Um teatro em desalinho

Publicação: 2011-06-17 00:00:00 | Comentários: 3
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 Yuno Silva
repórter

A situação do Teatro Municipal Sandoval Wanderley é delicada, e só um esforço conjunto pode garantir a reabertura do principal espaço cultural do Alecrim até o dia 23 de outubro, data de comemoração do centenário do bairro. Fechado desde o início de 2009, e interditado definitivamente pelo Corpo de Bombeiros e Ministério Público em março do ano passado por falta de acessibilidade e segurança (projeto de combate a incêndio e saída de emergência), o TSW requer atenção e compromisso redobrado dos gestores envolvidos em sua reestruturação para que as coisas andem conforme os planos.

Depois de três diretores, dois anos fechado e nenhuma solução, Sandoval Wanderley terá comissão para retomar reformaNa última terça-feira (14 de junho), a Fundação Cultural Capitania das Artes publicou portaria no Diário Oficial do Município criando comissão técnica para acompanhamento e reavaliação do projeto de reforma do Sandoval Wanderley. Formada por Costa Filho, atual diretor do teatro, mais o professor de teatro Véscio Lisboa; Vatenor de Oliveira, do setor de Patrimônio da Funcarte; Diogo Amorim; e a arquiteta urbanistta Ana Luize Lamas Gurgel de Oliveira, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), a comissão tem a missão de dar celeridade aos projetos de readequação. “Temos em mãos um projeto que precisa ser detalhado e seu orçamento atualizado”, adiantou Costa Filho.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve ontem pela manhã no TSW e constatou alguns ‘nós cegos’ que precisam ser desatados – e o pior: não dependem só do Município. Além do sucateamento dos equipamentos de iluminação e sonorização, de problemas com infiltrações e da necessidade de se reconstruir as arquibancadas, a primeira grande dificuldade a ser contornada é a falta de uma plataforma (elevador) que permita o acesso de portadores de necessidades especiais de locomoção à sala de espetáculos – nada que um bom projeto não dê conta. Porém é fundamental que a proposta de readequação considere a falta de segurança na fachada, muito exposta e suscetível a vandalismo, fato que pode vir a prejudicar o bom funcionamento e gerar necessidade constante de manutenção do equipamento. Os banheiros também devem ser readequados para permitir acessibilidade.

Mas o  maior desafio, o tal do ‘nó cego’, é a abertura de uma saída de emergência na lateral do prédio, cuja porta desemboca nos fundos do pátio da Escola Estadual João Tibúrcio. “Expliquei a situação para a professora Isaura Rosado (Fundação José Augusto/Secretaria Extraordinária de Cultura) e, nos próximos 15 dias, devemos nos reunir com a secretária Estadual de Educação, professora Betânia Ramalho, para procurar uma solução conjunta. Vamos propor que a saída seja compartilhada entre escola e teatro”, planeja o professor Roberto Lima, presidente da Funcarte.

Atualmente a área, que poderá servir como saída de emergência ao TSW, está sendo utilizada como depósito de cadeiras, mesas e estantes quebradas. Em seguida, deverá haver um entendimento com os comerciantes que mantém estabelecimentos (cigarreiras) na calçada. “Na hora certa, teremos que contar com a compreensão deles também”, avalia Costa Filho.

Antes do fechamento

O mesmo palco, hoje fechado,  acolheu intensa programação de shows do Projeto Pixinguinha entre 2005 e 2006, por onde passaram nomes como as cantoras Mart’nália, Tetê Espíndola e Kátia B, os músicos Vitor Ramil e Renato Borghetti, o mestre Xangô da Mangueira, os tradicionais grupos cariocas Jongo da Serrinha e Galo Preto, está vazio. Cadeiras amontoadas nem de longe lembram a animada aula-teatro ministrada pelo diretor paulista José Celso Martinez.

Projeto atualizado

O primeiro projeto de reestruturação do TSW, avaliado em R$ 375 mil, chegou a ser enviado ao Ministério da Cultura, que por motivos de impedimentos legais deixou de ser analisado. Os recursos darão conta da reforma e readequação da estrutura, aquisição de novos equipamentos e melhorias nas instalações elétricas. “Neste momento estamos trabalhando em projetos complementares de acessibilidade, segurança (saída de emergência e combate a incêndio), elétrico e tratamento acústico”, disse a arquiteta urbanista Ana Luize.

Para tudo dar certo até outubro, o novo projeto de readequação deve ser submetido à avaliação do Corpo de Bombeiros antes da Semopi atualizar o orçamento. O Ministério Público também será consultado, e em seguida a proposta encaminhada ao Ministério da Cultura – nesse meio tempo, o município deve fechar acordo com a Secretaria Estadual de Educação para superar a falta de espaço na lateral do teatro, ou seja, uma verdadeira corrida contra o tempo e contra a burocracia.

Cronologia

Junho de 2011

Empossado em abril, o diretor e ator Costa Filho assume a gestão do Teatro Sandoval Wanderley e afirma que pequenos reparos na estrutura do TSW já estão em andamento. “A primeira vez que entrei no Sandoval vi que a situação estava bem complicada. Limpamos tudo e estamos resolvendo os problemas de infiltração”, disse na oportunidade.

Maio de 2011

O professor Roberto Lima, terceiro presidente da Funcarte desde janeiro de 2009, informou que a Funcarte foi parar na lista de inadimplentes do Ministério da Cultura por causa de uma pendência (já sanada) no valor de R$ 918,59. O fato impediu a análise pelo MinC do projeto avaliado em R$ 375 mil para reestruturação do TSW.

Dezembro de 2010

O iluminador Castelo Casado, segundo diretor do TSW, esperou sentado e pacientemente por alguma providência para reabrir o espaço. “Eu não entendo como uma cidade, com pouquíssimos espaços culturais, permite que um teatro permaneça fechado por tanto tempo”, lamentou.

Março de 2010

Em 26 de março o Corpo de Bombeiros interdita definitivamente o Teatro Sandoval Wanderley. O laudo apontou 22 itens para reforma durante vistoria do lugar, que já estava fechado há mais de um ano. “Não há como receber espectadores e artistas aqui. O risco é grande e foi dado um ano de prazo para readequação, mas até agora nada foi feito”, declarou o tenente Luiz Gonzaga na época. O então presidente da Funcarte, jornalista Rodrigues Neto, afirmou que os reparos não foram feitos por desconhecimento das exigências.

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Comentários

  • gejuino

    Daqui a pouco o Teatro Alberto maranhão também estára esquecido, por causa do Teatro Riachuelo, não se vê mais na televisão se falar do Teatro Alberto Maranhão, Que pena estão acabando comos nossos nossos teatros e mostrando apenas um Teatro que é caríssimo as suas entradas como o Teatro Riachuelo.

  • Gersonluizshows

    Näo importa muito quem seja o alcaide de plantão, a cultura nesta cidade sempre teve dificuldades para ser produzida e mostrada principalmente pela falta de espaços espec íficos. Enquanto a iniciativa privada nos brinda com o Teatro Riachuelo, e artistas cons eguem atrav?s de uma gest?o focada manter espaços como a Casa Da Ribeira, Circo Da Tropa Trupe e Circo Grook,a Funcarte deixa a cidade orf? do teatrinho Sandoval Wand eley sem justificativa plausível. Acho que os artistas de Natal deveriam criar uma coop erativa cultural e assumir a gestäo do Sandoval Wanderley nos livrando da incompetên cia dos intelectuais da Funcarte. Parabéns a editoria de cultura da Tribuna do Norte.

  • estrela23fr

    Quanto dinheiro jogado fora, quanto desinteresse das autoridades quanta falta de amor e orgulho pelo que é nosso. Todo lugar prospera, evolui mas infelizmente Natal é terra de ninguem ate quando?????? é preciso que a populaçao seja mais atenta, mais exigente e nao votar mais em quem nao trabalha e tao pouco conserva o que ja foi feito. Chega a ser triste tudo isso