Um poema basco remoto

Publicação: 2020-12-04 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Em 1972, o filósofo americano Edward Lorenz, que também era um exímio matemático e meteorologista, cunhou a frase basilar para o que conhecemos como efeito borboleta. Estudioso da teoria do caos e das inter-relações entre tudo que nos cerca, ele escreveu: “Previsibilidade: o bater das asas de uma borboleta no Brasil desencadeou um tornado no Texas”. Muita gente viu sua tese no livro e filme de ficção científica “O Efeito Borboleta”.

Lembro de Lorenz ao ler ontem em dois jornais espanhóis que pesquisadores bascos de literatura e gramática divulgaram ter achado um tesouro, um poema amoroso escrito em euskera, o idioma original do povo do norte da Espanha, habitantes das regiões de Navarra e País Basco. Os versos, produzidos no início do século XVI, estão agora no Arquivo Histórico Provincial de Gipuzcoa, área autônoma no norte espanhol. Euskera é o idioma mais antigo da Europa.

Encontrado há poucos dias num cartório, o poema foi divulgado ontem na cidade basca de San Sebastián durante uma coletiva de imprensa com representantes do parlamento da região e autoridades da cultura local.

E que diabo tem a ver essa poesia ancestral com o americano Edward Lorenz?, deve perguntar o leitor mais curioso e atento. É que o achado não só mexe com a cultura basca e espanhola, mas também com a literatura mundial.

É de uma tremenda importância um poema escrito em basco arcaico em 1520, bem antes dos grandes literatos espanhóis que se relacionaram com a Europa e até influenciaram futuros poetas latino-americanos e também os africanos. 

Imaginem que naquele ano o Brasil tinha apenas 20 anos, iniciando a colonização, enquanto Pedro Álvares Cabral morria em Santarém, Portugal. Naquele ano, outro navegador, Fernão de Magalhães, descobre o Pacífico.

Os pesquisadores que acharam o poema acreditam que o texto pode ser um dos mais antigos da língua basca, acrescentando que todos os escritos históricos que existem até agora são apenas frases simples ou rabiscos.

Quem o achou foi a historiadora Rosa Ayerbe, com a ajuda de funcionários do cartório e de um especialista na vida da comunidade de Gipuzkoa. Ela disse à imprensa que a primeira transcrição dos versos foi muito difícil de fazer leitura.

Um filólogo foi solicitado para ajudá-la e também um estudioso de documentos civis da antiguidade do município. Só assim foi possível ter uma primeira avaliação da importância histórica do documento de tão difícil compreensão.

Professores de literatura da renomada universidade de San Sebastián acham que estão diante do mais antigo e talvez único texto escrito no velho dialeto da comuna de Gipuzkoa e também de todo o povo basco, uma poética raridade.

Não foi possível confirmar uma autoria do poema, que apesar de ter sido achado junto com escrituras notariais de um tal Miguel Ibáñez de Insausti, é mais provável que tenha sido feito por um dos escrivães do velho cartório.

Tanto pelo tipo de escrita como pela presença de outros documentos assinados com a mesma letra, os pesquisadores afirmaram ser possível que o poema foi escrito entre os anos de 1508 e 1521. Abaixo, a tradução do texto:

- Minha linda doce carícia
sinto pena de você
você me matou em Orreyn
como você se apaixonou
com uma espada na mão?

Créditos: Divulgação

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