Um trombador com 1.000 gols

Publicação: 2019-11-21 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Nos tempos de Pelé, em gramados nacionais só havia um centro-avante que aterrorizava ás defesas inimigas como o rei. Seu nome era Flávio Almeida Fonseca, um gaúcho nascido em 9 de maio de 1944, em Porto Alegre. Algumas antigas reportagens sobre ele citaram os meses de junho, julho e setembro, mas numa entrevista na saudosa Revista do Esporte ele confirmou o nascimento no então chamado mês das noivas, atualmente em desuso.

Quando menino, Flavio foi gazeteiro, entregando jornais nas residências dos assinantes, e também se dedicou a tocar saxofone, influenciado pelas imagens das orquestras americanas presentes nas telas dos cinemas. Não demorou, ele abdicou de tudo e aderiu às peladas de rua e decidiu que seria jogador de futebol. Em meados dos anos 1950, iniciou nas fileiras do Real Madrid, um time várzea da capital gaúcha inspirado no clube supercampeão espanhol.

Em 1959, aos 15 anos, entrou nos juvenis do Internacional quando marcou três gols em 35 minutos no primeiro teste. Tinha faro dos bons artilheiros que ele via nas páginas das revistas Manchete Esportiva e Revista do Esporte.

Dois anos depois ascendeu ao time princial e seus gols foram importantes para o título de campeão estadual de 1961. Seu talento já estava bem distribuído em 1,75 metro e 75 quilos. Ali ele ganhou o primeiro apelido, Flávio Bicudo.

O sucesso repentino o levou à seleção brasileira em 1963, e em 1964 trocou o Inter pelo Corinthians, onde tinha a missão de quebrar um jejum de 10 anos sem título, o que não conseguiu apesar de fazer chover muitos gols.

Arrebentou as redes dos adversários no campeonato paulista de 1968 e comandou a vitória de 2 x 0 sobre o Santos de Pelé, pondo fim a uma freguesia que já durava 10 anos. Virou ídolo com o jeito trombador e matador de elite.

Fumava dez cigarros Continental por dia e só entrava em campo com o aroma da pasta Kolynos e do sabonete Gessy. E dava calafrios nos zagueiros, como o gélido vento gaúcho que lhe deu um outro apelido, Flávio Minuano.

Quando deixou o Corinthians em 1969, para defender o Fluminense, já era famoso em todo o Brasil como o artilheiro nascido no Internacional e que com tempestades de gols foi essencial para impedir o hexacampeonato do Grêmio.

Alegrou a fiel do Timão com o fantástico ataque com Buião, Paulo Borges, Rivelino e Eduardo (morto em acidente de carro) e fez o mesmo no Rio com a linha Cafuringa, Samarone e Lula (o ex-ponteiro do Ferroviário de Natal).

Nos primeiros anos da década de 70, os gramados das pequenas e grandes áreas dos adversários se transformaram em campos férteis para os gols de Flávio. Era um goleador perfeito por baixo e por cima, tanque e bombardeiro.

Após trocar o Flu pelo Porto, retornou às origens e atuou no mítico Internacional que deu show na metade dos anos 1970. Apesar da idade, foi o artilheiro da equipe e campeão ao lado de Figueroa, Falcão e Carpegiani.

Em 1973, Flávio Minuano já somava nas estatísticas oficiais 972 gols. Um empresário e dois jornalistas catalogavam seus gols, como fizeram amigos do Romário. Foram acrescentados mais 98 gols, somando na carreira 1.070.

Seu gol 1.000 foi num jogo contra o Caxias, em 1976. Assim como os números de Arthur Friedenreich (1.329 gols), registrados e reconhecidos por entidades parceiras da Fifa, os gols de Flávio são ignorados por parte da mídia brasileira.

Folia livre
A Bandagália está de volta às paradas com um livro sobre a trajetória, festas, e provável saída às ruas. A banda suprapartidária, de tanto frevo e histórias, comprometida como sempre com a alegria, a folia e a irreverência. Viva!

Ainda Exupéry
Diógenes da Cunha Lima me envia recorte desta Tribuna, de abril de 1985, onde o icônico jornalista Nilo Pereira escreve sobre um encontro com o criador do Pequeno Príncipe, ao lado de Jean Mermoz, seu colega e anfitrião.

Outubro do livro
O mercado livreiro teve um outubro 2019 totalmente oposto ao mesmo mês em 2018, quando o quadro era de baixa. Segundo a Nielsen e o sindicato do setor, houve um aumento de 9,08% nas vendas, movimentando R$ 112 milhões.

Negritude
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Abolição loura
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A intrépida confraria que começou no Bar de Lourival e se estendeu por mais de uma década no Restaurante Cuxá, se reúne sábado na casa de Carlos (Bebé) Rosado em grande estilo, do meio-dia até à final da Taça Libertadores.

Quintas clubes
A crônica sobre os meninos da minha geração jogando bola no bairro na década de 70 despertou saudades no empresário Antonio Gentil e no médico Rivaldo Santos. Ambos jogaram futebol amador por lá nos anos 1960 e 1970.

Futebol na TV
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coluna

Livros e águas
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