Um Sínodo especial

Publicação: 2019-09-20 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Queridos irmãos e irmãs! Em vista da comemoração do Dia da Árvore, celebrado amanhã, 21 de setembro, quero refletir sobre a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, a ser realizada, em Roma, de 6 a 27 de outubro, com o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”. Muito já se falou sobre essa Assembleia sinodal, sua importância, como também apareceram críticas e algumas reações que desrespeitam o seu significado.

Em primeiro lugar, deve-se afirmar que a instituição do Sínodo dos Bispos, fruto do Concílio Vaticano II, lembra uma realidade própria da Igreja Católica: “sínodo e Igreja são sinônimos”, afirmou São João Crisóstomo. Embora a Igreja tenha abandonado por muito tempo essa prática, devido a celebração dos Concílios Ecumênicos ou Universais (ao todo foram realizados 21 Concílios Ecumênicos, o primeiro em 325, em Niceia, hoje na Turquia, e o último em 1962 a 1965, o 2º Concílio do Vaticano), o mesmo não aconteceu nas Igrejas Orientais, que continuaram a prática da realização dos Sínodos. Grandes Sínodos foram celebrados nos primeiros séculos da Igreja. Eles eram Sínodos provinciais ou regionais, cuja importância para a fé se deve ao fato de que estavam relacionados à vivência dessa mesma fé, especialmente no combate às heresias.

Depois, os Sínodos passaram a ser realizados por continentes, como foi o Concílio Plenário Latino-americano, em 1899, e o Concílio Plenário Brasileiro, em 1939. Embora sejam chamados de Concílio, na verdade essas assembleias podem ser consideradas “Sínodos” regionais, e sua importância para a vida pastoral da Igreja, na América Latina e no Brasil, respectivamente, necessitam ser pesquisadas.

Em 1965, o Papa São Paulo VI, com o Motu Proprio Apostolica sollicitudo, institui o “Sínodo dos Bispos”, no contexto do Concílio Vaticano II que, com a Constituição dogmática Lumen gentium (promulgada em 21 de novembro de 1964), que havia amplamente se concentrada sobre a doutrina do Episcopado, havia solicitado um maior envolvimento dos Bispos “cum et sub Petro” nas questões que interessam a Igreja no seu todo.

Mas, o que é um Sínodo? A palavra Sínodo vem do grego “syn-hodos”, significa reunião, congresso, assembleia, mas originariamente quer dizer “caminhar juntos”, e conforme afirmou João Paulo II é “uma expressão particularmente frutuosa e o instrumento da colegialidade episcopal”. Neste “caminho sinodal”, desde a primeira Assembleia até hoje, foram realizadas 15 Assembleias Gerais Ordinárias, 4 Assembleias Gerais Extraordinárias, e várias Assembleias Especiais para diversos continentes, como já aconteceu em 1998, com o Sínodo dos Bispos para as Américas.

A necessidade de um Sínodo especial para a Amazônia reside no fato de que o tema da salvaguarda do meio ambiente é um tema da Doutrina Social da Igreja, pois “a atitude que deve caracterizar o homem perante a criação é essencialmente a da gratidão e do reconhecimento: de fato, o mundo nos reconduz ao mistério de Deus que o criou e o sustém...” assim “se chega a descobrir a natureza na sua dimensão de criatura, é possível estabelecer com ela uma relação comunicativa, colher o seu significado evocativo e simbólico, penetrar assim no horizonte do mistério, franqueando ao homem a abertura para Deus, Criador dos céus e da terra. O mundo se oferece ao olhar do homem como rastro de Deus, lugar no qual se desvela a Sua força criadora, providente e redentora” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, par. 487).



continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários