Um policial militar é indiciado por homicídio

Publicação: 2019-03-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

Um policial militar foi indiciado pelo homicídio de Luiz Benes Leocádio Júnior, morto em um sequestro-relâmpago no dia 15 de agosto de 2018. O inquérito, elaborado pela Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa da Polícia Civil, aponta que o policial militar que participou da perseguição ao carro onde Benes Júnior estava e atirou contra o veículo sabia das possíveis consequências de sua ação, motivo pelo qual será indiciado por homicídio doloso – aquele no qual o autor mata com intenção ou assumindo os riscos de uma ação que pode tirar a vida de alguém.

Luiz Benes Leocádio foi morto no dia 15 de agosto após sequestro relâmpago. Adolescente envolvido em sequestro também morreu
Luiz Benes foi vítima de sequestro  e morreu em confronto dos sequestradores com a polícia

Em um inquérito de mais de 300 páginas, a Polícia Civil escutou testemunhas e diversas partes para apurar as circunstâncias que levaram à morte de Benes Júnior e Matheus da Silva Régis, de 17 anos, que participou do sequestro de Benes e também morreu no local durante a ação policial.

De acordo com a delegada Taís Aires, responsável pelo caso, o policial militar indiciado, que não teve a identidade divulgada pela polícia, “disparou sabendo que poderia atingir uma pessoa ao atirar. Foi apenas depois que surgiu o fato de que aquela pessoa que foi atingida pelo tiro era, na verdade, a vítima do sequestro”, afirma.

Pela morte de Matheus Régis, no entanto, ninguém será indiciado. “O que ficou evidenciado é que com relação a Matheus foi que os policiais atuaram em legítima defesa, porque havia a comprovação de que ele estava armado, além de ter um histórico de dois latrocínios”, conta a delegada. O inquérito, portanto, não aponta indícios de cometimento de crimes por parte dos outros três PMs envolvidos no caso.

Memória
Luiz Benes Leocádio Júnior foi vítima de um sequestro-relâmpago no dia 15 de agosto no bairro do Tirol, em Natal. Ele estava próximo ao escritório da campanha de seu pai, Benes Leocádio, que na época concorria à vaga de Deputado Federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC).

Quando foi ao carro buscar um material de limpeza para o escritório, Benes Júnior foi abordado por dois outros adolescentes, que renderam o jovem e anunciaram o sequestro. Benes, que não sabia dirigir, foi obrigado então a conduzir o veículo enquanto os dois praticavam assaltos pela cidade.

Quando os três já estavam na altura da avenida Moema Tinoco, na zona Norte de Natal, o carro foi alcançado por policiais militares em uma viatura, que estavam cientes do sequestro. Durante a abordagem, houve uma troca de tiros entre os PMs e os sequestradores, na qual Benes Júnior foi atingido duas vezes. Ele chegou a ser socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento de Pajuçara, mas não resistiu e faleceu no local.

Outro adolescente, identificado como Matheus da Silva Régis, de 17 anos, também foi atingido durante a troca de tiros com os policiais. No KIA Branco em que estavam os jovens, foram identificadas 7 marcas de tiro, todas de fora para dentro.












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