Uma história em 1 minuto

Publicação: 2017-10-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter


Um minuto é suficiente para se contar uma boa história na tela. O vídeo de tiro curto é tão possível de emocionar, fazer sonhar e rir, quanto de iniciar alguém numa carreira no audiovisual. É o caso do jovem Diego Alves, do município de Nova Cruz. Ano passado, então aluno do ensino médio no IFRN, ele inscreveu o curta “Sabor da Nação” no Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa e viu seu trabalho ser exibido na tela grande por um público de cineasta. Concorrendo apenas com curtas de um minuto de alunos do IFRN, o vídeo foi premiado, rendendo a Diego uma experiência única: a participação como convidado em um dos mais importantes festivais de cinema independente da Europa, o Off Câmera, na Cracóvia (Polônia).

Vencedores em suas categorias, Rômulo Skaff e Diego Alves relatam experiência de participar de festival na Polônia
Vencedores em suas categorias, Rômulo Skaff e Diego Alves relatam experiência de participar de festival na Polônia

“Pra mim, um garoto do interior do RN, que gostava de cinema mas achava a atividade algo tão distante, ter participado de festival daquele tamanho foi algo surreal”, conta Diego em entrevista ao VIVER. Após concluir o ensino médio, ingressou no curso de Jornalismo da UnP. “Hoje tenho uma percepção muito maior sobre se fazer cinema e quero me desenvolver nessa área”.

É justamente servir como essa janela de oportunidades no audiovisual potiguar que o Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa (FINC) é pensado, explica o diretor executivo do evento, o Rômulo Sckaff – ele mesmo um realizador de filmes, que, antes de integrar a organização do festival, chegou a ser premiado no evento com o curta de um minuto “Maré Alta” (2012). “Participar do festival polonês te dá a oportunidade de se encontrar com a nata do cinema independente, de assistir os mais diversos experimentos cinematográficos. Você senta ao lado de cineastas do mundo inteiro, como Costa-Gravas, Polanski, e, mesmo estando lá para exibir um curta de um minuto, você é tratado da mesma forma como os outros cineasta”, comenta Sckaff, que participou do festival polonês em 2013. “Acredito que quem participou do FINC e depois foi ao Off Câmera trouxe ganhos significativos para a carreira. Realizadores como Dênia Cruz, Márcia Lohss, Babi Baracho e Andre Santos seguem com uma produção crescente”.

Quando viajou a Cracóvia, Sckaff aproveitou para produzir o documentário “O impreciso mar que nos move”, com entrevistas de cineastas da Europa, Estados Unidos, Coreia do Sul, dentre outros. Para ele, foi revelador saber que cineastas independentes de países mais ricos passam pelos mesmo perrengues financeiros para viabilizar seus trabalhos. Mas que há diferenças de comportamento na hora de lidar com as dificuldades. “Tanto aqui, como nos Estados Unidos, fazer um filme independente é um desafio grande. Mas lá eles não só reclamam. Elas fazem. Estão mais preocupados em realizar”, avalia.

Sobre a cena cinematográfica polonesa, especificamente, uma das coisas que mais lhe chamou a atenção e que ele vê possível de ser implantado no RN é o Film Commission – órgão que centraliza questões burocráticas de produção para agilizar a realização de filmagens no país.

O pescador e seu ofício são tema do Festival de Baía Formosa deste ano
O pescador e seu ofício são tema do Festival de Baía Formosa deste ano

“Uma estrutura dessas facilitaria muitas coisas para quem deseja filmar no RN. Dá para se encontrar os profissionais disponíveis, locações, conseguir as autorizações necessárias para filmar nas cidades. É uma política de estímulo a produção”, comenta Sckaff, que vê potencial local para o Estado se torna um pólo cinematográfico. “Temos uma ótima luz natural, diversidade de cenários, como o agreste, as salinas, as dunas, as pedras, a mata atlântica. Mas por que não se faz mais filmes aqui? Cinema também é turismo. Um filme aonde ele for exibido serve como divulgação do Estado. Mas a indústria de turismo aqui não consegue conversar com a cultura”.

Em “Sabor da Nação”, curta de um minuto de Diego Alves, o tema foi a feira livre de sua cidade, Nova Cruz, para traçar uma metáfora sobre a miscigenação no Brasil a partir de alimentos como feijão preto, branco, macaxeira. No ano passado, o tema do FINC foi “Eu sou brasileiro”.

Para um realizador amador, o mais importante é exercitar. “Você vai se deparar com dificuldades, mas tem que ter na cabeça a força de vontade de realizar o projeto. No curta, queria que meus amigos atuassem. Ele não toparam. Fui atrás de outras soluções”, diz o jovem.

Para Rômulo Sckaff, que em “Maré Alta” filmou o avanço da maré na praia de Sagi, no extremo sul do litoral potiguar, dois quesitos são fundamentais. “A primeira coisa é ser verdadeiro. Ter uma história que você acredita e queira muito contá-la. Depois é preciso planejamento, saber organizar a produção. A filmagem é rápida, mas é preciso ter essa produção organizada”.

A 8ª edição do Festival de Cinema de Baía Formosa acontece nos dias 1 e 2 de dezembro, no Mirante da Praia de Baía Formosa, onde é montado um telão de 10x6 metros. A programação completa em breve será anunciada esta  semana.


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