Uma virada?

Publicação: 2019-10-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

COLUNA


Final dos anos cinquenta o Rio Grande do Norte vivia, certamente, uma pasmaceira. Velhos políticos com tramas oligarcas e protecionistas dos apaniguados, nascidos de um coronelismo tardio que resistia desde a República Velha, embora o governador Dinarte Mariz fosse um homem solidário. Isto pode explicar a força que se ergueu nas ruas, soprada por um vendaval político que promoveu a revolução pelo voto e tinha nome próprio: Aluizio Alves.

Mais de meio século depois, um novo grito pode ser a saída para livrar o Estado do marasmo econômico e social, filho legítimo do um desinteresse e um descompromisso desses governantes e líderes recentes que fizeram do marketing a obra de governo. E é desastroso, como expectativa, que pareça ser este também o destino do Governo Fátima Bezerra. Precoce na mesmice e arrimado na crise, já parece fadado a arrecadar, pagar e justificar novas dívidas.

Ora, a história se repete e, às vezes, em forma de uma comédia de erros. Não era tão menor, resguardadas as proporções e circunstâncias, o desafio que Aluizio Alves encontrou ao assumir o governo. Populista, mudou até o nome do Palácio Potengi para da Esperança, como se tivesse direito de revogar a tradição do rio que banha a cidade, e, nem assim, seria justo negar a revolução modernizadora que promoveu em todos os campos da ação governamental.

Vejam hoje, livres de qualquer contaminação pessoal, o que nos restou como líderes nas esferas pública e privada, as catracas da dinâmica social, e teremos a revelação exata das nossas pobres e medíocres limitações. São exemplos de avanços na defesa e implantação de novas idéias? Suas estruturas privadas de origem são representativas da geração de emprego e renda ou são novos refestelados parindo a eternidade das águas do nosso próprio naufrágio?

Um líder, e só um líder, queiramos ou não, tem o destemor na própria alma. Não eram pequenas e nem menos profundas as crises deixadas pelo Governo Dinarte Mariz - salários atrasados, estagnação econômica de um estado sem energia, sem água, sem telefone, sem produção industrial e sem habitação. E, no entanto, Aluizio lutou em todas as trincheiras, dentro e fora do país, buscando a Aliança para o Progresso, postergando barreiras ideológicas.

A vitória da governadora Fátima Bezerra nas urnas foi inegavelmente uma reação forte na medida em que a sociedade mandou para casa aqueles que prometeram tudo nos apelos de marketing, e acabaram por deixar o Estado numa falência de recursos e de idéias. Destino do qual a governadora Fátima Bezerra não está livre. Se não olhar com olhos conscientes os olhos firmes da sociedade. _ É de lá, governadora, que virá a sentença silenciosa dos votos.

AVANÇO - Candidato, potencialmente, ao Senado, de olho na cadeira do senador Jean-Paul Prates, o deputado Ezequiel Ferreira poderá subir um degrau e disputar o governo em 2022.

BIELA - Para os que defendem a possiblidade, basta que a governadora Fátima Bezerra em 2020 esteja batendo biela. É da situação que, às vezes, nasce uma oposição. E pode ser fatal.

FLORADA - As craibeiras da Av. Rui Barbosa começam a florada vestindo de amarelo vivo as suas copas frondosas que o engenheiro Aníbal Barbalho vigia do alto do seu apartamento.

AVISO - Uma maneira de se ser infeliz é precisar ser atendido na agência ‘Estilo’, do Banco do Brasil, na Av. Campos Sales. Tem de um tudo. Da gravata ao salto alto. Só não tem estilo.

NÍSIA - Raimundo Melo, o diretor do Museu Nísia Floresta, confirma o lançamento da nova edição da biografia de Nísia, da professora Constância Lima Duarte, dia 31 próximo, às 17h.

OSWALDO - Dia seguinte, primeiro de novembro, 14h, o autor homenageado será o escritor Oswaldo Lamartine. Este escrevinhador, honrado com o convite, vai falar sobre a sua obra.

EXPO - Selma Bezerra abre sua exposição - Imaginária - dia 24 próximo, às 17h, na Galeria Conviv’art, na sede da Biblioteca Zila Mamede, no Campus da UFRN. Com raízes no Seridó.

AMIGOS - Dácio Galvão reuniu e organizou a correspondência de Oswaldo Lamartine com seu pai, o historiador Hélio Galvão. Dois amigos unidos por grande e fraterna convivência. 

JARDIM - Tem toda razão o desembargador Cláudio Santos, filho um lustre de Jardim do Seridó, quando luta para que a Prefeitura do município desista de asfaltar o centro histórico da cidade. O que parece ser modernidade vai interferir na tradição de uma visão de dois séculos.

TRADIÇÃO - Formado por ruas largas em torno de sua praça antiga, cercada do casario duas vezes centenário, o asfaltamento não apenas vai interferir no pitoresco da paisagem antiga, como não é bom para a temperatura urbana. Daí ter sentido o apelo dos moradores antigos.  

EXEMPLOS - Se Amazan, o prefeito de Jardim do Seridó, visitar os centros de algumas das cidades históricas de Minas, vai constatar que o desembargador Cláudio Santos tem razão. O asfaltamento é a falsa modernidade - vai interferir na quietude de sua bela paisagem urbana.






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