Um pavilhão de criatividade manual

Publicação: 2019-02-01 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Tádzio França
Repórter

Obras de arte para decorar, artesanato para uso caseiro, criatividade para vestir, ofícios estrangeiros para presentear, e um pouco de tudo isso e algo mais para conferir enquanto se passeia pela Feira Internacional de Artesanato – Fiart -, na Via Costeira. A 24ª edição do evento convida os frequentadores a conhecer o novo pavilhão do Centro de Convenções, para onde a feira foi transferida este ano. Além do novo espaço dar uma cara diferente ao evento, em 2019  o visitante poderá conferir novidades como o espaço das cervejas artesanais, o salão de exposição dos mestres, e artistas renomados estreando no local.

O bonequeiro pernambucano Almir dos Santos, de Olinda, está expondo seus mamulengos pela primeira vez na Fiart
O bonequeiro pernambucano Almir dos Santos, de Olinda, está expondo seus mamulengos pela primeira vez na Fiart

A Fiart 2019 está montada no interior do novo pavilhão do Centro de Convenções, não há espaço externo. Os comerciantes e artistas estão bem distribuídos entre os muitos corredores que o visitante pode percorrer e achar algo que o interesse. Para este ano o evento trouxe artesãos das cinco regiões do Brasil e de países como Senegal, Bolívia, Colômbia, Peru, e República Tcheca. Na parte final do pavilhão há uma bela visão panorâmica da Via Costeira e de Ponta Negra.

O bonequeiro pernambucano Almir dos Santos, de Olinda, está expondo seus mamulengos pela primeira vez na Fiart. Há 80 anos gerações de sua família produzem os coloridos bonecos de madeira e pano, com todos os traços característicos dessa arte. “Tudo é feito a mão, do corte da madeira mulungu à confecção das roupas”, diz. Os bonecos saem nos modelos fio dançante e luvas de manipulação. “A maioria das pessoas compra pra decorar a casa, mas também há quem compre pra se apresentar em escolas e shows”, diz o mestre atual da Mamulengos em Ação.

O escultor Alex Teles, de Divinópolis (MG), também está fazendo sua estreia na Fiart. O artista está expondo pela primeira vez em Natal um trabalho que está em sua família desde o avô, Geraldo Teles de Oliveira, o GTO. São peças de madeira em desenhos instigantes, que remetem a temas religiosos cristãos, símbolos ameríndios, manifestações populares, mandalas, e a “roda da vida”, entre outras temáticas. “Tudo começou com um sonho. Meu avô sonhou que estava entalhando essas imagens e quando acordou, passou a fazê-las de verdade. Isso passou de para para filho e até hoje nossa inspiração vem do inconsciente”, afirma Alex. Ele ressalta que as peças são feitas totalmente a mão, sem uso de nada elétrico. O material é só madeira de lei, como jequitibá, cerejeira, jacarandá, etc.

A presença africana é sempre colorida. O estande do Senegal chama atenção pelas batas coloridas e máscaras de madeira
A presença africana é sempre colorida. O estande do Senegal chama atenção pelas batas coloridas e máscaras de madeira

A beleza das peças da catarinense Denusa Demarchi chama logo a atenção de quem passa, e impressiona ainda mais quando se sabe o material delas: couro de peixe. Ela trabalha com isso desde 2006. Faz bolsas femininas, sapatos, sandálias, carteiras masculinas e biojóias com o couro da tilápia, usando o couro bovino só para finalizar. O trabalho, além de bonito e refinado, também é ecológico, pois Denusa utiliza os descartes de abatedouros. “Há outra vantagem: o couro da tilápia é mais fino e resistente que o do boi, além de cada peça ter um visual exclusivo, pois cada peixe é diferente um do outro”, ressalta ela, que tem curtume e ateliê.

A presença africana é sempre colorida, diferenciada e chamativa. O estande do Senegal   chama atenção pelas roupas, com suas batas coloridas – que estão na moda -, e acessórios como correntes, pulseiras e bolsas com desenhos típicos. As estátuas e máscaras de madeira são outros itens que param as pessoas. São vários formatos, desenhos, e expressões que contam a história milenar da África. Já a artesão queniana Abiola trouxe o estande “Madagascar”, onde exibe alegres peças de ráfia em forma de jogos de cozinha e objetos decorativos em formatos de baobá (a “árvore da vida”) e bichinhos que ficaram conhecidos pelo desenho animado Madagascar. “Todo ano tenho que trazer algo diferente, senão o cliente não vem”, brinca.

A queniana Abiola trouxe o estande Madagascar
A queniana Abiola trouxe o estande "Madagascar"

O estande da Colombia está fazendo a alegria de quem aprecia chapéus redondos, elegantes, feitos de palhas naturais, com aquele apuro artesanal. As peças estão em várias cores, o que chama ainda mais a atenção dos visitantes. O cliente também pode escolher a cor da fita do chapéu. Além dos chapeus também há sandálias artesanais e coloridas, em vários materiais.

Os apreciadores dos bordados e peças de artesanato tradicional vão encontrar vários lugares para comprar. Sandra Sousa trabalha há mais de 30 anos com refinada renda renascença feita mão, que dá forma a blusas, vestidos adultos e infantis, e peças de cama, mesa e banho. Tudo é feito apenas em cambraia de puro linho.

O estande da Colombia está fazendo a alegria de quem aprecia chapéu
O estande da Colômbia está fazendo a alegria de quem aprecia chapéu

Uma novidade da Fiart 2019 é  um salão onde estão expostas as obras de vários mestres, como as pirogravuras de Igo Azevedo, esculturas de Guga Stark, Ojuara, a rendeira em argila de Edvaldo Santiago, o quadro vazado de Mundoca, oratórios, entre outras. O visitante   votará ao longo do evento e escolherá a obra que mais gostou. Perto do salão, o escultor Rhasec trabalha ao vivo em suas obras, tendo sido o pioneiro em pedra sabão no estado, há 30 anos. Ele ressalta agora o concreto expansivo, bastante usado na construção civil atual. Na Fiart, o povo vai aonde o artista está.

Serviço:
24ª Fiart. Até sábado, A partir das 16h, no Centro de Convenções, Via Costeira. Entrada: R$10 (inteira).





continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários