Uma revolução de 30

Publicação: 2020-05-22 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Hoje faz 30 anos de uma grande revolução tecnológica que mudaria os rumos da informática na fronteira dos séculos XX e XXI. Em 22 de maio de 1990 chegava às lojas dos EUA o programa Windows 3.0 da Microsoft, que estabelecia uma mudança profunda no sistema operacional criado cinco anos antes, em novembro de 1985. A nova versão tinha uma interface gráfica de usuário com um conjunto aprimorado de ícones e gráficos em 16 cores.

Além de melhor bastante o gerenciamento de memória, a empresa de Bill Gates reescreveu completamente o ambiente de desenvolvimento de aplicativos e logo a versão 3.0 se tornaria extremamente popular, ainda mais quando houve o lançamento de um kit de desenvolvimento de software e a inclusão do clássico jogo “Paciência”. Quatro meses depois, veio o pacote do Microsoft Office com Word, Excel e PowerPoint, para alegria dos escritórios.

Usado em computadores dos tipos 286 e 386, o Windows 3.0 tinha um ambiente gráfico que rodava sobre o sistema operacional MS-DOS e tinha boa gestão de memória e sistema multitarefa. E utilizava 16 MB de aplicativos.

No meio do ano daquele 1990, o que havia chegado no mercado de Natal era apenas a notícia do lançamento do produto em terras americanas. Eu era diretor de criação da agência TP, que estava em ritmo de campanha eleitoral.

O fundador Tertuliano Pinheiro tinha o reforço de dois novos sócios, Alexandre Firmino e Agnelo Alves Filho. Como bons integrantes da velha guarda, todos nós ainda trabalhávamos com máquinas de datilografia. Ainda tenho a minha.

Levaria um tempo até que as agências de publicidade natalenses adquirissem aquela revolução que trinta anos depois não para de avançar. Eu mesmo passaria mais tempo ainda para me decidir a encarar as teclas e o visor do PC.

Lembro que Joacy Medeiros, da Dumbo, me disse que em poucos anos até uma padaria não conseguiria trabalhar sem um computador. Eu achei exagero, principalmente quando afirmou que o uso de papel cairia muito nas agências.

Quero destacar aqui uma espécie de antevisão do já saudoso Marco Aurélio Loiola, que partiu precocemente ontem. Sabedor dos trabalhos extras que eu fazia (os frilas), me chamou para ver uma coisa e uma ideia do meu interesse.

Ao chegar na sua agência, me ofereceu um PC Xt, aqueles sobre uma CPU, dizendo que seria o ideal para eu ficar trabalhando em casa, pra todo mundo, sem precisar dar expediente em nenhum. Dez anos depois eu fui fazer isso.

Venci o preconceito com o futuro quando assumi a redação da Faz Propaganda, de Ricardo Rosado e Roberto Solino, este último já um craque dos computadores e usuário de uma coisa extraterrestre chamada Macintosh.

Não havia uma só mesa da agência sem um computador, e eu tipo entrei em pânico, exigindo uma máquina datilográfica. Se fosse preciso, traria até a minha de casa. Do pequeno museu eletrônico de Ricardo, tirei uma máquina.

Mas, não demorou minha síndrome de Agnelo (o saudoso Neco dizia aqui na Tribuna que não queria saber de computador) e logo aderi à onda do Windows e aos poucos fui me tornando íntimo até que chegou a navegação do WWW.

Dos joguinhos virtuais, das salas de chat, das colagens no Corel, da coluna diagramada no PageMaker, das conversas no Orkut, acabei criando um site (Sanatório da Imprensa) antes da virada do milênio. Hoje é uma data especial. 

Créditos: Divulgação


E daí?
Nenhum texto floreado de revolução, nenhuma crônica de indignação em favor da vida humana, nenhum versinho de resistência. Lula festejou a pandemia, depois pediu desculpas, e os arautos da democracia acharam normalíssimo.

Reação
Um renomado advogado, longevo leitor da coluna derna o DN, passou no WhatsApp sua opinião sobre o comentário de Lula numa live: “Esse ser abjeto. A amoralidade de Macunaíma lapidada pelo ódio ideológico”. Na mosca.

Eleição
O ministro do STF Luís Roberto Barroso reforçou o cordão do colega Marco Aurélio Mello e do deputado Rodrigo Maia. E também avaliou como praticamente improvável a realização das eleições para prefeito em outubro.

Decretos
De um boêmio com doutorado nos bares do Beco, da Ponta do Morcego, de Ipanema, da Vila Madalena, do Chiado e do Soho: “É muita ironia pra pouca rima. Cinquenta anos depois do homem pisar na Lua, tá proibido pisar na rua”.

Tráfico
No mesmo dia em que a PF e a Polícia Rodoviária apreenderam uma carga recorde de maconha, 32 toneladas em Santa Catarina, o Exército anunciou a apreensão de 260 kg de pasta base de cocaína em Mato Grosso do Sul. 

Agressão
Na cidade mineira de Barbacena, um comerciante chamou uma equipe da afiliada Globo de “Globo Lixo” e recebeu um soco do cinegrafista. O UOL chamou de agressão apenas o xingamento e não o ataque físico do global.

Escorpiões
Moradores de Nova Descoberta enviam mensagens com pedidos de ajuda à Anvisa ou órgãos similares da prefeitura. Há uma proliferação de escorpiões no bairro em diversas ruas e vilas. Há casos de até dez aracnídeos numa só casa.

Quebradeira
O angustiante lamento de um dos donos do Bar Tijibu, que circulou nas redes sociais, é o retrato da realidade da maioria dos bares do RN, incapazes de cumprirem com seus custos. Em Natal, os bares do Centro esperam milagre. 







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