Uma nova campanha

Publicação: 2018-09-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Nessa marcha eleitoral da qual ninguém escapa nem mesmo portando habeas corpus preventivo e outras vacinas, a tevê e o rádio atropelando o indefeso cidadão (tem manchetes e entrevistas para todo lado, sem falar na tal da “propaganda eleitoral gratuita”), encontrei esta semana uma ótima leitura. Foi folheando a internet, noite de quarta-feira. Lá estava, na edição online de O Globo, a crônica de Zuenir Ventura, dos nossos mais brilhantes jornalistas e escritor do primeiro time, autor do clássico “1968: O ano que não terminou”, publicado em 1980, e já com várias edições. Em 1995 ganhou o Prêmio Jabuti, na categoria Reportagem, com o livro “Cidade Partida”. É imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 32, sucedendo a Ariano Suassuna.  Zuenir já andou algumas vezes por Natal participando de eventos literários. Simples, sem pose, papo agradável, gostoso, ainda com ligeiro sotaque mineiro apesar de muitos anos de Rio de Janeiro.

Seu artigo é uma análise perfeita do momento político que o Brasil vive.  Tem o título de “Uma nova campanha”. Transcrevo-o por inteiro:

- É possível que a imprensa tenha se comovido mais com o atentado contra Jair Bolsonaro do que os eleitores. O primeiro resultado da pesquisa Datafolha após o ataque não confirmou, pelo menos até agora, as expectativas de que a facada iria favorecer, de maneira decisiva, a campanha do candidato do PSL.

- O general Hamilton Mourão, vice da chapa, acreditava que o ataque amenizaria a imagem de radical de seu líder, criando em torno dele uma aura de vítima que reduziria de maneira drástica seu índice de rejeição, não apenas de 44% da pesquisa anterior para os 43% de agora. E que a taxa de aprovação seria bem maior – não apenas de 22% para 24%.

- No dia seguinte ao atentado, o general-vice declarava em entrevista à “Central das Eleições”, da Globo News, que a orientação era para que os militantes moderassem o tom, não exacerbassem os ânimos. Ao mesmo tempo e sem qualquer combinação, os principais adversários de Bolsonaro prestavam-lhe solidariedade e retiravam da propaganda eleitoral as críticas a ele. O clima era de reconciliação e de civilidade.

- Enquanto isso, com a bandeira branca hasteada pelos adversários, Bolsonaro ganhava uma positiva e natural cobertura jornalística. De defensor da violência e propagador do ódio, passava a paciente impotente de um ato covarde. Assim, talvez para exposição, ele resolveu posar sentado numa poltrona da UTI empunhando dois imaginários revólveres e fingindo atirar.

- Era o resgate da imagem belicosa daquele que prometia “fuzilar a petralhada do Acre”, e que há tempos chegou a afirmar em palestra para executivos que “através do voto não se vai mudar nada neste país, só por meio de uma guerra civil que matasse 30 mil”.

- A partir de agora, é provável que comece uma nova campanha, com o crescimento de Haddad e Ciro, e cujo tom será dado pela estratégia a ser adotada por Bolsonaro – se a de uma versão paz e amor que tentaria livrá-lo da recusa recorde ou a do “mito” que propõe resolver tudo à bala e que lhe deu o primeiro lugar nas intenções de votos”.

Mais política
Deu na coluna BR18, do Estadão:

- Geraldo Alckmin voltou a bater pesado no PT e em Fernando Haddad. O tucano disse, durante a sabatina do jornal O Globo, que acabou a blindagem que os vinham fazendo para preservar Haddad, usando a candidatura de Lula como proteção.

- “A prioridade do PT não é o Brasil, é o Lula. Está claro que Lula usa a política para escapar da Justiça. O PT fez uma enganação para vitimizar o ex-presidente e proteger o Haddad. Agora, acabou a blindagem, Haddad vai ter que explicar os 13 milhões de desempregados”, afirmou.

João Wilson
Em solenidade marcada para às 17 horas de hoje, no auditório do Núcleo de Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas (NESPA I), da UFRN, o professor, escritor e poeta João Wilson Mendes Melo receberá o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Ele é um dos fundadores da UFRN, tendo sido diretor por muitos anos da Faculdade de Ciências Econômicas. Publicou mais de uma dezena de livros, inclusive de poesia. É imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, onde ocupa a cadeira 25, sucessor do teatrólogo Meira Pires. Está com 96 anos, nascido em Mossoró.

No Solar  A primeira parada na noite de hoje será no Solar Bela Vista, entrando pela rua São Tomé, ali, mais ou menos nos limites que separam e juntam a Cidade Alta da Ribeira, subindo ou descendo.  Coisa das 18 horas Napoleão de Paiva Souza começa a autografar o seu livro de poemas E por acaso deliro.

Todos vão se encontrar por lá.

Livro 
O Padre João Medeiros Filho está com novo livro pronto, A devoção à Nossa Senhora e orações marianas, com lançamento marcado para o dia 29 na Livraria Paulus, da rua Coronel Cascudo, Cidade Alta.

O prefácio é de Dom Heitor de Araújo Sales.

Na Academia 
Mais livro, vá anotando em sua agenda: dia 18, terça-feira que vem, às 17 horas, tem o lançamento do livro de Leide Câmara, Memória Acadêmica, onde ela conta a “riqueza da vida da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras nestes seus 80 anos de existência”. Será na sede da ANRL.

Musicóloga e pesquisadora, Leide Câmara, autora do “Dicionário da Música do Rio Grande do Norte”, é imortal da ANRL, dirigindo a sua Secretaria.

Cachaça 
Ontem, 13 de setembro, foi o Dia Nacional da Cachaça, que é lei aprovada pela Câmara Federal. Não vi e nem ouvi nenhuma referência à data na programação eleitoral. A cultura sempre é relegada na gaveta de baixo, apesar de seu sabor com tempero do povo.

Comemoraremos amanhã em Queimadas.







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