogando jogos de tabuleiro. A gente bolava umas gincanas também e fazia festas em que cada um levava uma comida. Aprendi a dançar lambada. Eram outros tempos, ficávamos até tarde da noite na rua. Tínhamos a liberdade de ficar fora de casa sem ter medo de assalto. E não vivíamos conectados com a internet, mas apenas com a gente mesmo.

Parque da Cidade


Antes da área do Parque da Cidade virar Zona de Proteção Ambiental, já fazíamos trilhas na mata, saíamos para pegar caju. Aquela área foi o nosso playground. Hoje uso o Parque da Cidade como lugar de lazer com a minha família, levo meus sobrinhos lá. Acompanho alguns shows quando acontecem. Quando estou nas minhas fases fitness, querendo emagrecer, gosto de caminhar no parque também.

Prolongamento da Prudente


Um fato marcante que aconteceu no bairro foi a inauguração do prolongamento da avenida Prudente de Morais, que integrou o bairro a Natal. Antes, todos os moradores que precisavam ir em direção ao centro de Natal tinham que ir até a BR 101. Lembro de longas viagens na minha infância, já que estudava no Salesiano, na Ribeira. Na inauguração da pista teve Elba Ramalho. O bairro parou para assistir o show dela.

Cercado por dunas


O Vale do Pitimbu realmente é uma vale. É um espaço cercado de dunas. Acho que deveria ser lindo a área antes de virar bairro, com a natureza intacta. Moro um pouco distante do Rio Pitimbu. Já fui com os pais dos meus amigos tomar banho lá na infância.

Fauna ao redor


É um lugar mágico, cheio de natureza, com um friozinho gostoso à noite. Convivemos diariamente com corujas, iguanas, saguis, vez por outra a gente se depara com uma raposa correndo. Existe uma fauna no nosso entorno. Acordamos ao som dos passarinhos. Acaba sendo um refúgio dentro de Natal.

Comércios familiares


Na região existem pequenos comércios para atender a demanda dos moradores. Não temos nenhum banco no bairro, só caixas eletrônicos e correios. Para refeições tem a Carne Assada do Enéas, que era um ponto pequeno de vender galeto e hoje em dia cresceu e se tornou um restaurante bem estruturado. Na padaria Felipe compro um queijo de coalho delicioso. O cachorro-quente do Van Van é o mais delicioso da região, assim como o sanduíche da lanchonete Adonai, um empreendimento familiar.

Insegurança

O problema do bairro é algo que a gente vê na cidade inteira: a violência. A liberdade de sentar na calçada e ter aquela convivência entre vizinhos a gente não vê mais. Ter pessoas andando pela rua. Passou das sete horas da noite parece uma cidade fantasma, com todos os moradores trancados em suas casas. Isso é muito negativo pro bairro.

Espetculação imobiliária


Outro problema é a especulação imobiliária. A falta de terrenos na cidade faz com que se busque áreas no bairro para loteamento. Com isso a natureza vai ficando mais espremida. É preciso tomar cuidado com isso. Não adianta encher de gente e perdermos a qualidade de vida.

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