Uma faculdade católica no Rio Grande do Norte

Publicação: 2018-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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João Medeiros Filho
Padre

É inconteste a influência da Igreja no processo educacional potiguar e nacional. No Rio Grande do Norte, remontam aos períodos colonial e imperial as primeiras realizações católicas no âmbito do ensino formal. Ícone dessa fase é a Escola de Latim do Padre Guerra, fundada na cidade de Caicó, quando pároco daquela freguesia. Após a separação da Igreja e do Estado brasileiro, com a proclamação da República e o fim da Concordata, instituições de ensino vão aparecendo no cenário acadêmico norte-rio-grandense. No início do século XX, surge um monumento à educação: o Colégio Diocesano Santa Luzia de Mossoró, dirigido por mais de meio século, pelo dedicado mestre Padre Sátiro Cavalcanti. É lá que se ergue altaneira uma Faculdade Católica, mantida pela Fundação Santa Teresinha, entidade vinculada à diocese, hoje saudando e parabenizando a sua coirmã Faculdade Católica de Natal.

A instituição de ensino superior mossoroense foi credenciada pelo Ministério da Educação (Portaria 584/2009), primitivamente com o nome de Faculdade Diocesana de Mossoró. Posteriormente sua denominação foi alterada, com a regulação dos órgãos competentes do Sistema Federal de Ensino e da Receita Federal (CNPJ 07.729.838/0002-40). A Faculdade – que pretende primar por um ensino de excelência – oferece atualmente oito cursos superiores: Administração, Ciências Contábeis, Direito, Fisioterapia, Gastronomia, Nutrição, Psicologia e Teologia, todos devidamente autorizados ou reconhecidos “ex-vi legis” (cf. Lei 9394/96, Artigos 9º, Inciso IX e 44-46). Além dessas graduações presenciais ministra atualmente mais de vinte cursos de pós-graduação “lato sensu” em estrita observância à Resolução 01/2018, do Conselho Nacional de Educação. O Plano de Desenvolvimento Institucional prevê a criação de novos cursos. A Faculdade Católica é o resultado do esforço de toda uma equipe diocesana, envolvendo o bispo (Dom Mariano Manzana), padres e os líderes das paróquias. Há de se registrar que na década de 1960, alguns sacerdotes acalentavam o sonho de uma universidade católica para o RN. Por conta de certas dificuldades, não foi possível concretizá-lo. No entanto, o projeto não foi abandonado. Num futuro, não distante, pedir-se-á o credenciamento como centro universitário e, no momento adequado, universidade. Não se pode deixar de lembrar o pioneirismo de Monsenhor Américo Simonetti (e as bênçãos de Dom Freire) criando o curso superior (livre) de iniciação teológica, embrião de toda a obra que ora se constrói na Terra de Santa Luzia.

A Faculdade Católica tem se empenhado em oferecer uma educação superior à luz dos valores humanos, éticos e cristãos, de forma inovadora e sustentável. Dentre os seus ideais, pode-se destacar o estudo a respeito do “verdadeiro significado do homem”, segundo o desejo de João Paulo II, em sua alocução no Congresso Internacional de Universidades Católicas (Roma, 25 de abril de 1989). O mesmo pontífice, no documento “Ex corde Ecclesiae” e o Papa Francisco, na Exortação Apostólica “Veritatis Guadium”, estabelecem diretrizes para as instituições católicas de ensino superior. Elas devem iluminar com a fé católica a reflexão sobre o conhecimento humano, apresentar fidelidade ao pensamento do Evangelho e contribuir institucionalmente com a comunidade eclesial e a humanidade em sua caminhada rumo ao objetivo transcendente, que dá significado à vida. Uma faculdade católica tem o dever de ser instrumento eficiente do progresso cultural, contribuindo para o estudo e a solução dos problemas contemporâneos. Não deve se omitir de dar atenção especial às dimensões éticas, devendo ter a coragem de proclamar verdades incômodas, tão necessárias para salvaguardar o autêntico bem da sociedade e a dignidade do ser humano, criado à “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1, 26-27).

Não é simplesmente pelo fato da pertença a um órgão da Igreja que uma universidade ou faculdade é realmente católica. É preciso que seja devidamente reconhecida nos termos da legislação eclesiástica. Existem critérios estabelecidos e características requeridas para tanto. O Código de Direito Canônico (cf. Cânones 803 e 808) tem exigências a serem observadas, culminando com ato da autoridade eclesiástica: o bispo diocesano ou o representante da conferência episcopal. Assim, após acurada análise, passado algum tempo de experiência e verificada a qualidade e natureza do ensino, Dom Mariano Manzana, por meio de decreto, declarou a Faculdade Diocesana de Mossoró: Faculdade Católica, apta a funcionar com essa nomenclatura, no território de sua jurisdição!







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