Unificação de terminais é lenta

Publicação: 2010-07-22 00:00:00
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A unificação do uso das máquinas de cartão de crédito e débito, autorizada desde o primeiro dia deste mês, está sendo implantada lentamente no comércio de Natal. Na maioria dos estabelecimentos da capital que recebe pagamentos através de cartões, ainda não houve mudança, mas a expectativa dos lojistas é de que a modificação no uso dos terminais provoque um acirramento na concorrência entre as operadoras.

Para entidades ligadas aos setores que utilizam essa ferramenta, a mudança poderá reduzir custos, uma vez que aumentará o poder de negociação dos lojistas, em relação a valores de aluguel de máquina, taxas de administração e prazos para recebimento, além de passar a ser necessário apenas um contrato com a credenciadora. Hoje, as taxas cobradas variam entre 3,5% e 5% por compra e poderá chegar a 2%, a exemplo de outros países.

De acordo com a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) do RN, a mudança é aguardada há anos pelo mercado. O presidente da entidade, Marcelo Rosado, acredita que há vantagens no uso do cartão de crédito,  para o lojista, como maior segurança no recebimento e a dispensa de análise de fichas cadastrais,  enquanto para o consumidor há maior facilidade, rapidez e segurança na compra, em comparação com o pagamento através de cheque.

Entretanto, Rosado explica que os principais gastos para oferecer esta opção de pagamento ao consumidor são as taxas de administração, também chamada de taxa de desconto, bem como o aluguel das máquinas e a taxa de antecipação. “Essas taxas comprometem a rentabilidade das operações, pois se considerarmos que os preços cobrados pelos lojistas devem ser os mesmos no pagamento em dinheiro, cheque ou cartão, há uma perda considerável na margem de lucro, uma vez que as taxas de administração são em média 4%. No restante do mundo, esta taxa gira em torno de 2%”, desta Marcelo.

Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o Brasil conta hoje com cerca de 5 milhões de máquinas alugadas de credenciadoras, em 1,5 milhão de estabelecimentos comerciais. Na avaliação da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs), os lojistas e consumidores terão mais comodidade no acesso.

Lojistas de Natal aguardam por vantagens

No comércio de Natal, poucas lojas aderiram à unificação dos terminais. De acordo com lojistas, o uso de apenas uma máquina para todos os cartões ainda não é uma realidade pela mudança ser muito recente e eles estarem esperando perceber qual operadora oferecerá maiores vantagens. A expectativa é de que a modificação provoque um acirramento na concorrência, com consequente redução nas taxas de administração.

O proprietário de uma loja de vestuário, Fernando Gondim, diz esperar uma redução nas taxas cobradas pelas administradoras. “Se a mudança implicar apenas na utilização de qualquer cartão nas máquinas, o benefício será mínimo. Mas se houver uma redução na quantidade de taxas que são cobradas para o uso, melhora para todo mundo”, avalia.

Para Gondim, outro benefício provocado pela unificação dos terminais será proporcionar maior agilidade nas compras. De acordo com ele, a facilidade proporcionada pelo uso da máquina independente da bandeira presente no cartão de crédito, poderá acelerar esse processo e o principal beneficiado será o consumidor. “Hoje, as pessoas não têm tempo a perder e não querem esperar muito para finalizar uma compra”, afirma.

Segurança com compras virtuais na Copa preocupa

Outra opção para o uso do cartão de crédito são as compras através de sites na internet. Preocupada com o grande volume de visitantes que chegará ao país durante a próxima Copa do Mundo de Futebol, e que pode fazer com que os crimes virtuais ligados à compras via cartão de crédito aumentem, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) vem tomando precauções.

De acordo com o diretor técnico da instituição, Wilson Gutierrez, a Febraban e a Polícia Federal assinaram um convênio, no final de 2009, voltado a coibir os crimes virtuais, a partir da identificação de sua origem. “O Brasil é um dos locais com  maior volume de crimes virtuais no mundo e não temos uma lei que tipifique esse delito. Por ter atuação nacional, a Polícia Federal pode agir para evitar a repetição de invasões bem sucedidas aos sistemas de compras virtuais”, afirma.

Mas apesar de demonstrar preocupação, Gutierrez diz que o sistema financeiro brasileiro é um dos mais avançados do mundo, pela tecnologia utilizada, rapidez nas informações e facilidades proporcionadas pelos diversos canais disponibilizados para o público. “O sistema financeiro brasileiro investiu R$ 19,4 bilhões em tecnologia ao longo de 2009, incluindo comunicação, equipamentos e segurança”, ressalta.

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