UPAs de Macaíba, Natal e Parnamirim estão com leitos lotados

Publicação: 2020-06-02 00:00:00
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Ícaro Carvalho
Repórter

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Natal, Parnamirim e Macaíba não possuem mais leitos disponíveis. O cenário se repete na cidade de São Gonçalo do Amarante, que apesar de não possuir UPA, abriu leitos de emergência no Hospital Municipal Belarmina Monte, que já registra superlotação. No fim de semana passado, o município de Parnamirim chegou a fechar as portas de sua UPA, no bairro Nova Esperança, em virtude da falta de leitos na unidade. Para desafogar as UPAs, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap/RN) tem planos para abrir leitos clínicos e de UTI em Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. 

Créditos: Alex RégisNa entrada da Unidade de Pronto Atendimento de Cidade da Esperança, em Natal, a movimentação de pacientes com suspeita de Covid-19 era intensa nesta segunda, 1ºNa entrada da Unidade de Pronto Atendimento de Cidade da Esperança, em Natal, a movimentação de pacientes com suspeita de Covid-19 era intensa nesta segunda, 1º


Em Natal, que dispõe de quatro Unidades de Pronto Atendimento, a ocupação chegou ao limite. Todos os 35 leitos reservados para pacientes com suspeita ou confirmação para a Covid-19 nessas unidades, estão ocupados. A ocupação máxima também atinge o Hospital dos Pescadores, na Rocas. No Hospital Municipal Dr. Newton Azevedo, em Petrópolis, a taxa de ocupação dos nove leitos de UTI também é de 100%. Há ainda 22 pacientes internados em Unidades de Cuidados Intensivos (UCIs), o que corresponde a uma ocupação de 80%. No Hospital de Campanha de Natal, na Via Costeira, são 47 internações em enfermarias e outros 10 usuários em leitos críticos.

Nesta segunda-feira, 1º de junho, o secretário de Saúde de Natal, George Antunes, disse que a lotação das unidades médicas está diretamente relacionada com flexibilização para abertura de comércios e baixos índices de distanciamento social. “Esqueçam decretos de governadores e prefeitos, fiquem em casa. O maior absurdo que podemos ver nos dias de hoje é se falar em flexibilização. Os poderes, os governantes tem que ter a coragem de dizer o que são serviços essenciais dentro da cidade, dentro do Estado. E não chamar o povo pra rua, distribuindo máscaras para passar uma falsa sensação de segurança", afirmou o secretário em entrevista à InterTV Cabugi.

Região Metropolitana
Também nesta segunda-feira,  a Secretaria de Saúde de Parnamirim abriu um Hospital de Campanha, que funciona no Centro Especializado em Reabilitação (CER), no bairro Vida Nova. Não há leitos de UTI na unidade. São 44 leitos de internação para pacientes com sintomas leves e moderados da Covid-19. Dois desses leitos são de estabilização, exclusivos para pacientes graves. A função desse espaço é manter o paciente estável enquanto aguarda vaga numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Inicialmente, abrimos 10 leitos. Esses pacientes que estão com suspeita ou confirmados, mas com sintomas leves. Na medida em que for precisando vamos abrindo mais leitos”, comentou Jacyara Rangel, secretária adjunta de saúde de Parnamirim. O orçamento do Hospital de Campanha de Parnamirim foi de R$ 2,2 milhões, entre adaptações e custeio. A gestora informou que há ainda um planejamento de 20 leitos de UTI a serem implantados na Maternidade Divino Amor, num prazo de até 20 dias. 

O município aguarda equipamentos que foram adquiridos para abrir os leitos críticos. Outra medida foi a transformação de uma Unidade Mista de Saúde num hospital de pequeno porte, com 31 leitos para atendimentos diversos. Sobre o fechamento da UPA Nova Esperança, no final de semana, a secretária explicou que ocorreram picos de superlotação na Unidade.

“Foi um problema no sistema de saúde. Em alguns momentos, estávamos superlotados. Temos capacidade com 20 leitos e já estávamos com 28 pacientes internados. Em algum momento a gente precisou, para organizar nosso fluxo e dar mais segurança aos pacientes internados, restringir o atendimento”, disse. Seis pacientes da UPA já foram encaminhados ao Hospital de Campanha parnamirinense.

Outra UPA que está superlotada é a de Macaíba. Com 12 leitos, sendo sete clínicos, três de estabilização e dois de isolamento, não há espaço para recebimento dos novos pacientes. A Secretaria de Saúde de Macaíba chegou a abrir 12 leitos para pacientes diversos no Centro Especializado em Reabilitação (CER) e agora aguarda a abertura de leitos de UTI no Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, de responsabilidade do Governo do Estado.

“Estão todos lotados. Quando aparece uma vaga, já tem outro paciente para ocupar o leito. Fizemos a extensão com o Anita Garibaldi. Temos 18 leitos clínicos lá. Não há UTI, nem semi UTI.”, comentou a secretária de Saúde de Macaíba, Gisleyne Karla Medeiros.

Sobre a situação de Macaíba, o secretário adjunto de Saúde do RN, Petrônio Spinelli disse, em entrevista coletiva, que o processo de contratação da empresa responsável pelos leitos está nos trâmites finais. Eles fazem parte de um quantitativo de 30 leitos (20 são do Hospital João Machado, em Natal, e 10 do Hospital Regional de Macaíba), que a Sesap/RN tenta contratar desde o final de abril.

“Concluímos o processo de contratação da empresa que vai administrar e montar os leitos nos próximos dias no João Machado e 10 leitos em Macaíba. Estamos trabalhando para que, ainda esta semana, possamos abrir leitos críticos no João Machado, independente da UTI. A ideia é que a gente venha a ter pelo menos 30 leitos críticos no João Machado, sendo 10 nesta semana. Mais 20 seriam nos próximos dias, provavelmente esperamos na próxima semana e os outros 10 de Macaíba”, disse Spinelli.

Na cidade de São Gonçalo do Amarante, que não possui UPA, foram abertos, no dia 13 de maio, nove leitos clínicos de emergência no Hospital Municipal Belarmina Monte. Desses, cinco possuem respiradores e são de estabilização. A perspectiva para a cidade nos próximos dias é a abertura do Hospital de Campanha, com 50 leitos, sendo 30 de UTI e 20 de clínica médica, metade do que foi proposto inicialmente. A mudança no planejamento, segundo o secretário de saúde Jalmir Simões, se deu pela dificuldade em encontrar respiradores e outros equipamentos no mercado.

“Estamos entregando o prédio ao Estado, com custeio de água e luz e parte dos equipamentos do CER. O prédio está novo e climatizado, subestação de energia já providenciada. O Estado vai tratar do custeio para manutenção, equipamentos e pessoal”, comentou. A unidade foi viabilizada no Centro Especializado em Reabilitação (CER). A empresa que vai gerenciar os leitos está em fase de negociação com o Governo do Estado.

“Estamos esperando o diálogo com a filantrópica que gerencia o Belarmina Monte. Eles já fizeram uma proposta e vão estar no Estado na terça-feira (hoje). Vamos avaliar possibilidade da implantação em curto prazo desses leitos, no máximo 15 dias, porque senão poderá não ter a utilidade que a expansão da pandemia exige”, disse o titular da Sesap/RN, Cipriano Maia.

George Antunes decide ficar na SMS
O Secretário de Saúde de Natal, George Antunes, decidiu ficar no cargo. Ao longo desta segunda-feira, 1º, circularam informações sobre a possível saída de Antunes da pasta. O motivo teria sido uma entrevista concedida à InterTV Cabugi, na qual o gestor se mostrou indignado com a possibilidade de reabertura do comércio e outras atividades.

Créditos: Adriano AbreuAntunes reforçou necessidade do cumprimento do isolamentoAntunes reforçou necessidade do cumprimento do isolamento


O secretário chegou a dizer que se tudo permanecer como está teremos em breve pessoas morrendo nas calçadas sem conseguir atendimento. “Se vocês estão achando que a situação está crítica, é porque vocês não tem a noção exata do que estamos passando. Esse pico deve chegar por volta do dia 15 e se estender por mais um período. Se não se tomar uma medida agora, vamos ter um caos instalado nessa cidade. Isso é uma tragédia anunciada. Ou se toma uma medida de apertar essa coisa do isolamento social, ou o caos vai se instalar. Não tem Hospital de Campanha, não tem Hospital Municipal que dê conta", disse.

De acordo com informações obtidas pela TRIBUNA DO NORTE, a situação foi contornada. Mesmo após ter a possibilidade de demissão noticiada, George Antunes seguiu sua agenda como secretário. Na tarde desta segunda, por exemplo, ele tinha reunião com membros do Ministério Público.

Bioquímico, George Antunes está na Secretaria de Saúde de Natal desde maio de 2018, quando deixou a Secretaria de Sesap/RN, a qual foi titular e adjunto, para assumir o cargo na pasta municipal. À época, ele assumiu o lugar da então enfermeira e servidora de carreira, Maria da Saudade de Azevedo Moreira Machado, atualmente secretária de saúde de Mossoró.

Fecomércio RN critica fala de George Antunes
O Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio rn), Marcelo Queiroz, reprovou a ligação entre o funcionamento do Comércio com o aumento dos números de infecções e mortes pela Covid-19 no Rio Grande do Norte. Ele disse que ficou surpreso e preocupado com as declarações dadas nesta segunda-feira pelo secretário George Antunes,  quanto à flexibilização do comércio em meio à pandemia.

“Ele [George Antunes], como titular da pasta mais importante da capital neste momento deveria estar nos trazendo informações que nos acalmassem, dando notícias da abertura de novos leitos, clínicos e de UTI e de um planejamento para dar o devido suporte à população neste momento. Ao invés disso veio defender o fechamento do comércio, justamente em um momento em que temos mais de 47 mil estabelecimentos fechados e, por causa disso, estamos vendo dispararem os números de demissões e os índices de desemprego no estado", disse o presidente da Fecomércio RN.

George Antunes afirmou na manhã desta segunda que as medidas de flexibilização tem “estreita relação" com os números da pandemia em Natal e no Rio Grande do Norte. 

Marcelo Queiroz disse repelir, com veemência, declarações que imputem ao funcionamento do comércio no Rio Grande do Norte, em maior ou menor grau, ao andamento na propagação da pandemia.

“Estamos em isolamento no RN há quase 75 dias. Estamos, há quase 30 dias, funcionando apenas com os setores essenciais e nos desdobrando para manter os milhares de empregos que geramos. Porque isso também é fundamental para manter as pessoas vivas", reforçou Marcelo Queiroz.