César Ferrario: Um vilão de corpo, mas não de alma

Publicação: 2020-03-20 00:00:00
Michelle Ferret
Repórter

O ator César Ferrário coleciona papéis de vilões e na segunda temporada de “Aruandas”, não será diferente. Com escalação para atuação na próxima temporada com nomes como Lazáro Ramos e Daniel Oliveira, César estuda seu personagem desde o início da semana, quando conversou com o VIVER sobre o processo em que vive para a construção de uma nova vida, a história de Cunha.  As gravações foram interrompidas e deverão retomar em abril.

Créditos: João Miguel JrPresença forte em novelas como “O Outro Lado do Paraíso” e “A Dona do Pedaço”,  César chega a “Aruandas” para viver novo vilãoPresença forte em novelas como “O Outro Lado do Paraíso” e “A Dona do Pedaço”, César chega a “Aruandas” para viver novo vilão


Produzida pela Rede Globo em parceria com a produtora Maria Farinha Filmes, Aruandas teve a primeira temporada com direção de Carlos Manga Júnior. E a segunda tem direção de André Felipe Binder. “Nessa segunda temporada me conecto com a obra a partir do convite de André, o Lipe, que aconteceu no segundo semestre do ano passado. Ele era diretor geral da novela “o Outro Lado do Paraíso”, direção de núcleo de Mauro Mendonça Filho. Dado esse contato prévio, originou o convite para a segunda temporada de Aruana e aceitei”, conta César Ferrário. O roteiro é escrito por Estela Renner e Marcos Nisti, com colaboração de Pedro de Barros.

Sua presença forte em novelas como “O Outro Lado do Paraíso”, como personagem Rato e “A Dona do Pedaço”, com Adão, César entra para o elenco de Aruandas com Cunha, quem vai contra a política ambiental e será o vilão que atrapalha a equipe da Ong Aruanda comandada na segunda temporada por Debora Falabela e Leandra Leal. (Thaís Araújo participará menos desta vez por questões das gravações em “Amor de Mãe”).

Com forte apelo pelas ao meio ambiente, a primeira temporada transcorreu em Manaus, no Estado do Amazonas, relacionando-se às questões das terras indígenas, exploração das terras pelo garimpo e todas as crises que geram naquela região, tanto do ponto de vista climático, ecológico, tanto humano e político. César antecipou ao VIVER que a segunda temporada se transfere para o interior de São Paulo. “A ONG Aruana permanece e agora segue para uma cidade fictícia, porém com histórias muito verossímeis, espelhadas em histórias recentes do país, de cidades que tiveram grandes problemas relacionados à poluição, principalmente da indústria petroquímica”, revela.

As protagonistas Luíza e Nathaly, vividas por Débora e Leandra, tem como rival a personagem de Camila Pitanga, a lobista Olga segue na trama e ao lado do personagem de César vai dar muita dor de cabeça para os que defendem o meio ambiente.  “Meu personagem seguindo a tradição de outros trabalhos, segue a vilania, vai dar muito trabalho, não só para as duas cabeças da Ong Aruana, mas também de todos os seus engajados e todos aqueles que são responsáveis pela luta ecológica”, disse.

A série, seguindo as estratégias recentes da emissora, será exibida primeiro no globoplay, com forte campanha de divulgação, para que só depois seja exibida na grade aberta da emissora. Desta vez, Aruandas contará com a participação especial do ator Lima Duarte. “Será um papel que se conecta com muita brevidade à trama, mas de forma muito contundente. O personagem dele gera uma das causas movedoras de toda trama, que não posso revelar ainda”, brinca.

Construção do personagem
Com quase vinte anos de atuação no teatro, principalmente no grupo Clowns de Shakespeare, o qual é ex integrante, César lembra que sentia desejo de fazer trabalhos em audiovisual, porém antigamente na cidade faltavam oportunidades. “No nosso país é bem comum atores trabalharem no teatro e na televisão, em outros países não. Confesso que para mim por muito tempo, uns 20 anos da minha vida, fui ator somente de teatro por falta de oportunidade no audiovisual na minha região, e quando comecei a fazer os primeiros trabalhos, comecei a gostar bastante”. Ele percebe diferença entre uma linguagem e outra. “São suportes distintos, mas existe um campo de intercessão, comum entre os dois, sem anular as particularidades”.

Cunha
Para a construção de Cunha e de todos os personagens que chegam através do roteiro, César conta que sua relação é intelectual. “Leio várias vezes o roteiro, me aproprio da narrativa inteira, de todos os personagens, vetores, repito minhas falas incessantemente até que se tornem orgânicas e só depois me dirijo ao set. Porém estou sempre aberto com muita clareza e consciência, à mágica que só acontece no instante”, acredita.

César acredita que a construção de um personagem forte como Cunha, é uma experiência em que a resultante final só acontece no set. “É sua proposta com a proposta do colega, da cenografia, do clima, da iluminação, da lente que o diretor de fotografia escolhe, é preciso estar muito consciente do todo. Estar potente, porém relaxado. Me preparo muito com o que diz respeito ao estudo, mas faço questão de deixar uma série de conexões e aberturas a partir dos estímulos causados por toda equipe. E fatos inusitados que o próprio universo e a realidade nos oferece”, reflete.