Natal
Universidades expandem pesquisas
Publicado: 00:00:00 - 20/04/2014 Atualizado: 10:30:48 - 19/04/2014
Igor Jácome - repórter

Pesquisa que forma mão de obra e gera avanços econômicos para o Estado. As universidades e  institutos potiguares estão enfrentando a falta de infraestrutura e recursos financeiros e humanos para causar maior impacto na indústria. Por conseguinte, estes centros estão atraindo mais  investimentos para a produção científica e formando mão de obra qualificada para o mercado. A área de petróleo e gás, no Rio Grande do Norte é um exemplo disso. Durante esta semana, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE conheceu alguns projetos novos, outros em fase de conclusão, que são exemplo de parcerias que, como fim único, buscam o desenvolvimento tecnológico e científico na exploração do “ouro negro”.
Professora Rosiney Araújo Martins e alunos do curso técnico de Petróleo e Gás do IFRN
O Estado é um dos maiores produtores de petróleo em terra no Brasil e vislumbra, para o futuro, a exploração em águas profundas, cuja descoberta foi anunciada no fim do ano passado. Numa indústria em que um erro de cálculo pode causar perda de milhões de dólares, ou reais, a academia recebe incentivos para gerar conhecimento e dirimir perdas de investimento.

Professora do curso técnico de Petróleo e Gás do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), a geóloga Rosiney Araújo Martins teve que conseguir várias parcerias para desenvolver sua pesquisa de doutorado, que deve ser apresentada no próximo mês de junho na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A pesquisadora estuda um modelo preditivo, que aponte a qualidade dos reservatórios de petróleo para perfuração. Os levantamentos são concentrado em dois poços localizados na região Oeste. Os resultados da pesquisa poderão ser usados pela indústria para escolher os locais mais adequados para perfuração, no futuro.

Leia Mais

A Petrobras e a portuguesa Partex-Brasil, empresas sócias na exploração dos poços, investiram na pesquisa. Com o resultado da pesquisas, elas também ganharão na eficiência da produção. “Eles cederam testemunhos (amostras de rochas tiradas durante as perfurações). Uma perfuração é caríssima e eles nos deram esses testemunhos gratuitamente”, explica. Além das amostras, lâminas e o microscópio usado no levantamento petrográfico foram doados. “O engenheiro de uma empresa como essa não tem tempo para fazer uma pesquisa aprofundada como essa e acaba buscando esse tipo de assistência no exterior”, argumenta a professora. “A petrografia começou a ser mais usada no Brasil na década de 1990 e não havia profissionais nessa área. Estão surgindo agora, o Rio Grande do Sul foi que saiu na frente”, acrescenta a professora. O IFRN também entrou na parceria e comprou o software Petroledge, usado pelas empresas para a catalogação e descrição petrográfica das lâminas. A pesquisadora ainda precisou de apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde fez um curso para usar o programa, além da própria UFRN.

Dos 13 alunos do IFRN que auxiliam a professora, 11 fazem parte do Programa de Formação de Recursos Humanos (PFRH) da Petrobras. Os outros dois foram conseguidos através de um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq junto com a Vale. “Esses programas incentivam os alunos a conhecerem essa área e se interessarem, não desistirem do curso e formar pessoas com conhecimento técnico”, afirma a pesquisadora.

É o caso da estudante Brena Belo, de 17 anos, que está no 4º período do curso técnico integrado de Geologia e pretende seguir na área. “No início do curso eu achava que Geologia não tinha nada a ver comigo. Quando começamos a trabalhar com a professora aprendemos muita coisa, que a gente nem via na sala de aula, e a Geologia virou minha paixão”, coloca. O mesmo  aconteceu com os colega de Brena, Lordana Fontineli, 18, e Armando Oliveira, 17. Eles gostaram tanto da experiência que estão trabalhando voluntariamente agora, porque o prazo de um ano em que recebem a bolsa já se esgotou.

Leia também