Uma avaliação da agropecuária

Publicação: 2018-08-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Antoir Mendes Santos
Economista

Finalmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) começou à divulgar as informações preliminares do Censo Agropecuário de 2017, permitindo que se tenha às primeiras avaliações sobre o desempenho recente de nossa agropecuária, comparativamente os dados do Censo de 2006.

Em 2017, existiam no Brasil 5,07 milhões de estabelecimentos agropecuários com uma área de 350,2 milhões/ha, contra 5,17 milhões em 2006, os quais correspondiam a uma área de 336,6 milhões/ha. Os dados apontam para uma redução de 2,0 % no número de estabelecimentos, mas, em contrapartida, sinalizam para um crescimento de 4% em termos de área agrícola, revelando uma tendência à concentração de terra ocorrida no país, nesse período.

É possível constatar que a redução no número de estabelecimentos aliada à retração na produção agropecuária, sobretudo, nas áreas afetadas pela estiagem prolongada, se refletiu na ocupação da mão de obra agrícola, que diminuiu de 16,5 milhões de pessoas em 2006 para 15,0 milhões em 2017, queda de 9,1%, o mesmo acontecendo com a média de pessoas ocupadas por estabelecimento, que caiu de 3,19 para 2,96.

No que se refere à utilização das terras, o Censo atual revela um crescimento de 13% no plantio de lavouras temporárias, 55,4 milhões/há contra 48,9 milhões/há em 2006; uma redução de 32,5% nas lavouras permanentes, 11,7 milhões/há ante 7,9 milhões/há em 2017; e uma queda de 18,7% nas áreas com pastagens naturais, no período. A utilização de máquinas, tratores e implementos agrícolas, sobretudo, puxada pelo agronegócio teve um crescimento expressivo de 2006 para 2017, saltando de 820,7 mil para 1.228,6 mil equipamentos, algo em torno de 50%.

Em relação ao efetivo de animais, a pecuária bovina que em 2006 tinha 176,1 milhões de cabeças, reduziu-se para 171,8 milhões na contagem atual, uma variação negativa de 2,4%. Apesar dessa redução no plantel, a produção de leite de vaca ensejou uma variação positiva de 46%, evoluindo de 20,6 bilhões/litros para 30,1 bilhões/litros, entre os anos censitários, o que se explica pela melhoria na qualidade de nosso rebanho. A criação de ovinos também teve um comportamento semelhante, tendo caído de 14,2 milhões de animais em 2006 para 13,8 milhões no Censo atual, representando uma queda de 2,82%.

Entre os plantéis que obtiveram uma evolução satisfatória, no período analisado, está o efetivo suíno que cresceu de 31,2 milhões para 39,2 milhões de animais, um aumento de 26%; a criação de caprinos, que saiu de 7,1 milhões para 8,2 milhões de cabeças, crescimento de 15,5%; e a pecuária de pequenos animais(galinhas, galos, frangos, pintos), que saltou de 1,1 bilhão para 1,4 bilhão de cabeças, um aumento de 27%.  

Trazendo essa análise para alguns segmentos da agropecuária do RN, verifica-se que 2006 existiam 83,0 mil estabelecimentos agrícolas, número que se reduziu para 63,4 mil em 2017, ocasionando uma queda de 24% e influenciando na absorção de mão de obra no setor agrícola, que encolheu de 247,5 mil para 211,5 mil pessoas, ou seja, quase o dobro da redução havida no Brasil. No mesmo período, o uso de tratores e equipamentos agrícolas cresceu de 4,3 mil para 5,6 mil, acompanhando à tendência nacional.

No que tange ao efetivo de animais, o plantel bovino potiguar reduziu-se de 878,0 mil cabeças em 2006 para 757,9 mil na atualidade, registrando uma variação negativa de 14% bem acima da ocorrida no país. Também à pecuária de pequenos animais apresentou um ritmo de queda, passando de 6,1 milhões para 5,6 milhões de animais em 2017, uma redução de 8,2%. Os demais rebanhos apresentaram um crescimento positivo, entre os Censos analisados, tendo à criação de caprinos aumentado de 273,5 mil para 281,7 mil, evolução de 3%; o plantel suíno crescido 32% de 78,3 mil para 103,5 mil; e o criatório de ovinos se expandido de 410,0 mil para 532,2 mil cabeças, algo em torno de 30%.

Finalmente, com relação à utilização das terras, a áreas ocupadas com lavouras permanentes, que eram de 359,5 mil/há, reduziu-se para 87,3 mil/há em 2017, queda de 76%, enquanto que as áreas utilizadas com lavouras temporárias passaram de 182,9 mil/há para 234,9 mil/há, um crescimento de 28%, no mesmo período. 








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