Unesco coordena rede que integra 116 cidades

Publicação: 2016-09-04 00:00:00
“Laboratório de ideias inovadoras”. A maior rede internacional de cidades criativas possui desde o ano passado 116 cidades em 54 países do mundo. Cinco delas estão no Brasil: Curitiba, Salvador, Belém, Santos e Florianópolis. Para a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), as soluções criativas devem promover o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e a produção cultural. A razão de existir da rede é exatamente a cooperação entre  esses municípios e compartilhamento das experiências.
Para entrar na rede, a cidade deve montar plano de ação de uma das categorias criativas: artesanato e arte, design, filme, gastronomia, literatura, música ou arte midiática
Para entrar na rede, as cidades devem montar um plano de ação de uma das sete categorias criativas previstas na rede: artesanato e arte folclórica; design; filme; gastronomia; literatura; música; e artes midiáticas. Apesar das categorias, o órgão da ONU não incentiva ações meramente isoladas. As conexões e interseções com outras áreas são bem-vindas segunda a Unesco. Outra questão importante é que municípios vizinhos também podem ajudar nesse sentido, no entanto, toda a responsabilidade sobre a aplicação dos plano de ação é do município titular.

Ao final de cada ano,  a Unesco escolhe as cidades que  entram para a rede. O tamanho da população ou sua influência econômica pouco importam como critério. Prova disso é que a cidade  de Bamiyan, que teve seu patrimônio histórico devastado pelo movimento Talibã, e a populoso e moderna Pequim estão lado a lado na rede. 

A consultora Ana Carla Fonseca Reis, que proferiu palestra  na 28º edição Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, participou do processo de candidatura da pequena cidade portuguesa de Idanha-a-Nova. “Muitas pessoas ficaram surpresas pelo fato de uma cidade tão pequenina se candidatar a uma rede tão qualificada, mas a riqueza de suas tradições musicais, o empenho de sua população em mostrar suas singularidades musicais, a excelência do trabalho validado pela comunidade e a presença da música em seu dia a dia garantiu sua presença na rede”, disse.   

Ana Carla reforçou também a importância do engajamento popular na vocação cultural da cidade. Sem a vontade de transformar uma cidade criativa de música, nenhum esforço do poder público sozinho teria esforço segunda Reis. “O nível de engajamento cidadão de Idanha-a-Nova a levou a dar um passo que as outras não deram”, completou.

A Prefeitura de Idanha-a-nova avalia que o selo de cidade criativa na música pode também atrair mais pessoas para morar na cidade. Não é à toa que o slogan da gestão municipal é “em Idanha há lugar para ti”. O encolhimento populacional é um dos grandes problemas de cidades europeias pequenas, que perdem jovens em idade produtiva para os grandes centros urbanos. Em dezembro do ano passado, o município português recebeu o título.  

Para usar a marca de “Cidade Criativa da Unesco”, as cidades passam por avaliações periódicas de seus planos de ação. A Unesco informa que não há um valor definido para os orçamentos desses planos. O principal norte para a avaliação do órgão ligado à ONU é a consistência das ações e relação com o orçamento proposto. Além disso, os municípios integrantes da rede tem que estimular pesquisa sobre os conceitos aplicados nas cidades e estudos de caso.

A rede da Unesco existe desde 2004 e todo mês de dezembro anuncia os novos participantes que fazem parte da rede. Uma reunião da rede está prevista para ocorrer neste mês na Europa. Vale ressaltar que já existem outras redes de cidades criativas com diferentes abrangências pelos continentes, pelo mundo e no Brasil também.  

REDE MUNDIAL DE CIDADES CRIATIVAS

China
Suzhou (China) - Artesanato e arte folclórica
Chengdu (China) - Gastronomia
Shenzen (China) - Design
Jingdezhen (China) - Artesanato e arte Folclórica
Xangai (China) - Design
Pequim (China) - Design
Hangzhou (China) - Artesanato e arte folclórica
Shunde (China) - Gastronomia

Japão
Nagoya (Japão) - Design
Kobe (Japão) - Design
Sasayama (Japão) - Artesanato e arte folclórica
Hamamatsu (Japão) - Música
Tsuruoka (Japão) - Gastronomia
Sapporo (Japão) - Artes midiáticas
Kanazawa (Japão) - Artesanato e artes folclóricas

Estados Unidos
Tucson (Estados Unidos) - Gastronomia
Paducah (Estados Unidos) - Artesanato e arte folclórica
Detroit (Estados Unidos) - Design
Austin (Estados Unidos) - Artes midiáticas
Iowa (Estados Unidos) - Literatura
Santa Fé (Estados Unidos) - Artesanato e Arte folclórica

Coreia do Sul
Tongyeong (Coreia do Sul) - Música
Jeonju (Coreia do Sul) - Gastronomia
Gwangju (Coreia do Sul) - Artes midiáticas
Icheon (Coreia do Sul) - Artesanato e arte popular
Busan (Coreia do Sul) - Filme
Seul (Coreia do Sul) - Design

Espanha
Granada (Espanha) - Literatura
Burgos (Espanha) - Gastronomia
Barcelona (Espanha)  - Literatura
Dénia (Espanha) - Gastronomia
Bilbao (Espanha) - Design
Sevilha (Espanha) - Música

Itália
Roma (Itália) - Filme
Parma (Itália)  - Gastronomia
Fabriano (Itália) - Artesanato e arte folclórica
Bologna (Itália) - Música
Turim (Itália) - Design

Brasil
Salvador (Brasil) - Música
Belém (Brasil) - Gastronomia
Curitiba (Brasil) - Design
Florianópolis (Brasil) - Gastronomia
Santos (Brasil) - Filme

Inglaterra
Liverpool (Inglaterra) - Música
Bradford (Inglaterra) - Filme
Nottingham (Inglaterra) - Literatura
Norwich (Inglaterra) - Literatura

França
Enghien-les-bain (França) - artes midiáticas
Lyon (França) - Artes midiáticas
Saint-Étienne (França) - Design
Brazzaville (França) - Música

Alemanha
Heildelberg (Alemanha) - Literatura
Berlim (Alemanha) - Design
Hannover  (Alemanha) - Música
Mannheim (Alemanha) - Música

México
Puebla (México) - Design
San Crisobal de Las Casas (México) - Artesanato e arte folclórica
Ensenada (México) - Gastronomia

Colômbia
Popayán (Colômbia) - Gastronomia
Bogotá (Colômbia) - Música
Medellín (Colômbia) - Música

Austrália
Melbourne (Austrália) - Literatura
Adelaide (Austrália) - Música
Sidney (Austrália) - Filme

Irã
Isfahan (Irã) - Artesanato e arte folclórica
Rasht (Irã) - Gastronomia

Polônia
Katowice (Polônia) - Música
Cracóvia (Polônia) - Literatura

Irlanda
Galway (Irlanda) - Filme
Dublin (Irlanda) - Literatura

Escócia
Edimburgo (Escócia) - Literatura
Glasgow (Escócia) - Música
Congo
Lubumbashi (República Democrática do Congo) - Artesanato e arte folclórica
Kinshasa (República Democrática do Congo) - Música

Áustria
Linz (Áustria) - Artes midiáticas
Graz (Áustria) - Design

Portugal
Óbidos (Portugal) - Literatura
Idanha-a-nova (Portugal) - Música

Indonésia
Pekalongan (Indonésia) - Artesanato e arte folclórica
Bandung (Indonésia) - Design

Equador
Duran (Equador) - Artesanato e Arte folclórica

Uruguai
Montevideo (Uruguai) - Literatura

Bahamas
Nassau (Bahamas) - Artesanato e arte folclórica

Cingapura
Cingapura - Design

Haiti
Jacmel (Haiti) - Artesanato e arte folclórica

Ucrânia
Lviv/Leópolis (Ucrânia) - Literatura

Argentina
Buenos Aires (Argentina) - Design

Líbano
Zahlé (Líbano) - Gastronomia

Afeganistão
Bamiyan (Afeganistão) - Artesanato e arte folclórica

Índia
Jaipur (Índia) - Artesanato e arte folclórica

Lituânia
Kaunas (Lituânia) - Design

Bélgica
Ghent (Bélgica) - Música

Islândia
Reikjavik (Islândia) - Literatura

Jamaica
Kingston (Jamaica) - Música

Marrocos
Dakar (Marrocos) - Artes midiáticas

Egito
Assuã (Egito) - Artesanato e arte folclórica

Israel
Tel Aviv (Israel) - Artes midiáticas

Bulgária
Sofia (Bulgária) - Filme

Tailândia
Phuket (Tailândia) - Gastronomia

Canadá
Montreal (Canadá) - Design

Noruega
Bergen (Noruega) - Gastronomia

Suécia
Östersund (Suécia) - Gastronomia

Hungria
Budapeste (Hungria) - Design

Eslovênia
Liubliana (Eslovênia) - Literatura

Estônia
Tartu (Estônia) - Literatura

Finlândia
Helsinque (Finlândia) - Design

Arábia Saudita
Al-ahsa (Arábia Saudita) - Artesanato e artes folclóricas

Turquia
Gaziantep (Turquia) - Gastronomia

Macedônia
Bitola (Macedônia) - Filme

Rússia
Ulyanovsk (Rússia) - Literatura

Como os termos surgiram?
Em 1988, uma conferência em Melbourne (Austrália) recebeu o nome de “Cidade Criativa”. Ali, os participantes discutiram como a cultura e as artes poderiam ser integrados ao desenvolvimento urbano.

Em 1994, a Austrália iniciou uma política cultural chamada de “Nação Criativa”, buscando mostrar os traços cosmopolitas do País e a integração entre a história, cultura, tecnologia e modernidade. Tudo isso dentro da ilha.

Em 1995, os consultores Charles Landry e Franco Bianchini lançam o livro “A Cidade Criativa”. O livro foi resultado de uma série de debates sobre a criatividad em dez cidades, britânica e alemãs.

Em 2000, o livro “A Cidade Criativa: uma caixa de ferramentas para inovadores urbanos” foi lançado por Landry. Essa é sua principal referência.

Em 2001, John Howking publica “A Economia Criativa”. Embora o termo já fosse usado anteriormente, o conteúdo também transformou o consultor em uma referência mundial.

Em 2002, Richard Florida lançou “A ascenção da classe criativa”. No livro, ele destaca a importância dos espaços públicos de socialização para criar um ambiente de criatividade e atrair os profissionais desse setor.

Fonte: Cidades Criativas – Perspectivas (2011)