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Política
União Brasil lança Bivar à Presidência, mas mira vice em chapa da terceira via
Publicado: 00:00:00 - 15/04/2022 Atualizado: 23:38:44 - 14/04/2022
O União Brasil formalizou ontem a pré-candidatura à Presidência do deputado Luciano Bivar (PE), presidente da sigla. A bancada da legenda na Câmara já havia anunciado apoio ao dirigente na terça-feira passada. Nos bastidores, porém, ele é apontado como um candidato a vice na eventual chapa entre os partidos do centro político que se comprometeram a anunciar um nome único na disputa pelo Planalto.

Divulgação
Senador Simone Tebet é a pre-candidata do MDB à Presidência da República

Senador Simone Tebet é a pre-candidata do MDB à Presidência da República


Além de Bivar, estão oficialmente na disputa a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB). Uma ala tucana, contudo, tenta emplacar o nome do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite.

Sem perspectiva de recursos para sua campanha presidencial no Podemos, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, por sua vez, decidiu migrar para o União Brasil, mas a ala do partido liderada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto não tem interesse em lançá-lo ao Planalto. No fim, o partido optou pelo nome de Bivar, embora o próprio Moro não tenha desistido da ideia de concorrer a presidente e venha dizendo nos últimos dias que ainda está "no jogo presidencial".

Na semana passada, União Brasil, PSDB, MDB e Cidadania fecharam um acordo para anunciar, até 18 de maio, um nome de consenso para a corrida presidencial. Como mostrou o Estadão, o nome da senadora Simone Tebet ganha força entre partidos do centro. "A partir de agora, conforme combinado previamente, o União Brasil se reunirá com os demais partidos que compartilham os mesmos ideais e projetos em busca de um nome de consenso", diz nota da Executiva nacional da legenda, que aprovou por unanimidade a indicação de Bivar em uma reunião realizada.

Nas últimas semanas, a terceira via passou por altos e baixos. Apesar de o nome de Simone Tebet ter despontado como o mais provável para representar o grupo, caciques do MDB defendem embarcar na candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto já no primeiro turno. Nesta segunda-feira 11, o petista foi a um jantar na casa do ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE), em Brasília, para arregimentar o apoio dessa ala "lulista" do MDB, que conta com o senador Renan Calheiros (AL). Em reação, ao menos 14 diretórios emedebistas declararam apoio a Tebet.

"Eu acho que a gente larga na frente a partir do momento em que nós temos um candidato absolutamente unificado do partido, sem qualquer tipo de contestação interna", afirmou o deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) na terça-feira em uma indireta ao MDB e ao PSDB, partidos divididos com relação à eleição presidencial. "A gente não pode renunciar a essa pré-candidatura para ficar em torno de alguém que não tenha a unidade de seu próprio partido."

No PSDB, Doria chegou a avisar a aliados, no fim de março, que desistiria de disputar a Presidência e se manteria no cargo, mas voltou atrás após uma reação do partido e uma carta de Bruno Araújo, presidente nacional da legenda, garantindo apoio a sua pré-candidatura. No fim, o tucano renunciou ao governo paulista e se manteve na corrida eleitoral. Enquanto isso, Leite, que também abriu mão do cargo, faz uma campanha paralela com o objetivo de substituir Doria como nome do PSDB.

Articulações
O nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) ganha força entre partidos do centro político que se comprometeram a lançar uma candidatura única ao Palácio do Planalto neste ano. Além de arregimentar apoios formais de diretórios regionais emedebistas, ela passou a ser vista neste momento como a pré-candidatura mais "estável" da chamada terceira via por integrantes da cúpula e da bancada do PSDB, apesar da persistência do ex-governador João Doria, que venceu as prévias tucanas de 2021.

Junto neste bloco, a União Brasil apresentou, oficialmente, o deputado Luciano Bivar (PE) como pré-candidato à Presidência. Nos bastidores, ele é apontado como um candidato a vice na eventual chapa do consórcio dos três partidos. MDB, PSDB e União Brasil definiram um calendário para buscar o consenso. Depois do lançamento de Bivar, os dirigentes vão se reunir na próxima semana para discutir os critérios de escolha. O martelo será batido no dia 18 de maio.

Presente a um evento em homenagem ao prefeito Bruno Covas, morto em maio de 2021, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, repetiu nesta terça, 12, para jornalistas o que já tinha dito reservadamente antes em um jantar fechado com empresários. Segundo ele, a decisão tomada pelo consórcio MDB, PSDB e União Brasil será definitiva e soberana, e estará, portanto, acima do resultado das prévias tucanas do ano passado.

"Estou deixando claro que o PSDB está contido no acordo de uma aliança nacional. João Doria é o candidato do PSDB e está contido neste acordo, mas não seremos candidatos de nós mesmos. O PSDB não vai às ruas neste ano com um candidato de si próprio" afirmou Araújo.
No mesmo dia, à noite, o ex-presidente Michel Temer (MDB) foi acionado na articulação em torno de Simone diante da ameaça de uma dissidência pró-Lula no partido. Ele mediou um encontro entre tucanos e a senadora.

Doria, Tebet e Temer jantaram na casa do empresário Caco Alzugaray, dono da Editora Três. Segundo o relato de participantes, o encontro reforçou o calendário, mas ampliou o seleto grupo que vai dar a palavra final. Em uma vitória para Doria, os próprios pré-candidatos participarão dos debates com os dirigentes de agora em adiante, o que em tese reduz o poder de Bruno Araújo.

Em apenas dois dias, a senadora reuniu o apoio formal de 14 dos 27 diretórios do partido, o que numericamente já daria a ela uma vantagem folgada na convenção. Segundo informações do MDB, 20 das 27 executivas regionais estão fechadas com a senadora, mas os anúncios serão feitos a conta-gotas. "O MDB banca a Simone. Temos 37 deputados federais, sendo apenas 5 contrários e que apoiam Lula. A nossa grande maioria é de apoio a Simone Tebet. E a maioria vai vencer. É o que rege a democracia", disse anteontem o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Nas conversas entre a cúpula dos três partidos há consenso de que o nome de Doria hoje está fragilizado e isolado no próprio PSDB, que não está disposto a abrir o cofre para bancar a campanha presidencial do ex-governador.

Apesar dos sinas, o grupo de Doria resiste e aposta nas inserções de TV do partido, que começam em 26 de abril, para projetar o ex-governador. Além de ter um amplo comitê na capital e mais estrutura que os demais pré-candidatos, o time de Doria também contratou o marqueteiro Lula Guimarães, que comandou a campanha de Geraldo Alckmin em 2018.

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